Com lixo espalhado e mato alto, Praça JK é um cenário de abandono
Em 2023 uma empresa ganhou a licitação para realizar obras de revitalização das praças JK e Carioca, mas o contrato foi encerrado antes de qualquer intervenção
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Há um ano, em março de 2025, o Estado de Minas visitou o Parque Municipal Juscelino Kubitschek, mais conhecido como Praça JK, na divisa entre o bairro Sion e a Vila Acaba Mundo, na Região Centro-Sul de BH e descreveu os vários problemas encontrados na área. Em março deste ano a reportagem voltou ao local e encontrou a praça na mesma situação.
Logo ao chegar, a equipe deu de cara com uma pilha de lixo: grandes sacos pretos e uma quantidade considerável de copos descartáveis. Uma moradora da região que não quis se identificar disse que a situação é recorrente, mas não soube dizer quem tem deixado a sujeira ali. Contou, ainda, que o caminhão da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) recolhe o lixo quando passa pelo bairro.
Seguindo praça adentro, veem-se rachaduras na pista de caminhada, assim como raízes estufando o calçamento. O gramado na área central estava aparado mas, ao redor, o mato alto toma conta.
Ana Cristina Drummond Pires, psicóloga de 53 anos, caminha todos os dias na praça com sua cadela. Ela conta que já chegou a tropeçar na calçada, devido ao estado da via. “Eu acho que está mal cuidada, tinha que ter mais manutenção. A grama está mal cuidada e tem muito lixo jogado. Às vezes não tiram o lixo das lixeiras”, diz.
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O cabeleireiro Arthur Moreira costuma visitar a praça com o filho de quatro anos. Para ele, a infraestrutura da praça é muito boa e os brinquedos, no geral, costumam estar limpos e bem cuidados. Apontou que apenas o balanço precisa de manutenção no momento.
“Aos fins de semana é muito bom, tem muitas crianças. Têm um espaço para pets que ajuda, porque algumas crianças têm medo. Sempre pode melhorar, mas sempre tentam manter a praça limpa. O pessoal vem para limpar principalmente na segunda-feira, porque o fim de semana costuma ser bem agitado”, conta Moreira.
Ao Estado de Minas, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) informou que a Praça JK é limpa quatro vezes por dia, de segunda a sábado, e lavada três vezes por semana. A capina das vias é feita cinco vezes ao ano.
Já a Praça Carioca, ao lado da Praça JK, estava em pior estado de conservação: grama sem cortar, passeios malcuidados e a placa que identifica o local descascando.
A última revitalização do Parque Juscelino Kubitschek foi em 2019 e teve reforma da quadra de futebol de areia, o aumento da altura dos alambrados de proteção e a reforma de pisos da pista de caminhada.
Reforma em stand by
Em 2023, a PBH divulgou um edital para contratação de serviço especializado para elaboração de estudos e projetos para a reforma e manutenção do Parque JK e Praça Carioca. A Câmara Municipal chegou a divulgar que o projeto contemplaria a reforma do piso, cercamento dos dois playgrounds, melhoria na acessibilidade, drenagem da quadra e construção de arquibancadas. Porém, a obra que duraria um ano nunca saiu do papel.
A vencedora da licitação, a empresa Reforma Fit Construção e Reformas Ltda, assinou contrato de R$300.304,83 no dia 05 de dezembro de 2023. Entretanto, de acordo com a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), o contrato foi encerrado no dia 28 de março de 2025 “em virtude de rescisão unilateral em conformidade com o Processo Administrativo para Apuração de Responsabilidades e Aplicação de Sanções (PASS)”.
Segundo o Diário Oficial do Município (DOM) do dia 19 de agosto de 2025, a empresa deixou de cumprir prazos e obrigações contratuais conforme estipulado no edital, levando a prefeitura a estipular o pagamento de multas que, somadas, chegam a R$13.327,51. A PBH não informou se a multa já foi paga.
Sobre o futuro dos locais, a PBH afirmou que um novo projeto será desenvolvido internamente e a licitação de obras para reforma e manutenção da Praça JK e da Praça Carioca está prevista para ser publicada no 1º semestre de 2027.
O Estado de Minas tentou entrar em contato com a Reforma Fit Construção e Reformas Ltda, mas não obteve resposta.
Polêmica na implantação do parcão
Não é a primeira vez que a PBH enfrenta desafios para execução de obras na Praça JK. Em outubro de 2025 o Estado de Minas mostrou que as obras para a construção de um espaço para animais domésticos, também conhecido como Parcão, demoraram mais que o previsto.
A justificativa oficial para a prorrogação revela que, após a emissão da Ordem de Serviço, a empresa GPA Construções e Empreendimentos LDTA atrasou o início da execução das obras. O documento aponta ainda que a construtora tentou a rescisão unilateral do vínculo, o que impactou diretamente o cronograma previsto para a entrega do equipamento público.
Hoje o parcão está em funcionamento mas já é possível ver que a grama está gasta em quase toda a área, os brinquedos instalados são escassos e o bebedouro não funciona desde a inauguração. Há relatos de vandalismo e de que o portão já foi quebrado em uma ocasião.
“Para eles fazerem aquele parcão, só cercar e colocar aqueles negocinhos ali, demorou seis meses. Uma coisa tão simples para tanto tempo. Começaram a colocar grama e pararam”, aponta Ana Cristina Pires.
Dúvidas sobre a obra
Diante do imbróglio, os frequentadores receiam que as praças sigam sem manutenção. É o caso de Júlio Gomes Almeida Cunha, 69 anos, que vai à praça todos os dias com o cachorro, Chico.
“A gente fica na esperança de ter uma melhora. Era para a obra ser feita há uns dois anos atrás. Vieram muitos vereadores e o pessoal da Prefeitura para olhar a praça, pedindo opinião e, de repente, todo mundo sumiu. Fizeram um espaço para cães mas, infelizmente está muito abandonado”, lembra Cunha. Ele ainda reclama dos bebedouros, que recorrentemente são danificados: “Eles consertam as bicas d’água, aí o povo destrói”.
Eriberto Magalhães Nunes, de 70 anos, mora no Sion há um ano e meio e costuma caminhar tanto na Praça JK quanto na Avenida Bandeirantes. Ele receia que, caso a reforma seja aprovada, o espaço fique fechado além do prazo divulgado, como aconteceu com a Praça do Papa, que está fechada há dois anos e com entrega atrasada há oito meses.
“Eu já ouvi falar que iam fazer uma reforma aqui, mas até agora ela não apareceu. Hoje eu estou em dúvida se eu quero que ela apareça. Eu tenho receio deles fecharem igual fecharam a Praça do Papa e a praça no Gutierrez e estão fechadas até hoje. A Avenida Augusto de Lima também, eles quebraram o passeio e ficou daquele jeito, não dão prosseguimento, outro dia até tropecei em uma pedra lá”, opina Nunes.
Ao ser procurada, a PBH informou que a Praça Dom Bosco, localizada no bairro Gutierrez, Região Oeste da capital, teve sua revitalização iniciada em novembro de 2025, com previsão de conclusão no 2º semestre deste ano. O projeto contempla a implantação de acessibilidade em todos os platôs da praça, melhorias no sistema de drenagem e a revitalização dos pisos existentes, assim como a restauração dos equipamentos já instalados e a criação de novos espaços de convivência e lazer para a população e para pets.
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Já a Praça Leonardo Gutierrez, no mesmo bairro, teve parte do piso danificado pela queda de uma árvore que atingiu, também, a rede de esgoto da Copasa. Após intervenção da concessionária, a recomposição do paisagismo será realizada pela Prefeitura. O executivo informou ainda que a praça passou por obras de revitalização em 2020.