A Prefeitura de Belo Horizonte deu início a uma nova etapa para a preservação de um dos maiores ícones culturais da capital mineira. Foi publicado no Diário Oficial do Município, o edital que abre o processo de licitação para a ampla restauração do Museu de Arte da Pampulha (MAP), integrante do conjunto arquitetônico da Pampulha, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e referência nacional em artes visuais.
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A intervenção prevista é considerada a mais abrangente já realizada no edifício desde sua inauguração como museu, em 1957. O projeto contempla a recuperação arquitetônica e estrutural do prédio, a modernização das instalações prediais e a implantação de soluções de acessibilidade, além de adequações museológicas e funcionais. Também estão previstas melhorias nos sistemas de iluminação e climatização especializados, atualização dos dispositivos de segurança, nova comunicação visual, intervenções paisagísticas e requalificação do entorno imediato.
Com investimento máximo estimado em mais de R$ 29 milhões para o restauro e pouco mais de R$ 10 milhões para novas obras vinculadas ao espaço, totalizando R$ 40 milhões, os recursos são oriundos do Fundo de Proteção do Patrimônio Cultural do Município e das medidas compensatórias da Secretaria Municipal de Cultura, vinculados à Secretaria Municipal de Cultura. A licitação será realizada na modalidade de concorrência eletrônica (SMOBI 1/2026-CC), com julgamento pelo maior desconto linear e regime de empreitada por preço unitário.
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As propostas devem ser enviadas exclusivamente por meio do Portal de Compras do Estado de Minas Gerais até às 13h59 do dia 9 de abril de 2026. A abertura das propostas e a fase de lances ocorrerão na mesma data, a partir das 14h. A empresa vencedora terá prazo máximo de 810 dias corridos, contados a partir da emissão da Ordem de Serviço, para concluir as obras, que serão fiscalizadas pela Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap).
Viva Pampulha: restauro com participação do público
Durante o período de obras, o MAP não deixará de dialogar com a população. Será implantado um espaço dedicado à mediação cultural e educativa, aberto à visitação pública e a grupos escolares e universitários. A proposta inclui uma exposição permanente sobre a história e a arquitetura do edifício, com plantas, fotografias, maquetes, vídeos e uma linha do tempo detalhando sua trajetória.
Ao Estado de Minas, a diretora de Museus da Fundação Municipal de Cultura, Isabela Guerra, explica sobre essa importância: “Houve uma demanda da própria população para a observação da restauração desse prédio histórico que faz parte da cultura de Minas Gerais. Assim, todos podem ver de perto o que será feito".
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“Não é apenas uma reforma, é uma restauração completa. Com a criação de novos espaços e tratamento do prédio do museu, a iniciativa integra o Projeto Transformador Viva Pampulha e busca aproximar a sociedade do processo de preservação do patrimônio histórico”, explica. “Tudo isso acontece um ano antes dos 70 anos do museu”.
O público também poderá acompanhar de perto o andamento da restauração por meio de um observatório instalado no local, além de participar de oficinas e ateliês temáticos voltados à educação patrimonial.
O museu integra o Conjunto Moderno da Pampulha, reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. O conjunto é um dos marcos da arquitetura moderna brasileira e desempenha papel central na identidade urbana e turística da capital.
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Além da restauração do edifício histórico, o projeto prevê a criação do Núcleo de Pesquisa e Documentação, que abrigará uma reserva técnica de padrão internacional, o Centro de Documentação e Pesquisa, biblioteca e núcleos voltados à pesquisa e às ações educativas. “A ampliação visa fortalecer a atuação acadêmica e formativa do museu, consolidando-o como uma das principais instituições de artes visuais do país”, comenta Isabela.
Ícone da arquitetura moderna
Projetado originalmente para funcionar como cassino, o edifício foi concebido em 1940, durante a gestão do então prefeito Juscelino Kubitschek, como peça-chave do projeto urbanístico da Pampulha. Implantado em terreno elevado, o prédio traduz de forma exemplar os princípios da arquitetura moderna difundidos por Le Corbusier, como a estrutura independente em concreto, planta livre e fachadas moduladas.
As amplas superfícies envidraçadas garantem integração entre os ambientes internos e a paisagem externa - característica marcante do conjunto. O volume prismático principal, sustentado por pilotis, apresenta rampas que conectam os pavimentos e mantém elementos originais como paredes revestidas de ônix, colunas em aço inoxidável e espelhos de cristal belga. Ao bloco principal soma-se o corpo curvo e translúcido que abriga o antigo grill-room, atual auditório.
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Transformado em museu em 1957, o MAP construiu um acervo expressivo de arte moderna e contemporânea, além de desenvolver programas que contribuíram para a formação de artistas brasileiros de projeção internacional.
