Investigadores do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), chegaram a Belo Horizonte nesta segunda-feira (4/5) para dar início à apuração das causas da queda de um avião de pequeno porte no Bairro Silveira, na Região Nordeste da capital. A aeronave caiu poucos minutos após decolar do Aeroporto da Pampulha, atingindo um prédio residencial e deixando dois mortos e três feridos.

Mais cedo, em nota, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que, na chamada “ação inicial”, os investigadores atuam na coleta de dados, na preservação de evidências, na análise dos danos e no levantamento de informações técnicas que possam contribuir para esclarecer as circunstâncias da queda. 

O avião, de prefixo PT-EYT, é um modelo EMB-721C, fabricado em 1979, com capacidade para até cinco passageiros, além do piloto. A aeronave havia saído de Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, com destino a São Paulo, e fez uma parada no Aeroporto da Pampulha antes de seguir viagem. Na escala em Belo Horizonte, duas passageiras desembarcaram e outra pessoa embarcou, segundo informado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG).

Pouco depois da decolagem, registrada às 12h16, o piloto relatou dificuldades para ganhar altitude. Segundo informações da NAV Brasil, responsável pelo controle do espaço aéreo, o comandante chegou a emitir um alerta de emergência (mayday), informando falhas críticas. A torre de controle orientou o retorno imediato ao aeroporto, mas não houve resposta. O último contato indica que o piloto ainda tentava recuperar altura.

A aeronave permaneceu no ar por cerca de cinco minutos antes de colidir contra um prédio na Rua Ilacir Pereira Lima. O impacto ocorreu entre o terceiro e o quarto andar do edifício. Parte do avião ficou presa à estrutura, enquanto outros destroços foram lançados para o estacionamento de um supermercado ao lado.

Paralelamente à atuação do Cenipa, a Polícia Civil conduz investigação própria para apurar eventuais responsabilidades e condições do voo. Entre as medidas previstas está a verificação da presença de álcool no organismo do piloto. Até o momento, não há informações confirmadas sobre o abastecimento da aeronave na Pampulha.

A dinâmica do acidente, conforme informações preliminares, aponta para uma sequência rápida de eventos críticos logo após a decolagem. Testemunhas relataram que o avião já apresentava dificuldades ainda nas proximidades da Pampulha. “As informações que temos de uma testemunha é que já no próprio Aeroporto da Pampulha a decolagem já não foi a correta, que estava perdendo altitude aqui na Pampulha”, afirmou a delegada Andréa Pochmann, em coletiva de imprensa.

Quem são os mortos e feridos?

Cinco pessoas estavam a bordo. Duas mortes foram confirmadas no local: a do piloto, Wellinton de Oliveira Pereira, de 34 anos, e a de Fernando Moreira Souto, de 36, filho do prefeito de Jequitinhonha, no Vale do Jequitinhonha. Fernando ocupava o assento do copiloto, embora não exercesse essa função. A aeronave, conforme informou a Polícia Civil, não contava com copiloto.

Outros três ocupantes sobreviveram e foram socorridos. São eles Arthur Schater Berganholi, de 25; o pai dele, Leonardo Berganholi Martins, de 50; e Hemerson Cleiton Almeida Souza, de 53. As vítimas foram encaminhadas ao Hospital de Pronto-Socorro João XXIII. Informações iniciais indicam que apresentavam ferimentos graves no momento do resgate.

O avião pertence a Flávio Loureiro Salgueiro e era operado por uma empresa de internet com sede em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri. Segundo a PCMG, a aeronave havia sido adquirida recentemente e ainda estava em processo de transferência.

Apesar do impacto, não houve vítimas entre moradores ou pedestres. Todos os ocupantes do edifício atingido conseguiram deixar o local com segurança. Segundo o Corpo de Bombeiros, a posição em que a aeronave ficou – com a parte frontal encaixada na estrutura do prédio – dificultou o acesso inicial para retirada dos moradores.

Ainda de acordo com a corporação, não houve explosão. O combustível estava concentrado nas asas, que ficaram fora da parte interna do edifício. Mesmo assim, foi aplicada espuma no local como medida preventiva, devido ao forte odor de combustível.

A área foi isolada pela Polícia Militar (PM) para garantir a segurança e permitir o trabalho das equipes de resgate e investigação. A Polícia Civil realizou os primeiros levantamentos e acionou o rabecão para remoção dos corpos, encaminhados ao Instituto Médico-Legal (IML) Dr. André Roquette.

Confira o mapa do acidente e informações sobre a aeronave

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Soraia Piva e Paulo Miranda/EM/D.A.Press

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