Defensoras da causa animal e amigas de Renato Duarte, que morreu soterrado em um desabamento de imóvel no Bairro Jardim Vitória, Região Nordeste de BH, estão à procura de um lar para alguns dos cachorros que ele cuidava. Renatinho, como era conhecido, resgatava animais de rua e foi uma das vítimas do desmoronamento do imóvel em que morava no dia 5 de março. No mesmo local, funcionava a Casa de Repouso Pró-Vida, da qual ele era dono junto com o pai. O acidente também provocou a morte de 11 idosos residentes. Familiares de Renatinho sobreviveram.
Segundo Érica Alves, seis cães estão disponíveis para adoção. Dona do Animorzinho Banho e Tosa, localizado na mesma rua do imóvel que desabou, ela está ajudando a cuidar dos animais neste momento. Érica contou que tem levado ração para os cachorros, que haviam sido adotados por Renatinho.
Sâmia Nunes, de 31 anos, viúva de Renatinho, contou, em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, que o marido era apaixonado por animais e sempre trazia um novo cachorro. À reportagem, ela afirmou que gostaria de poder ficar com todos os cães, mas que não tem condições por estar morando com a mãe e ter perdido a fonte de renda. Sâmia tinha um espaço de estética que funcionava no mesmo imóvel da casa dela e do asilo.
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A viúva conversou com a reportagem do Estado de Minas nessa sexta-feira (27/3), mas solicitou que a entrevista não fosse gravada nem fotografada.
Veja os cachorros disponíveis para adoção
Amigão: sem raça definida, porte médio
Boakal: sharpei, porte médio
Zeus: mestiço pastor alemão, porte médio
Todinho: sem raça definida, porte grande
Duke: sem raça definida, porte médio
Angelina: pitbull, porte médio (castrada, com cerca de 4 anos)
Como adotar?
Interessados devem entrar em contato com Érica Alves pelo número (31) 99555-7061.
O desabamento
Na madrugada de 5 de março, o imóvel onde funcionavam uma casa de repouso para idosos, uma academia e um espaço de estética, além de residências, desabou. A tragédia provocou a morte de Renatinho e 11 idosos residentes, além de um cachorro, conforme repassado pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) no dia do desmoronamento.
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No local, também estavam Sâmia e a filha do casal, de 2 anos, e os pais de Renatinho. Segundo a viúva, uma cuidadora estava junto dos idosos no momento do desabamento e ela conseguiu se salvar. Outros idosos também saíram com vida.
Até o momento, Sâmia afirma que não recebeu retorno das autoridades sobre o motivo do desabamento. A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) investiga o caso.
Momentos de desespero
“Acordei, foi uma sensação. Não sei se ouvi algo ou se senti tremer. Dei três passos, estava indo encontrar o Renatinho, que estava em outro quarto. Decidi voltar para pegar a Laura (filha de 2 anos). Coloquei os braços para pegá-la e tudo começou a cair”, contou Sâmia, que foi uma das sobreviventes.
A viúva relatou que não se lembra ao certo de quanto tempo ficou presa nos escombros, acredita que foram cerca de duas horas, visto que o desabamento teria ocorrido por volta de 1h30. Sâmia contou que gritou por socorro e chegou a ouvir alguns dos idosos gritando, mas não teve sinal do marido. Ela afirmou que não viu as vítimas. "Foi desesperador", disse.
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Quando o desabamento ocorreu, Sâmia estava abraçada à filha, que foi retirada com ajuda de um vizinho, conforme relatou. Ela contou que conseguiu proteger a filha com o próprio corpo. "Depois que a Laura saiu, fiquei mais tranquila", afirmou. Além das pernas presas, que ainda apresentam hematomas, Sâmia foi atingida na cabeça e precisou levar quatro pontos.
Ela contou que, depois de ser resgatada, foi levada ao Hospital Metropolitano Odilon Behrens, onde descobriu que o companheiro, conhecido como Renatinho, havia morrido. Segundo Sâmia, eles estavam juntos há seis anos. "Achava que ele ia sair com vida", afirmou.
Sâmia disse que a filha tem sido sua motivação para ser forte. Ela também perdeu os equipamentos de trabalho e todos os pertences. "Tudo meu está embaixo da terra", afirmou. A viúva contou que está fazendo acompanhamento psicológico e, junto da filha, tem ficado na casa da mãe. Além disso, afirmou que recebeu muito suporte e tem vivido com itens doados, inclusive as roupas que estava vestindo. Enquanto conversava com a reportagem, várias pessoas que passavam na rua paravam para abraçar Sâmia e perguntar sobre a filha dela.
Futuro do imóvel
"Para cá eu não volto", disse a viúva. Sâmia afirmou que seria muito difícil voltar a viver onde construiu tantas memórias. Segundo ela, havia cerca de quatro anos que se mudou para o imóvel para morar com Renatinho. Ela conta que a filha tinha uma ligação muito forte com os idosos residentes da casa de repouso e que chamava todos eles de "vovô" e "vovó".
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Atualmente, a área do imóvel está totalmente isolada e ainda com os destroços do ocorrido, que trazem para o bairro um clima triste, como contou Luciana Lira, de 53, cuja casa fica aos fundos do terreno. Ela afirma que era a construção que movimentava a região, com pessoas que frequentavam a academia ou visitavam os idosos.
