‘Humilde e prestativo’: amigos homenageiam motociclista morto no Belvedere
Danilo Marinho, de 25 anos, foi homenageado durante sepultamento nesta segunda (13/4). Segundo a PM, motorista da Ford Ranger apresentava sinais de embriaguez
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Os encontros que antes ocorriam na Praça de Sevilha, em Ribeirão das Neves, na Grande BH, mudaram de endereço na manhã desta segunda-feira (13/4). No lugar do ponto de apoio onde motociclistas de aplicativo aguardavam corridas e fortaleciam a amizade diária, o grupo se reuniu no Cemitério Porto Seguro para o último adeus a Danilo Pereira Marinho, de 25 anos, que morreu na madrugada desse domingo (12/4), após se envolver em um acidente com uma Ford Ranger, no Belvedere, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O motorista da caminhonete foi detido ao apresentar sinais de embriaguez.
Sob forte comoção, um comboio de motociclistas chegou ao cemitério e realizou um cortejo até o túmulo. Em um gesto de despedida, eles aceleraram as motos e buzinavam. A homenagem emocionou familiares e amigos.
O motociclista Victor Mateus explicou como nasceu a união do grupo e o papel da Praça de Sevilha na rotina dos trabalhadores, marcada pela convivência diária entre colegas de profissão que acabaram virando amigos. “Somos um grupo , todo mundo é amigo. Um conhece o outro. Quem não era amigo, passou a ser amigo através da união dos motoqueiros de Neves”, disse .
Victor explica que o grupo mantém um ponto de apoio na Pracinha de Sevilha, onde Danilo também participava. Segundo ele, a relação entre os integrantes já dura mais de três anos e foi se fortalecendo ao longo do tempo.
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Abraço de despedida
A despedida de Danilo Pereira Marinho foi marcada por um fim de semana de celebração entre amigos. O motociclista e amigo de infância Alex Gabriel Rodrigues Silva, de 24, passou os últimos dias ao lado dele e relembra a felicidade do amigo antes da tragédia.
“Na sexta-feira (10/4) foi aniversário dele. Ele foi pra minha casa lá em Justinópolis. A gente estava junto, comemorando. No sábado (11/4), saímos para Ouro Preto, conhecemos vários lugares. Ele estava muito feliz…abracei ele, parecia até uma despedida”, contou.
Segundo Alex, Danilo vivia uma fase de planos e realização pessoal. “Ele me mostrou uma mensagem da esposa dizendo que ela estava muito feliz com ele. O sonho dele era ver ela feliz”, disse. O motoqueiro também lembra que tentou evitar a saída na noite de sexta: “Até falei pra ele não ir, porque a gente estava muito cansado, mas ele foi”.
A rotina de trabalho e a amizade antiga também marcaram o relato. “Eu conheço ele desde criança. A gente sempre ficou junto, jogando bola, conversando até tarde na rua”, afirmou Alex.
Para os colegas de profissão, Danilo era presença constante na rotina nas ruas e figura de confiança no grupo. O motociclista Victor Mateus o descreve como alguém sempre disposto a ajudar. “Ele era uma pessoa muito humilde, prestativa. O que você precisasse, ele ajudava. Trabalhador demais. Às vezes, cinco horas da manhã ele já estava na rua.”
A ligação entre o grupo ia além das corridas. Horas antes do acidente, Danilo circulava no mesmo ritmo de sempre e chegou a procurar o amigo Bruno da Silva Santos, de 30, perguntando se ele iria trabalhar. “Ele me mandou mensagem por volta das 23h, perguntando se eu ia rodar. A gente sempre fazia isso junto”, conta.
Bruno relata que, naquele dia, acabou não saindo para trabalhar após presenciar um acidente na BR 040, envolvendo outro motociclista de aplicativo. A cena, segundo ele, o abalou. “Eu ia trabalhar, mas não fui porque vi um acidente na 040. Era um moto Uber no chão. Aquilo mexeu comigo”, disse.
Mesmo assim, os planos entre os amigos seguiam para o dia seguinte, como parte da rotina que compartilhavam fora do trabalho. “A gente ia para o jogo do Cruzeiro no Mineirão. Ele falou que ia almoçar na mãe dele e depois a gente ia para jogo”, lembra Bruno.
Ele destaca que a convivência era frequente e marcada por parceria. “Ele sempre rodava de madrugada, principalmente sexta e sábado. A gente fazia isso sempre junto”.
O acidente
Danilo Pereira Marinho morreu após se envolver em um acidente na madrugada desse domingo (12/4), no Bairro Belvedere, na Região Centro-Sul de BH. Ele trabalhava como motociclista de aplicativo. Segundo a Polícia Militar, a vítima bateu em uma Ford Ranger Raptor, na rodovia MGC-356. O motorista da caminhonete de luxo, de 45 anos, foi detido ao apresentar sinais de embriaguez.
Danilo transportava um adolescente de 16 anos, que estava na garupa. O menor ficou gravemente ferido e foi socorrido pelo Samu ao Hospital João 23.
O motorista da caminhonete, segundo a PM, apresentava hálito etílico, fala alterada e dificuldade de equilíbrio. Ele se recusou a fazer o teste do bafômetro e foi preso em flagrante.
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A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) ratificou a prisão no domingo à noite. O caso é investigado como homicídio culposo na direção de veículo automotor, com agravante de influência de álcool.