O subsecretário de Proteção e Defesa Civil de Belo Horizonte, Lucione Menezes Alves, informou que o prédio residencial atingido por uma aeronave de pequeno porte no Bairro Silveira, na Região Nordeste da capital, não corre risco de desabamento. O monomotor bateu no prédio no início da tarde desta segunda-feira (4/5), poucos minutos após decolar do Aeroporto da Pampulha. Três pessoas morreram e duas ficaram feridas.
"Não foram visualizadas anomalias na estrutura do prédio que indiquem a necessidade de interdição. Os moradores foram para as casas de parentes para que possa ocorrer a continuidade do trabalho da perícia. A área está isolada, e a Polícia Militar vai ficar na guarda da edificação até a finalização dos trabalhos", disse o subsecretário.
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No entanto, o retorno dos moradores, conforme aponta Lucione, fica condicionado à recuperação da parte danificada. A aeronave atingiu a área comum do prédio na altura do terceiro e último andar, entre os apartamentos 301 e 302, na parte lateral esquerda. "É preciso fechar aquele buraco, pois ali é onde os moradores passam ao subir as escadas. Então, é preciso ter segurança naquela passagem", ponderou.
Nesse sentido, a responsabilidade primária por todos os danos causados pela queda de uma aeronave é do seu explorador ou proprietário. Para cobrir esses riscos, toda aeronave que opera no Brasil é obrigada pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) a contratar o seguro de Responsabilidade do Explorador ou Transportador Aéreo (Seguro RETA), que cobre danos materiais e pessoais causados a terceiros na superfície.
Investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), chegaram a Belo Horizonte para dar início à investigação. Mais cedo, em nota, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que, na chamada “ação inicial”, os investigadores atuam na coleta de dados, na preservação de evidências, na análise dos danos e no levantamento de informações técnicas que possam contribuir para esclarecer as circunstâncias da queda.
O acidente
O avião, de prefixo PT-EYT, é um modelo EMB-721C, fabricado em 1979, com capacidade para até cinco passageiros, além do piloto. A aeronave havia saído de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, com destino a São Paulo, e fez uma parada no Aeroporto da Pampulha antes de seguir viagem. Na escala em Belo Horizonte, duas passageiras desembarcaram e outra pessoa embarcou, segundo informado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).
Pouco depois da decolagem, registrada às 12h16, o piloto relatou dificuldades para ganhar altitude. Segundo informações da NAV Brasil, responsável pelo controle do espaço aéreo, o comandante chegou a emitir um alerta de emergência (mayday), informando falhas críticas. A torre de controle orientou o retorno imediato ao aeroporto, mas não houve resposta. O último contato indica que o piloto ainda tentava recuperar altura.
A aeronave permaneceu no ar por cerca de cinco minutos antes de colidir contra um prédio na Rua Ilacir Pereira Lima. O avião atingiu a área comum do prédio na altura do terceiro e último andar, entre os apartamentos 301 e 302, na parte lateral esquerda. Parte do avião ficou presa à estrutura, enquanto outros destroços foram lançados para o estacionamento de um supermercado ao lado.
Paralelamente à atuação do Cenipa, a Polícia Civil conduz investigação própria para apurar eventuais responsabilidades e condições do voo. Entre as medidas previstas está a verificação da presença de álcool no organismo do piloto. Até o momento, não há informações confirmadas sobre o abastecimento da aeronave na Pampulha.
A dinâmica do acidente, conforme informações preliminares, aponta para uma sequência rápida de eventos críticos logo após a decolagem. Testemunhas relataram que o avião já apresentava dificuldades ainda nas proximidades da Pampulha. “As informações que temos de uma testemunha é que já no próprio Aeroporto da Pampulha a decolagem já não foi a correta, que estava perdendo altitude aqui na Pampulha”, afirmou a delegada Andréa Pochmann, em coletiva de imprensa.
Quem são os mortos e feridos?
Cinco pessoas estavam a bordo. Duas mortes foram confirmadas no local: a do piloto, Wellinton de Oliveira Pereira, de 34 anos, e a de Fernando Moreira Souto, de 36, filho do prefeito de Jequitinhonha, no Vale do Jequitinhonha, que estava no assento ao lado do piloto.
Dois ocupantes sobreviveram e foram socorridos. São eles Arthur Schaper Berganholi, de 25 anos, e Hemerson Cleiton Almeida Souza, de 53. As vítimas foram encaminhadas ao Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. O pai de Arthur, Leonardo Berganholi Martins, de 50, também estava entre os sobreviventes e havia sido levado para a mesma unidade hospitalar, mas acabou morrendo, conforme confirmou ao Estado de Minas uma pessoa ligada à família.
O avião pertence a Flávio Loureiro Salgueiro e era operado por uma empresa de internet com sede em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri. Segundo a PCMG, a aeronave havia sido adquirida recentemente e ainda estava em processo de transferência.
Apesar do impacto, moradores e pedestres não foram atingidos. Todos os ocupantes do edifício conseguiram deixar o local com segurança. Segundo o Corpo de Bombeiros, a posição em que a aeronave ficou – com a parte frontal encaixada na estrutura do prédio – dificultou o acesso inicial para retirada dos moradores.
Ainda de acordo com a corporação, não houve explosão. O combustível estava concentrado nas asas, que ficaram fora da parte interna do edifício. Mesmo assim, foi aplicada espuma no local como medida preventiva, devido ao forte odor de combustível.
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A área foi isolada pela Polícia Militar (PM) para garantir a segurança e permitir o trabalho das equipes de resgate e investigação. A Polícia Civil realizou os primeiros levantamentos e acionou o rabecão para remoção dos corpos, encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML) Dr. André Roquette.
