Duas pessoas foram presas em flagrante na manhã desta quarta-feira (4/3) em operação que visa desarticular uma organização criminosa suspeita de participação em homicídios ocorridos recentemente na região de Viçosa (MG), na Zona da Mata. Entre os assassinatos, está a execução de um detento dentro das dependências da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) de Viçosa em setembro do ano passado. 

A Operação Arlequina II foi deflagrada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), da 4ª Promotoria de Justiça de Viçosa e da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).

Além das duas prisões em flagrante, foram cumpridos nesta manhã um mandado de busca e apreensão e um de prisão preventiva, segundo o MPMG. Foram apreendidos artefatos explosivos, munições, um revólver calibre .38, uma espingarda calibre .20, uma capa de colete, uma balança digital e quatro aparelhos celulares, “entre outros materiais de interesse às investigações”, conforme divulgou o Ministério Público. 

Primeira fase 

Na primeira fase da Operação Arlequina, realizada em 25 de setembro do ano passado, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão, sete mandados de prisão preventiva e um mandado de interdição de um imóvel utilizado pela facção para fins criminosos nos municípios de Viçosa e Cajuri (MG), também na Zona da Mata.  

O MPMG também informou que, durante a ação, a líder do grupo criminoso “reagiu à abordagem policial e acabou falecendo em decorrência do confronto". Não foram dados mais detalhes sobre a morte dela. A ação tinha como objetivo capturar a mulher, que era considerada a principal traficante da região de Viçosa, e seu grupo. 

Execução na Apac

A organização criminosa alvo da operação é suspeita de estar envolvida na execução de um detento de 37 anos que estava em uma unidade da Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) em Viçosa. O crime ocorreu no dia 22 de setembro. 

Na ocasião, o registro policial informou que dois homens chegaram à Apac dentro de um veículo clonado modelo Gol na cor branca. Quando um funcionário da unidade abriu as portas para os recuperandos saírem para trabalhar, os suspeitos o abordaram. Os autores entraram na unidade e ameaçaram o funcionário para os levar até a cela. 

Na cela, onde havia 11 recuperandos, um dos suspeitos chamou o detento pelo nome, mas não obteve resposta. Ao vasculhar pelo espaço, localizou o indivíduo que procurava e atirou nele, que estava na cama. Em seguida, o outro homem também foi até a vítima e desferiu mais tiros contra ela. 

De acordo com o registro policial, os disparos foram realizados com armas de calibre 9 mm e .45. Não foram informados quantos tiros atingiram o homem. Depois da execução, os autores do crime retornaram ao veículo e fugiram. 

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O boletim de ocorrência da PMMG informa ainda que uma funcionária da Apac relatou que a vítima havia recebido autorização para realizar trabalho externo, mas após um mês de exercício, pediu para ficar recluso porque estava sofrendo ameaças. Ela disse ainda que o homem se recusou a dizer quem era o autor das ameaças e não quis fazer registro policial. 

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