Nas portas de lojas, casas e nas ruas o domingo (22/3) em Belo Horizonte foi de trabalho pesado para remover lama e lixo trazidos pelas enxurradas formadas pelas chuvas da noite anterior.

Mas tudo sob clima de desânimo, com o calor e mormaço lembrando que acima as núvens escuras prometiam mais chuvas, suspeita confirmado por alerta da Defesa Civil de BH.

Segundo o alerta, Belo Horizonte pode enfrentar pancadas de chuva (20 a 40 mm) com raios e rajadas de vento em torno de 50 km/h até as 8h, de segunda-feira (23/03).

O locais com mais estragos foram no entorno das avenidas Silviano Brandão (Nordeste-Leste) e Mem de Sá (Leste), vias que seguem cursos de córregos canalizados no fundo de vales com bairros mais altos, de onde a água da chuva desceu formando cachoeiras.

Nestes locais, os trabalhos pesados se davam em meio à dúvida de mais chuvas caírem e trazerem de volta as enxurradas.

Na Avenida Silviano Brandão o Córrego da Mata encheu invadindo lojas e residências em seu curso da Avenida Cristiano Machado até a foz no Ribeirão Arrudas, na Avenida dos Andradas.

"A água desceu pela avenida e invadiu a loja. Chegou a três palmos dos freezers e encheu de lama até os fundos na área de dispensa, depósito e escritório. Os donos passaram a noite e a madrugada limpando, a gente organizou, mas parece que vem mais chuva. Será que vai acontecer tudo de novo?", indagou a atendente de sorveteria Geise Gomes.

Vias como a Rua General Carneiro se tornaram cachoeiras arrancando parte do asfalto e levando detritos para a Silviano Brandão

Mateus Parreiras/EM/D.A.Press

Qual o estrago na Avenida Silviano Brandão?

Nos 3 quilômetros de extensão da via, nada menos do que 36 bueiros estavam completamente tapados por detritos, galhos, ramos, folhas e lixo, o que certamente foi agravado pelas corredeiras de água das chuvas, mas ao mesmo tempo as tornou ainda mais volumosas ao não permitir que a drenagem funcionasse adequadamente.

Os passeios, pistas, cruzamentos e canteiros ainda tinham poças remanescentes dos rios nos quais aquelas vias se transformaram. Onde o sol forte já secou, a umidade se tornou mormaço e um forte odor de esgoto lembrava de onde vieram as águas que inundaram as ruas e a avenida.

Água e lama das enxurradas chegaram a tr~es palmos de altura em sorveteria na Avenda Silviano Brandão

Mateus Parreiras/EM/D.A.Press

No cruzamento com a Rua General Carneiro, boa parte do asfalto acabou sendo removida pela força da água, que expôs o antigo calçamento em paralelepípedo, sendo que em alguns pontos os sulcos foram tão profundos que escavaram até o solo.

Os detritos cobriam várias grelhas das bocas de lobo, nas sargetas, nas partes mais baixas da avenida, deixando os bueiros assoreados com pedras, terra, lixo, garrafas PET, restos de comida, embalagens e outros resíduos.

Dona de bar, Maria Cândida Bitencourt afirma que lixo deixado nas ruas ajuda a entopir as drenagens e a inundar a Avenida Silviano Brandão com as chuvas

Mateus Parreiras/EM/D.A.Press

"A força da água desce arrastando tudo, traz pedras, lama e o lixo que as pessoas deixam de qualquer jeito nas esquinas, mesmo sabendo que não vai ter coleta. Por isso que entopem os bueiros e enche de água a própria casa deles", critica a dona de um bar aberto a 31 anos na avenida, Maria Bitencourt, de 79 anos.

Na esquina da Rua Conselheiro Lafaiete, um grande buraco também se abriu. Os resíduos repousam sobre as áreas mais baixas, cobriram todos os bueiros na área de cruzamento com a Avenida Silviano Brandão.

Ali próximo, na confluência com a Avenida Flávio dos Santos, a Silviano Brandão se tornou um curso de águas com correnteza tão forte que até a vegetação dos canteiros acabou tombada.

Foi nessa área mais baixa, na altura das ruas Pitangui e Conselheiro Rocha onde uma mulher ainda não identificada acabou morrendo arrastada pelas águas.

Limpeza de lojas e de residências na Avenida Silviano Brandão ocorreu sob desconfiança de novas enxurradas

Mateus Parreiras/EM/D.A.Press

Pessoas que limpavam as lojas e outras frequentadoras do intenso comércio do Bairro Horto durante a manhã de domingo não souberam dizer quem seria a vítima.

Justamente neste local os garis e trabalhadores da Prefeitura de Belo Horizonte estava empenhados para raspar e recolher a lama que tampava o asfalto dessas vias. Os bueiros também precisaram ser abertos, com os detritos que os entupiam escavados, colhidos e depejados em carrinhos de mão.

Um caminhão-tanque com mangueira de alta potência jateava a drenagem entupida sob o viaduto da linha férrea para desobstruir os detritos depositados pelas fortes enxurradas.

Na região Centro-Sul, vários galhos e troncos de árvores caíram interrompendo vias de fluxo intenso como as avenidas Afonso Pena e Getúlio Vargas.

Árvores caíram e interditaram parte das pistas da Avenida Getúlio Vargas, no Bairro Funcionários

Leandro Couri/EM/D.A.Press
 

Depois de serradas pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), a lenha, galhos e folhas ficaram depositadas nos cantos e até nas pistas da direita à espera do recolhimento pela PBH.

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Semáforos de vias importantes também estavam em flash em diversos pontos, alguns deles de fluxo intenso, como entre as avenidas Silviano Brandão e dos Andradas, e Rua Professor Morais com Avenida Afonso Pena.

Prevenção e cuidados durante as chuvas

  • Evite trafegar em áreas inundadas: o nível da água pode subir rapidamente
  • Não estacione sob árvores: o risco de queda é alto durante ventanias
  • Limpeza de calhas e bueiros: mantenha a frente de sua casa livre de lixo
  • Atenção ao solo: rachaduras em muros ou encostas indicam perigo
  • Desconecte aparelhos eletrônicos: previne danos por surtos de energia
  • Procure abrigo seguro: evite estruturas metálicas ou árvores isoladas
  • Não nade em enxurradas: a água pode estar contaminada ou esconder buracos
  • Respeite as interdições: jamais fure bloqueios da Defesa Civil ou BHTrans
  • Mantenha kits de emergência: lanternas e pilhas devem estar acessíveis
  • Acione ajuda: ligue para o 193 ou 199 em caso de emergência

Impactos dos temporais em BH

  • Obstrução de bueiros: resíduos sólidos impedem o escoamento da água
  • Rompimento de asfalto: a força das correntes expõe o solo e calçamentos antigos
  • Invasão de comércios: prejuízos materiais atingem estoques e equipamentos
  • Queda de árvores: galhos e troncos interrompem o tráfego em grandes avenidas
  • Riscos à saúde: o contato com lama e esgoto pode transmitir doenças
  • Sinalização: semáforos em pane complicam o fluxo de veículos
  • Alerta geológico: a umidade excessiva aumenta o risco de deslizamentos
  • Perda de vidas: enxurradas podem levar pessoas como ocorreu no Horto, em BH
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