Suspeito de matar namorada e forjar acidente na MG-050 vai a júri popular
Preso desde dezembro de 2025, réu será julgado pelo Tribunal do Júri
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O empresário Alison de Araújo Mesquita, de 44 anos, acusado de matar a companheira Henay Rosa Gonçalves Amorim asfixiada e forjar um acidente de carro na MG-050 para encobrir o crime, vai a júri popular. A decisão, da juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, foi divulgada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais nesta segunda-feira (13/7).
Conforme a decisão judicial, a defesa do réu tentou invalidar os exames feitos no corpo da vítima com o argumento de que o corpo foi mexido e transportado por uma empresa particular. Segundo a defesa, isso poderia ter contaminado ou alterado as provas. O advogado ainda pediu a absolvição do acusado ou que Alison respondesse por um crime mais leve.
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No entanto, a juíza rejeitou os pedidos, manteve as provas e decidiu que ele deve ser julgado por feminicídio e fraude. A defesa também queria que o T Cross preto do acusado, utilizado para transportar o corpo da vítima e simular o acidente, apreendido no momento da prisão dele, fosse devolvido. O pedido de restituição do veículo foi negado.
Alison é réu por ter matado a vítima em um apartamento no Bairro Nova Suíça, na Região Oeste de Belo Horizonte, em dezembro de 2025. Segundo as apurações, ele e Henay mantiveram um relacionamento conturbado, permeado por agressões físicas e psicológicas por parte dele e passaram por vários términos e reconciliações, sempre marcadas por uma espiral de violência.
Em audiência de custódia realizada em maio, o réu disse que o sinistro ocorreu devido a uma disputa pelo controle do volante. Ele reforçou que a relação foi marcada por períodos de convivência desde 2012 e a recente assinatura de um termo de compromisso de namoro. De acordo com ele, na véspera do ocorrido, ambos consumiram bebidas alcoólicas e entorpecentes. Eles viajaram para Divinópolis, na Região Centro-Oeste, por volta das 5h da manhã seguinte.
O réu alegou, na audiência de custódia de maio, que o trajeto foi marcado por discussões e agressões mútuas, afirmando que a vítima insistiu em dirigir mesmo apresentando sonolência. Segundo a versão do acusado, o acidente foi resultado de uma disputa física pelo controle do volante. Questionado sobre registros de vídeo que o mostram transportando um objeto pesado, Alison justificou tratar-se de um colchão, que foi retirado do apartamento a pedido da própria vítima por razões de ciúme e, depois, devolvido ao imóvel.
Relembre o caso
Alison foi preso no velório, no dia 15 de dezembro, depois que o perito desconfiou dos ferimentos encontrados no corpo de Henay, que não eram compatíveis com o acidente ocorrido no dia anterior. Os policiais foram até o velório e conversaram com um irmão da vítima, que ajudou na prisão do empresário.
De acordo com a polícia, depois de cometer o crime, o acusado levou o corpo até o interior do veículo, seguindo para Divinópolis. Depois de passar por um pedágio, em Itaúna, o empresário bateu em um ônibus, com o objetivo de simular um acidente.
O relato da funcionária da praça de pedágio acendeu a desconfiança da polícia. Uma filmagem mostra o momento em que Alison está no banco do passageiro do carro e paga o pedágio. No banco do motorista estava Henay, aparentemente desacordada, enquanto Alison dirigia o veículo.
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“Observei a mulher desacordada no banco do motorista, enquanto o companheiro, com lesões aparentes e em estado de nervosismo, conduzia o automóvel a partir do banco do passageiro, recusando ajuda e deixando o local rapidamente”, contou a funcionária em depoimento.