Acidentes levaram ao fechamento do Aeroporto Carlos Prates em BH
Entre 2019 e 2023, cinco acidentes ocorreram no Carlos Prates antes da efetivação do fechamento do lugar
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A queda da aeronave nesta segunda-feira (4/5), no Bairro Silveira, na Região Nordeste de Belo Horizonte, ocorre pouco mais de três anos do fechamento do Aeroporto Carlos Prates, localizado no bairro de mesmo nome, na Região Noroeste de Belo Horizonte. O local foi fechado em 1º de abril de 2023, por determinação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em documento assinado em 16 de dezembro de 2022.
Entre 2019 e 2023, cerca de cinco acidentes ocorreram no Aeroporto Carlos Prates. O último resultou na morte do oftalmologista José Luiz de Oliveira Filho, de 60 anos, que chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital.
O homem pilotava o avião ao lado da filha Jéssica Oliveira, de 33. A mulher foi internada em estado grave no Hospital do Pronto-Socorro João XXIII, em BH, e sobreviveu. A aeronave vinha de Abaeté, na Região Central de Minas Gerais, onde a família tem uma fazenda, e caiu antes de chegar ao seu destino final, no Aeroporto Carlos Prates.
Após dois acidentes com vítimas em 2019, o fechamento do aeroporto entrou no radar das autoridades. Em 2020, o então ministro de Infraestrutura, Tarcísio Freitas, chegou a anunciar que seria feito o encerramento das atividades do local no ano seguinte, mas uma série de adiamentos postergou a medida.
A expectativa era de que as atividades fossem encerradas em dezembro de 2022, mas uma portaria estendeu o prazo até maio de 2023, tempo suficiente para que ocorresse mais um acidente.
Na ocasião, os moradores do entorno da Rua Morro da Graça, no no Bairro Jardim Montanhês, relataram ao Estado de Minas a insegurança constante em morar próximo ao terminal. Ana Cláudia Guimarães, que tem residência nas redondezas, temia o vaivém aéreo na região.
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"Isso (os acidentes) acontece direto. Não é a primeira vez. Vivemos esse pesadelo. Temos crianças pequenas. Todo mundo vive aqui há muitos anos. Temos esse medo constantemente", protestou naquele momento.
Vanda Damasceno, outra moradora do entorno do local do acidente, concordou com Cláudia. Ela estava em casa quando foi surpreendida pelos sons causados pela queda. "Foi muito assustador. Já caíram vários aviões aqui."
Aeroporto da Pampulha
O monomotor que caiu nesta segunda-feira (4/5) saiu de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, pousou no Aeroporto da Pampulha, na região homônima, para que duas pessoas desembarcassem e uma pessoa embarcasse. O veículo apresentou instabilidade no ar, perdeu altitude e bateu em um prédio no Bairro Silveira, na Região Nordeste de Belo Horizonte.
Ao todo, cinco pessoas estavam na aeronave, o piloto e um passageiro morreram, outros três estão em estado grave, foram socorridos e levados ao João XXIII.
O prefeito Álvaro Damião (União Brasil) foi questionado e descartou a possibilidade de fechamento do Aeroporto da Pampulha. Em coletiva à tarde ele afirmou que não há possibilidade de interrupção das atividades no terminal, de onde o avião partiu e caiu poucos minutos depois.
“Aproveitam oportunidades como essa para poder falar de fechamento de aeroporto. Enquanto eu for prefeito, ele não será fechado, não existe nenhuma possibilidade de fechar o Aeroporto da Pampulha. Quem vai investigar é o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos da Força Aérea Brasileira), e não é momento para falar sobre abertura ou fechamento por causa de um acidente como este”, afirmou.
Em 2024, um avião da Polícia Federal (PF) caiu no Aeroporto da Pampulha e matou os agentes José de Moraes Neto e Guilherme de Almeida Iber. Ambos faziam parte do Centro de Operações Aerotáticas (Caop), unidade responsável por pilotar as aeronaves da corporação. Os dois morreram na hora.
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A aeronave Cessna 208B caiu logo após decolar, próximo da barragem da Pampulha e da pista de ônibus da Avenida Antônio Carlos. Valter Luiz Martins, de 51, também estava no avião, sobreviveu e foi levado pelo helicóptero da Polícia Rodoviária Federal (PRF) até o João XXIII.