Amigos e vizinhos acompanharam, nesta sexta-feira (6/3), o "resgate" de uma boneca entre os escombros da Casa de Repouso Pró-Vida, que desabou na madrugada de quinta-feira, no bairro Jardim Vitória, na Região Nordeste de Belo Horizonte. O brinquedo pertence à filha de dois anos de Renato Duarte Terrinha Ramos, conhecido como Renatinho, uma das vítimas da tragédia. Ele era filho do dono do imóvel onde funcionava o lar de idosos. A esposa dele, de 31 anos, e a filha pequena foram retiradas dos escombros com vida. Doze pessoas morreram na tragédia. A última vítima, uma idosa de 77 anos, foi localizada por volta das 6h desta sexta-feira. Cerca de uma hora depois, os militares conseguiram retirar o corpo, encerrando oficialmente as buscas por desaparecidos.

Durante o trabalho de retirada de objetos entre os escombros, a boneca foi encontrada pelo Corpo de Bombeiros entre os destroços e separada com cuidado, num cantinho, como uma lembrança para a criança. Amigos e vizinhos avistaram a boneca da filha de Renatinho. Para quem acompanhava a cena, o brinquedo simboliza uma lembrança da casa que desabou.

A vizinha e amiga da família, Jakeline Lopes, contou que decidiu guardar o objeto para entregar à menina no futuro. “É difícil até explicar, mas foi como um resgate. Acho que é um mimo, um afago para quem perdeu tudo”, disse.

Segundo ela, uma enfermeira do Samu relatou que, ao chegar ao hospital, a criança comentou que a casa havia caído e que tudo tinha quebrado.

“Quando ela encontrar esse brinquedo, vai ter pelo menos uma lembrança do que ela teve naquela casa. Vai lembrar do carinho de quem deu”, afirmou.

Jakeline também agradeceu aos bombeiros pela forma cuidadosa como o objeto foi retirado dos destroços. “Eles tiveram muita delicadeza de tirar a boneca dos escombros e deixar ali”, contou.

Renatinho era bastante conhecido na região e, segundo moradores, tinha uma relação próxima com a comunidade. Amigos relatam que ele era alegre, torcedor fanático do Atlético e muito dedicado aos idosos que viviam no lar.

O sonho de manter o espaço, segundo pessoas próximas, surgiu a partir da convivência com a avó dele, que chegou a completar 100 anos. A partir disso, ele passou a se dedicar ao cuidado com idosos e ajudou a manter a casa de repouso junto com a família.

A amiga Eliane Martins lembra que ele demonstrava preocupação com os idosos mesmo durante o desabamento. Ela relatou que, enquanto ainda estava preso nos escombros, ele pediu que outras pessoas fossem socorridas antes dele.

“A primeira coisa que ele gritou foi: ‘Salva meu pai, salva minha esposa, salva minha filha. Tira todos os idosos primeiro e me deixa por último’”, contou.

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Renatinho deixa a esposa e a filha de 2 anos. O velório e o enterro devem ocorrer no Cemitério Parque Terra Santa, em Sabará (MG), na Região Metropolitana de Belo Horizonte, os horários ainda não foram divulgados pela família.

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