CRUELDADE

'Tinha que morrer essa desgraça', diz mãe do bebê morto pelo padrasto em BH

Vizinhos do casal relataram que a criança passava fome e ficava desesperada ao ver alguém comendo. O irmão do bebê, de 4 anos, também era vítima de maus-tratos

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A mãe do bebê de 1 ano e oito meses, brutalmente espancado e morto nessa segunda-feira (6/4), em Belo Horizonte, foi presa nesta quinta (9/4) após a perícia descobrir que a criança era vítima de agressões constantes do padrasto dele. Segundo a Polícia Civil (PCMG), a mulher teria sido conivente com o companheiro.

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De acordo com registro da PCMG, a mãe disse que "tinha que morrer mesmo essa desgraça", referindo-se ao filho. 

Vizinhos do casal relataram que a criança passava fome e ficava desesperada ao ver alguém comendo. O irmão do bebê, de 4 anos, também era vítima de maus-tratos e passava longos períodos sem frequentar a escola. A mulher teria dito ainda que sofria agressões do companheiro.

O delegado Matheus Moraes Marques, da Delegacia Especializada em Homicídios de Belo Horizonte, declarou que a calma e a indiferença da mãe em relação à morte do filho geraram surpresa nos militares. 

Tráfico

A polícia informou ainda que, devido ao histórico de agressões, o casal foi expulso do Bairro Cabana do Pai Tomás, na Região Oeste de Belo Horizonte, por causa de tráfico de drogas. O padrasto chegou a pedir autorização do delegado para fugir para São Paulo, por estar sofrendo ameaças de morte.

"Por mais que seja uma situação absurda prender uma mãe que pariu no dia anterior, ela não tinha preocupação nenhuma com os filhos", disse o oficial.

O menino de 4 anos e o irmão mais novo, recém-nascido, estão sob cuidados do Conselho Tutelar. O homem e a mulher passarão por uma audiência de custódia onde vai ser decidido se continuarão presos ou ficarão livres até julgamento. O suspeito será indiciado por homicídio, e a mãe, por maus-tratos.

Morte

A perícia do Instituto Médico Legal (IML) constatou que a criança sofreu lesões no tórax e na cabeça, gerando hemorragia interna, na segunda-feira. A mãe estava em trabalho de parto no mesmo dia da morte do bebê de 1 ano e oito meses. 

Na coletiva concedida à imprensa na tarde desta quinta-feira, o delegado Matheus Moraes Marques relatou que o padrasto teria deixado a residência para comprar cocaína na segunda-feira. Em seguida, retornou à residência. E, logo depois, pediu a um parente, que reside no mesmo lote que o casal, que cuidasse do bebê, sem encostar nele, e saiu novamente.

Ainda segundo informações do delegado, o agressor ficou 15 minutos no quarto com o bebê, após retornar pela segunda vez, e, depois de ver que ele estava engasgando com o próprio vômito, o levou até uma base da Polícia Militar (PMMG).

Os militares realizaram uma manobra de ressuscitação, mas não tiveram êxito. A criança foi levada, então, para a UPA Oeste. Ao chegar ao local, a temperatura corporal indicava que a criança havia morrido há mais de uma hora, segundo os médicos.

De acordo com o delegado, foi encontrado um vasto histórico de denúncias anônimas em relação aos maus-tratos contra o bebê e o irmão mais velho, de 4 anos. O oficial declarou que eles já eram acompanhados pelo Conselho Tutelar e por uma ONG governamental. 

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*Estagiária sob supervisão do subeditor Gabriel Felice

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