A Polícia Civil e a Polícia Militar de Minas Gerais atuam de forma ostensiva em Juiz de Fora (MG) e Ubá (MG), na Zona da Mata, de forma a evitar que iniciativas de má-fé lucrem com doações e preservar as pessoas que já são vítimas das chuvas e se encontram desalojadas e abrigadas a serem vítimas novamente de novas ocorrências, como roubos e furtos.

Segundo o chefe do 4º Departamento de Polícia Civil em Juiz de Fora, o delegado-geral Eurico da Cunha Neto, a corporação está monitorando possíveis golpes de doação promovidos para arrecadar fundos para a cidade, mas que não tem a destinação comprovada.

"A gente orienta a população que não faça Pix se não conhecer exatamente para onde o dinheiro está indo. Nós temos canais governamentais seguros, as pessoas também conhecem instituições sérias, mas infelizmente algumas pessoas vão se aproveitar pra poder lucrar com isso, e a gente pede que a população fique de olho e tome cuidado", afirmou.

A declaração foi feita em coletiva de imprensa, realizada na 4ª Região Integrada de Segurança Pública (4ª RISP) de Juiz de Fora, na manhã deste domingo (1º/3). Segundo ele, a Central de Inteligência da corporação já monitora os possíveis casos.

De acordo com o delegado-geral, o monitoramento de possíveis golpes é uma de três frentes do trabalho da corporação na região, que também conta com a liberação de corpos no Instituto Médico-Legal (IML) e a emissão de documentos para pessoas que perderam itens pessoais. Segundo Eurico Neto, o primeiro mutirão já contabilizou 135 carteiras de identidade emitidas.

Cadela Flecha, de 1 ano e 9 meses, reforça quarto dia de buscas em Juiz e Fora Túlio Santos/EM/DA Press
Quarto dia de busca por desaparecidos conta com ajuda de colaboradores, bombeiros, cães e militares do Exército Túlio Santos/EM/DA Press
Quarto dia de busca por desaparecidos conta com ajuda de colaboradores, bombeiros, cães e militares do Exército Túlio Santos/EM/DA Press
Quarto dia de busca por desaparecidos conta com ajuda de colaboradores, bombeiros, cães e militares do Exército Túlio Santos/EM/DA Press
Quarto dia de busca por desaparecidos conta com ajuda de colaboradores, bombeiros, cães e militares do Exército Túlio Santos/EM/DA Press
Condutor de cães, cabo Cristiano Couto, do Corpo de Bombeiros Militar de Uberaba (MG) Túlio Santos/EM/DA Press
Bairro paineiras foi um dos mais atingidos na tragédia de Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira Túlio Santos/EM/DA Press
Rua do Carmelo, no Bairro Paineiras, em Juiz de Fora (MG) Túlio Santos/EM/DA Press
Josiane Aparecida Teodoro do Nascimento, de 43 anos, espera encontrar o primo de 9 anos que está desaparecido Túlio Santos/EM/DA Press

Proteção de patrimônio

Na mesma linha, a Polícia Militar trabalha com policiamento, de forma a garantir dignidade para a população afetada. Segundo o comandante da 4ª Região da Polícia Militar, coronel Lúcio Ferreira da Silva Neto, o foco da corporação é “proteger o patrimônio daqueles que foram vítimas, para que não sejam novamente vitimados”.

Com isso, o comandante afirmou que o policiamento foi reforçado em abrigos, de forma a “garantir tranquilidade nesses locais”, além de um patrulhamento ostensivo nas vias públicas “para que a cidade volte à sua normalidade, dentro do possível”.

De acordo com o comandante Lúcio Neto, a corporação recebeu mais de 200 chamados para ocorrências que não são típicas da Polícia Militar nos últimos dias e os militares das equipes atuaram arriscando a vida para salvar as pessoas neste cenário de crise.

Ele ainda afirmou que a incidência de furtos caiu 58% em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, a análise do dado deve levar em consideração que o período anterior não tinha o contexto de calamidade pública.

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Desde a última segunda-feira (23), a Defesa Civil de Juiz de Fora registrou mais 2.666 ocorrências em decorrência da chuva que atinge o município. Conforme o último balanço da prefeitura municipal, mais de 8.584 pessoas estão desalojadas e desabrigadas. Em Ubá, o número de desabrigados chega a 25, com 396 desalojados, segundo o Corpo de Bombeiros. Ao todo, 72 pessoas, com idades entre 2 e 79 anos, morreram nas cidades.

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