CASO MICHELE

'Manipulador', diz tio sobre sargento suspeito de matar capitã da PM

Capitã da Polícia Militar (PMMG) Michele Leão Azevedo morreu na noite de segunda-feira (20). A suspeita é que ela tenha sido vítima de feminicídio

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Durante o velório da capitã da Polícia Militar (PMMG) Michele Leão Azevedo, de 41 anos, na manhã desta quarta-feira (22/7), Marlon de Carvalho Leão, tio dela, afirma que o sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37, é "uma pessoa manipuladora e violenta". O policial é suspeito da morte da mulher.

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O corpo está sendo velado na Funerária Dom Bosco, Região Noroeste de Belo Horizonte, e será sepultada no Cemitério da Paz no fim da tarde. 

"Constantemente, a incentivamos a largá-lo. Ela já tinha deixado o relacionamento diversas vezes, porém ele a persuadia a voltar. Uma pessoa manipuladora", relata Leão. 

Michele morreu na noite dess segunda-feira (20/7), e o caso é investigado pela Polícia Civil. O marido dela, Eduardo Abner, foi preso em flagrante e é apontado como principal suspeito. A militar deixa um filho de 10 anos, chamado Guilherme, fruto de um casamento anterior. 

De acordo com Marlon, o menino foi deixado aos cuidados do pai e está ciente sobre o que aconteceu a ela. Já a mãe de Michele está muito abalada e fazendo uso de medicamentos. 

O tio descreve a sobrinha como uma pessoa alegre, dedicada ao filho e sempre disposta a ajudar outras pessoas. Ele relata ainda que a família estava ciente da relação abusiva, mas que Michele não conseguia deixar o marido e que agora temem uma possível retaliação de amigos do sargento. 

“Acredito totalmente na polícia. As circunstâncias existem, elas têm que ser analisadas; ele tem o direito de se defender, mas por tudo que já foi colocado e tudo que foi causado a ela, os hematomas e os cortes, a Justiça tem sido correta”, afirma Leão. "Quando uma pessoa como ele está em liberdade, pode fazer qualquer coisa. Então, quando uma pessoa dessas está presa, a gente fica satisfeito porque vai causar menos dano à sociedade."

Possível feminicídio

Eduardo foi preso sob a suspeita de matar a companheira, a capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, de 41 anos, nessa segunda-feira (20/7), quando foi preso em flagrante por suspeita de feminicídio e tráfico de drogas. 

A morte da capitã, constatada na noite dessa segunda, mobilizou equipes das polícias Civil (PCMG) e Militar. O suspeito levou a vítima até o Hospital Odilon Behrens, no Bairro São Cristóvão, Região Noroeste de Belo Horizonte, alegando que ela havia sofrido uma queda da escada. No entanto, a extensão e a gravidade dos ferimentos no corpo de Michele, especialmente no rosto, levantaram suspeitas imediatas da equipe médica e dos policiais.

Segundo o delegado Saulo Castro, o grau das lesões aponta para a intenção deliberada de agressão e de feminicídio. "Isso demonstra o dolo na intenção de cometer o crime (...). A investigação tem um prazo de até 10 dias, podendo ser prorrogado. Por ser um crime de natureza hedionda, o Judiciário pode converter o flagrante em prisão preventiva", ressaltou o delegado durante pronunciamento oficial.

Flagrante de drogas no hospital e histórico abusivo

Além das marcas de agressão que fizeram os profissionais de saúde questionarem a versão sobre a queda acidental, o comportamento do sargento no hospital agravou sua situação. Durante as checagens iniciais no local, um tenente da PMMG flagrou Eduardo descartando 18 comprimidos de ecstasy em um dos banheiros da unidade de saúde, o que também resultou no registro de autuação por tráfico de drogas.

Testemunhas e informações preliminares ouvidas pelas autoridades apontam que o casal vivia um relacionamento instável e marcado por contornos abusivos, idas e vindas ao longo de oito anos, além de violência psicológica e moral praticada pelo sargento. Questionada sobre a existência de procedimentos internos passados contra o suspeito na corregedoria, a PMMG informou que ainda não tem esse levantamento.

Em depoimento prestado à polícia, o sargento tentou justificar que o casal realizou uma festa em casa e que ambos consumiram bebidas alcoólicas e substâncias entorpecentes. Eduardo afirmou ainda que, após a saída dos convidados, eles tiveram relações sexuais consensuais e alegou que as práticas íntimas do casal frequentemente envolviam agressões consensuais.

Por meio de nota, a defesa do sargento informou que acompanha o caso e aguarda os laudos periciais e a conclusão das investigações, a fim de evitar “julgamento precipitado”. Segundo o advogado Gustavo Nepomuceno Lopes, como as apurações estão em fase inicial, as autoridades ainda vão esclarecer os fatos.

“A defesa confia no devido processo legal, na imparcialidade das investigações e reafirma que se manifestará oportunamente nos autos, preservando o direito de defesa e o sigilo necessário ao bom andamento do procedimento”, diz o comunicado.

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Quem era a capitã Michele?

A capitã Michele Leão Azevedo ingressou na Polícia Militar de Minas Gerais no ano de 2010, após se formar pelo Curso de Formação de Oficiais. Reconhecida no meio acadêmico e institucional, atuava na área de defesa e segurança pública. Entre 2022 e 2023, Michele concluiu uma pós-graduação no Instituto Federal do Sul de Minas (Ifsuldeminas), na qual defendeu um estudo focado na aplicação da jurisprudência dos Tribunais Superiores dentro da PMMG.

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