"Não é a primeira nem vai ser a última", diz irmã de mulher morta a facadas
O enterro foi marcado por protesto com pedidos de "Basta!" para a violência contra mulheres
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Foi enterrado na tarde desta segunda-feira (9/3) o corpo de Mariana Camila de Oliveira Santos, de 30 anos, morta na noite desse domingo (8/3), no Bairro Baronesa, em Santa Luzia, Região Metropolitana de Belo Horizonte. O companheiro, e principal suspeito do crime, foi preso nesta manhã. O velório e o sepultamento ocorreram na Capela Amor do Cemitério Belo Vale, Bairro Belo Vale, em Santa Luzia.
Com cartazes escrito “Basta!” e camisetas estampadas com o rosto da vítima, amigos e familiares pedem por justiça e o fim da violência contra mulheres.
Claudia Márcia é amiga de toda a família de Mariana e a conhecia desde a infância. Ela relembra o dia internacional da mulher que ocorreu nesse domingo (8/3) e aponta que a data que deveria ser marcada por celebrações, será lembrada como mais uma tragédia.
“Mais uma mulher, onde vamos parar?”, indaga. “Daqui a pouco nós não teremos nenhuma mulher no mundo, por causa dessa violência. Precisamos dar um basta nisso“, finaliza Claudia.
Coroas de flores brancas foram usadas para homenagear Mariana. A irmã da vítima, Letícia do Santos, usava uma camiseta em homenagem a Mariana e relembra com carinho os sorrisos que ela distribuía.
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“Mariana era uma pessoa alegre, uma pessoa que vivia sorrindo”, diz. “Por mais que ela passasse momentos difíceis dentro de casa, na rua ela distribuía sorrisos”, aponta Letícia.
Além de pedir justiça pela irmã, ela enfatiza os pedidos de basta estampados nos cartazes, que clamam o fim da violência contra mulheres.
“Mariana não é a primeira nem vai ser a última. Tá todo mundo cansado de uma justiça que não faz nada. Se o juiz achar que cabe soltar ele amanhã, ele vai ser solto”, diz. “Ele matou a minha irmã e tirou a mãe de três crianças. Estou com a minha sobrinha desconsolada falando que ‘não sabe viver sem a mãe’. Ele não matou só a Mariana, matou cada um que está aqui, o pedacinho de cada um que está aqui morreu junto com ela”, finaliza a Letícia.
No decorrer do cortejo, o pai de Mariana, Ronaldo Santos, tomou a frente e fez gritos com pedidos de justiça pela filha. O trajeto foi feito ao som de "Pra todas as mulheres", da cantora Mariana Nolasco, canção que homenageia e relembra o alto índice de feminicídios no Brasil.
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Suspeito foi preso
A Polícia Civil (PC) divulgou no início da tarde desta segunda que o companheiro, de 36 anos, e principal suspeito do crime foi preso pela Polícia Militar de Minas Gerais.
Segundo a PC, o homem foi conduzido e ouvido por meio da Delegacia Especializada em Investigação de Homicídios do município, onde teve o flagrante ratificado pelo crime de feminicídio.
Ainda segundo a corporação, também foi feita a conversão da prisão para preventiva. O suspeito foi encaminhado ao sistema prisional e fica à disposição da Justiça.
O crime
A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) foi acionada por volta das 5h30 para uma ocorrência em uma residência na Rua China, no Bairro Baronesa. Encontraram Mariana no quarto do casal, desacordada e com vários ferimentos pelo corpo, incluindo um corte profundo no pescoço.
Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) também foram chamadas e confirmaram a morte da vítima. A perícia da Polícia Civil constatou que a mulher apresentava mais de 30 perfurações feitas por faca.
Três filhos da vítima estavam na casa no momento do crime: um menino de 10 anos, uma menina de oito anos, ambos frutos de um relacionamento anterior e uma criança de cinco anos, filha do suspeito. Conforme a polícia, o filho mais velho presenciou o ataque, ligou para o 190 e correu até a casa de um vizinho para pedir ajuda.
(Com informações de Quéren Hapuque)
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*Estagiário sob supervisão da subeditora Juliana Lima