Mortes no Ceresp Gameleira levam sindicato a pedir interdição da unidade
Pesídio da Região Oeste registra quatro óbitos em menos de 20 dias; sindicato aponta superlotação e falta de efetivo como fatores que pressionam o sistema
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A sequência de mortes no Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp) Gameleira, na Região Oeste de Belo Horizonte (MG), levou o Sindicato dos Policiais Penais de Minas Gerais (Sindppen-MG) a pedir a interdição da unidade. O pedido foi feito após a quarta morte registrada em menos de 20 dias no presídio.
O caso mais recente ocorreu na manhã de sábado (14/3), quando um detento de 49 anos foi encontrado morto dentro de uma cela. Policiais penais, acionados para verificar a situação na cela onde estava Nilson Lemes Carvalho, encontraram o preso deitado e sem sinais vitais.
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O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado imediatamente, mas os profissionais apenas puderam confirmar a morte. Segundo a Sejusp, a direção da unidade instaurou um procedimento administrativo para apurar o caso. Os detentos que dividiam a cela com Nilson deverão ser ouvidos durante a investigação, enquanto a apuração criminal ficará sob responsabilidade da Polícia Civil de Minas Gerais.
Nilson Lemes Carvalho havia sido admitido no Ceresp Gameleira no dia 7 de março deste ano. Conforme a secretaria, ele já tinha uma passagem anterior pelo sistema prisional entre 28 de setembro e 4 de outubro de 2014, quando foi liberado após a Justiça conceder um alvará de soltura.
A morte ocorreu cerca de duas semanas após outros três detentos também terem sido encontrados mortos na unidade, em um intervalo de dois dias.
O primeiro caso foi registrado na manhã de 26 de fevereiro, quando um preso de 39 anos procurou atendimento após relatar dores no corpo. Ele foi levado ao setor de saúde da unidade e medicado. Durante os preparativos para ser encaminhado a um hospital da rede pública, perdeu os sentidos e caiu. Mesmo socorrido, ele acabou morrendo.
Ainda no mesmo dia, outro detento, de 42 anos, que tinha acompanhamento médico desde que havia chegado ao Ceresp no início de fevereiro, passou mal na cela. Policiais penais e a equipe de saúde foram acionados, mas, quando chegaram ao local, ele já estava sem sinais vitais. Segundo a secretaria, não foram identificados indícios de agressão no corpo.
O terceiro caso ocorreu na noite do dia seguinte. Policiais penais foram acionados após um detento de 26 anos ser encontrado caído no chão da cela. O Samu foi chamado e confirmou a morte no local.
O presidente do Sindppen-MG, Jean Otoni, afirma que a situação da unidade é preocupante e aponta os fatores que impactam o funcionamento do presídio. “O que acontece no Gameleira é uma situação que já vem sendo apontada há algum tempo. Além da superlotação, existe também um número reduzido de policiais penais, o que acaba dificultando a prestação de alguns serviços dentro da unidade”, afirmou.
Segundo ele, a falta de servidores interfere em atividades rotineiras do presídio. “O trânsito interno e os atendimentos dependem da atuação dos policiais penais. Quando o efetivo é pequeno, isso pode gerar dificuldades na rotina da unidade”, disse.
De acordo com o sindicato, o Ceresp Gameleira foi projetado para abrigar entre 500 e 600 presos, mas tem atualmente um número muito maior. “A unidade foi planejada para um número bem menor de pessoas. Hoje há quase 1.900 presos. Em alguns plantões, o número de policiais penais é limitado para atender todas as demandas da unidade”, afirmou Otoni.
Para o sindicato, a interdição seria uma forma de chamar atenção para a situação estrutural da unidade. “A proposta de interdição é para que haja uma avaliação mais ampla das condições do presídio e das medidas necessárias para melhorar o funcionamento da unidade”, disse.
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Segundo ele, o sindicato defende que o Estado discuta soluções para o sistema prisional e que haja diálogo e atenção para a situação das unidades prisionais, considerando tanto a segurança quanto as condições de trabalho dos servidores e o atendimento às pessoas custodiadas.