EDUCAÇÃO 

‘Queremos nos aproximar da sociedade’, afirma reitor da UFMG sobre desafios

Alessandro Fernandes Moreira fala dos desafios a serem enfrentados durante seu mandato à frente da instituição; ele foi empossado no cargo, em 19 de março

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O novo reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Alessandro Fernandes Moreira, avalia que um dos principais desafios de sua gestão é trabalhar formações transversais tanto na graduação, quanto na pós-graduação, a fim de contribuir para a solução de demandas específicas da sociedade. Isso, segundo ele, vai fazer com que a universidade se aproxime da sociedade. Moreira foi empossado no cargo em 19 de março e permanece até 2030. 

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Além dos desafios à frente da instituição, o reitor abordou, em entrevista exclusiva ao Estado de Minas, os planos da UFMG para o centenário, a ser comemorado em 7 de setembro de 2027, um novo câmpus em Betim, repasse de verbas do Ministério da Educação e políticas de permanência para os alunos. Moreira ainda fez uma avaliação do primeiro ano do processo seletivo seriado para ingresso na instituição, as obras do Centro Nacional de Vacinas, a possibilidade do fim do ensino em tempo integral do Centro Pedagógico da UFMG e do funcionamento do bandejão aos fins de semana. Confira os principais trechos da entrevista: 


Centenário da UFMG


O reitor vai estar à frente da instituição no ano de seu centenário e diz que as comemorações estão sendo planejadas há algum tempo.  “O objetivo é mostrar que a universidade é da sociedade. De Belo Horizonte, do estado de Minas, do Brasil. Viemos de um ciclo de palestras e seminários. Fizemos uma homenagem a 50 ex-alunos no hall da reitoria. São pessoas de destaque na sociedade que se formaram aqui. Isso dá um tom do que queremos para o centenário. É uma universidade de todos nós. O fio condutor será este. Queremos as pessoas presentes em nosso centenário. Será uma festa da população de Belo Horizonte, de Minas. O mais importante é estabelecer esse contato com a sociedade mineira e brasileira, da importância de uma universidade pública para o desenvolvimento social e econômico do país.”


Câmpus em Betim


Na semana passada, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) anunciou que avançou nas articulações para a implantação de um novo câmpus em Betim, na Grande BH.  O reitor explica que a demanda partiu do Ministério da Educação, após uma provocação da prefeitura da cidade. 

“É um momento muito favorável. A Prefeitura de Betim entra com toda a infraestrutura, o MEC com dotação orçamentária, recursos humanos, e a universidade, com a sua expertise de construir uma nova unidade acadêmica, em uma região populosa. Estamos no momento de trabalhar esse projeto na instituição. Vejo com muito bons olhos, acho uma grande oportunidade. Algumas reformas estruturais precisam ser feitas no local, área doada para a prefeitura, que passará a UFMG para a construção do câmpus. A universidade vai trabalhar a proposta pedagógica. É um projeto em construção. Se der tudo certo, em 2028, com certeza, teremos ofertas de vaga.”

O local indicado para o câmpus é o antigo Clube dos Metalúrgicos (Fiat Clube). O espaço reúne ginásio (com capacidade para mais de 5 mil pessoas), salão de eventos (que comporta 2 mil pessoas), quadras, piscinas e edificações que podem ser adaptadas para uso acadêmico. Serão oferecidos cursos nas áreas de tecnologia e esportes. 

Repasse de verbas 


Também na semana passada, o Ministério da Educação anunciou o repasse de R$ 400 milhões para universidades federais de todo o país. O montante é adicional ao orçamento de custeio das instituições aprovado para 2026. O reitor explicou como os repasses vão funcionar.  “São editais, e as universidades apresentam seus projetos. À medida que forem sendo aprovados, o repasse será feito. Com exceção da permanência estudantil. Nesse caso não é projeto, é recurso orçamentário mesmo, adicional para as políticas de permanência. Não temos noção do recurso que será repassado ainda porque será em forma de chamadas. Tem chamadas de curso na área de inteligência artificial, outras relacionadas ao cuidado. Chamados de cuidoteca, são voltados para estudantes que são pais ou mãe solo. Tem chamada na área de inovação e empreendedorismo, de extensão universitária.”


Situação orçamentária


O reitor avalia que a situação orçamentária da universidade melhorou, mas ainda não é a ideal. “Nunca vamos ter o orçamento que desejamos. É sempre um trabalho contínuo. Estamos em situação melhor do que estávamos na época da pandemia. Há um reequilíbrio, mas sempre precisamos de um pouco mais, principalmente na questão da permanência estudantil, nos projetos acadêmicos. Precisamos fortalecer a área do fomento. Passa também pela questão da pesquisa, do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior). É todo um conjunto de esforços, feito nos últimos anos, de uma recomposição que atende uma situação, mas ainda é crítica. Não é um 'voo de cruzeiro', mas bem melhor do que estávamos há alguns anos.” 



Políticas de permanência 


Na cerimônia de posse, o reitor falou sobre a necessidade de fortalecer as políticas de permanência estudantil e o acolhimento aos alunos na instituição. Nesta entrevista, ele detalha as iniciativas.  “A UFMG é uma instituição que tem maturidade na sua política de permanência. Ela se desenvolve em várias linhas: moradia universitária, auxílio-moradia, restaurante universitário. Temos ainda linhas de apoio, material acadêmico, auxílio odontológico e de saúde em geral. É um trabalho que tem sido feito há anos. Existe a Fundação Universitária Mendes Pimentel (Fump) da UFMG para a política de permanência. O que falta é o dinheiro. As pessoas que entram aqui precisam ter sua permanência estudantil.  

Quando falo da permanência, não são somente essas questões que passam pelo orçamento. O que tem que ser ajustado é: o estudante que entra e quanto precisamos para mantê-los. Essa é a equação que tem que ser feita. Quando falo de permanência é uma permanência qualificada. Esse é um ponto que na nossa gestão, queremos inovar. Como, nos nossos processos formativos, a permanência é também estabelecida. Nos projetos pedagógicos, de iniciação científica, de extensão.”


Segundo ele, um ponto importante no fortalecimento da permanência estudantil é o protagonismo do estudante neste processo. “Quando trazemos o estudante para que também seja agente do seu processo formativo, o incluímos. Fazemos o pertencimento do estudante nesse processo. Isso tem que ser refletido também nos projetos pedagógicos dos cursos. Esse é um trabalho que tem que ser fortalecido e pretendemos fortalecer: abrir espaço nos processos formativos para o protagonismo estudantil.”


Evasão 


“É sempre preocupante em qualquer universidade. Mas existe uma outra questão importante: o que é evasão? Temos mobilidade interna também. Sair de um curso para outro. Fui professor de primeiro período por muitos anos. Posso falar com segurança sobre a maturidade das pessoas que vão chegando na universidade.

Por isso temos pensado na questão de troncos comuns, ou seja, existe uma área básica de ingresso, depois o estudante decide sua especialidade. Isso é muito importante. Precisamos minimizar a evasão com projetos de formação mais flexíveis, que se adequem mais à realidade do estudante, tendo políticas de permanência para fazer com que o estudante permaneça na instituição.”


Desafios


“Temos desafios importantes. Do ponto de vista da visibilidade da universidade, acho que precisamos trabalhar mais formações transversais. Os cursos têm suas formações bem específicas, mas podemos criar conjuntos coerentes de atividades acadêmicas que ultrapassam aquela formação específica. Somos maduros em formações transversais. Tem vários cursos: inovação e empreendedorismo, diversidade, sexualidade, acessibilidade e inclusão. Acho que precisamos fortalecer e também trabalhar isso na pós-graduação e com a sociedade. Esse é um grande desafio. Queremos nos aproximar da sociedade.”


O reitor dá o exemplo da mobilidade em Belo Horizonte. “É um problema com muitas variáveis. Como podemos resolver a questão? Como a universidade se coloca? Acho que esse é um desafio importante para trabalharmos. Como podemos ficar antenados aos problemas da sociedade. Trabalhar a transversalidade nas nossas formações de graduação e de pós, vai nos permitir pensar, de forma um pouco mais sistêmica, em resolver uma demanda específica da sociedade.” 


Vestibular seriado

Nossa avaliação é que foi um grande sucesso. Tivemos baixa desistência dos estudantes que se inscreveram. O que nos coloca uma grande responsabilidade, pois projeta um maior número de candidatos a fazer o processo seletivo. 

Os desafios que apareceram em relação à primeira etapa do primeiro ciclo são questões mais voltadas para logística a que temos de estar atentos. Vislumbramos ampliar para mais cidades de Minas, mas isso ainda está em fase de discussão. Isso também se conecta com a questão da permanência. É mais uma alternativa ao ingresso na universidade. Precisamos criar alternativas. Se só tem uma alternativa, você exclui. Se cria várias, você inclui um maior número de pessoas.” 


Centro Nacional de Vacinas


Em 16 de março foram inauguradas as obras da primeira etapa do Centro Nacional de Vacinas (CNVacinas), que está sendo erguido no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC). O reitor comenta os próximos passos.  “Temos ainda etapas a serem feitas. Acredito que dentro de mais um ano, um ano e meio, ele estará pronto. As etapas do processo da vacina – a última fase – tramitam na Anvisa.  É uma questão de autorização para darmos continuidade aos processos clínicos da vacina. O cenário é muito positivo para que, em 2028, talvez já tenhamos a SpiN-Tec no nosso braço.” 


Centro pedagógico 


A possibilidade do fim do ensino em tempo integral do Centro Pedagógico da UFMG é uma preocupação para pais e familiares dos alunos. Uma reunião, marcada para abril, vai discutir o problema. “Sei que essa questão é muito delicada. Mas, as pessoas têm que compreender que a responsabilidade da universidade é com a qualidade dos cursos oferecidos pela UFMG. É isso que está em discussão. Isso passa por orçamento também, pela qualidade do ensino e pelo trabalho dos próprios docentes que atuam no centro pedagógico. Além da questão da inclusão. Como todos sabem, temos estudantes que são pessoas com deficiência, então isso também pressupõe uma atuação da universidade. O ensino integral era um projeto-piloto, que tinha de ser avaliado anos atrás. Não foi, mas está sendo agora. A universidade é muito responsável nos processos formativos que executa aqui. 


Nada foi decidido. O assunto que está tramitando no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEP), continua. Nossa visão é o coletivo. Nosso Colégio de Aplicação é referência para a sociedade. Queremos entregar um bom trabalho. Hoje, o ensino integral tem tido dificuldades orçamentárias, a questão do profissional de apoio, uma série de outras questões. Foi feita uma comissão, tramitou internamente no Centro Pedagógico, eles têm um direcionamento. Agora cabe ao CEP, que é o Conselho Superior, discutir esse assunto e definir o que vamos fazer.”


Bandejão aos fins de semana 


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“A questão do restaurante passa também por uma responsabilidade. Para abrir um restaurante tem um custo. E quanto menos refeições, maior o custo. Essa é uma equação que tem que ser muito bem avaliada. Os estudantes têm que compreender que precisamos buscar uma alternativa ao não funcionamento do restaurante. É uma política que vale para todos. É um problema complexo para atender um público específico: quem está aqui no entorno e talvez a moradia universitária. Estamos falando de um público de cerca de 2mil, 3 mil pessoas. Isso pressupõe, talvez, uma política orçamentária de que não vamos dar conta. Cabe à instituição buscar alternativas para a questão da alimentação nos finais de semana.”

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