Mais de meia tonelada de explosivos é interceptada em Minas Gerais
Carga perigosa sem documentação foi apreendida em Bom Despacho; material tinha como destino o Nordeste do país
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A Polícia Rodoviária Federal (PRF) interceptou, na noite desta sexta-feira (10), aproximadamente 600 quilos de pólvora clandestina transportados em um caminhão.
A apreensão ocorreu durante uma fiscalização de rotina na BR-262, no município de Bom Despacho, na região Central de Minas Gerais.
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Além do explosivo, distribuído em 40 caixas contendo 14 mil recipientes individuais, o veículo utilizado no transporte e um aparelho celular foram apreendidos pela corporação.
Bom Despacho, cidade onde a carga foi interceptada, é um ponto logístico estratégico, conectando a Região Metropolitana de Belo Horizonte ao Centro-Oeste mineiro e ao Triângulo Mineiro pela BR-262.
O material apreendido, por ser pólvora sem identificação do fabricante ou data de validade, é classificado como explosivo de baixo poder de detonação individual, mas de altíssimo risco coletivo devido ao volume armazenado.
Para se ter uma ideia, 1 kg de pólvora negra gera aproximadamente 300 a 400 litros de gás instantaneamente ao ser queimado, segundo as Recomendações para o Transporte de Produtos Perigosos da ONU. Com 600 kg, seria possível uma expansão súbita de até 240 mil litros de gases superaquecidos.
A recomendação de segurança do órgão para o manuseio de emergência de uma quantidade de pólvora entre 450 kg e 2.250 kg é de 300 metros para pessoas não abrigadas, o que dá uma ideia do poder explosivo do material.
A falta de regulamentação do produto sugere que o item não possui origem industrial rastreável, o que caracteriza o mercado clandestino de insumos controlados.
A destinação para o Nordeste aponta que o material possivelmente seria utilizado na fabricação de fogos de artifício artesanais ou na confecção de explosivos clandestinos para mineração ou pesca, atividades que alimentam mercados ilegais longe dos centros produtores tradicionais.
A quantidade de 600 kg de pólvora, fracionada em 14 mil unidades, indica uma operação de distribuição em nível de atacado, e não de simples varejo.
Quem estava transportando os explosivos?
O motorista, um homem de 31 anos, atuava como transportador da carga — figura comumente identificada no meio policial como "mula", responsável apenas pela movimentação logística do produto ilegal.
O nervosismo e as contradições apresentados durante a abordagem são sinais comuns em transportadores que têm conhecimento da ilicitude do material que conduzem, mas que não compõem, necessariamente, o topo da hierarquia de uma organização criminosa.
“O material, altamente perigoso, estava escondido no baú de um caminhão Volkswagen e distribuído em 40 caixas, totalizando cerca de 14 mil recipientes individuais”, informou a PRF.
Diante da instabilidade química do produto, a corporação seguiu protocolos de segurança rigorosos para evitar riscos de ignição acidental na rodovia.
“O condutor, de 31 anos, confessou que buscou a carga ilegal em Santo Antônio do Monte (MG) e que ela teria como destino final a região Nordeste do país. Ele não possuía a Guia de Tráfego do Exército e nem notas fiscais”, informou a PRF.
Após a apreensão, o material foi mantido sob custódia de uma empresa especializada do setor, sob orientação técnica do Exército Brasileiro, até que sua destruição fosse executada.
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O suspeito foi detido em flagrante e encaminhado à delegacia da Polícia Civil (Depol) em Bom Despacho, onde responderá pelo crime de transporte ilegal de substância explosiva.
Interceptação dos explosivos
- Abordagem: viatura da PRF realiza fiscalização de rotina na BR-262
- Vistoria: policiais encontram 40 caixas suspeitas no interior do caminhão
- Constatação: o material é identificado como 600 kg de pólvora sem nota fiscal
- Confissão: o condutor admite a origem em Santo Antônio do Monte e o destino para o Nordeste
- Apreensão: o explosivo é isolado e encaminhado para empresa especializada sob supervisão do Exército
- Encerramento: suspeito é preso em flagrante e levado à delegacia da Polícia Civil
Cuidados com produtos perigosos no trânsito
- Documentação: transporte de explosivos exige sempre a Guia de Tráfego do Exército Brasileiro
- Identificação: produtos químicos devem possuir rotulagem, fabricante e data de validade clara
- Segurança: o manuseio de grandes volumes de pólvora exige distanciamento mínimo de 300 metros de locais habitados
- Legalidade: notas fiscais são indispensáveis para garantir a procedência industrial rastreável
- Denúncias: transporte clandestino de insumos controlados pode ser reportado ao número 191 da PRF