Familiares relatam a angústia na espera por notícias das vítimas
Lar de idosos desabou na madrugada desta quinta-feira (5/3), no Bairro Jardim Vitória, na Região Nordeste da capital — seis mortes foram confirmadas
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Familiares das vítimas do lar de idosos que desabou na madrugada desta quinta-feira (5/3), no bairro Jardim Vitória, Região Nordeste de Belo Horizonte (MG), seguem aguardando notícias. Uma mesa com água, café e alimentos foi montada em uma rua perto do local do desabamento.
De acordo com os bombeiros, a edificação tinha três pavimentos, além do térreo, onde funcionava uma clínica de bronzeamento. No primeiro ficava a casa de repouso Pró-Vida ficava; a residência do proprietário, acima, no segundo andar. No terceiro, funcionava a academia Studio Pro Gym Fitness.
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No local, havia 29 pessoas no momento do acidente às 1h30 — nove conseguiram sair por conta própria antes da chega dos militares. Às 13h, o balanço oficial do Corpo de Bombeiros era de seis mortes, oito pessoas resgatadas — incluindo dois idosos de 86 e 65 anos, uma idosa de 90, uma mulher de 31 e uma menina de 2 — e seis soterradas.
Dos seis mortos até o momento, quatro são idosos — uma mulher de 87 anos e três homens de 68, dois de 78 e outro que não teve a idade revelada — e a sexta vítima é Renatinho, filho do dono do lar de idosos e proprietário da academia.
O olhar de desespero toma conta do semblante de quem acompanha os trabalhos do Corpo de Bombeiros (CBMMG).
“Eu estou muito triste, minha mãe é tudo na minha vida, a minha pedra preciosa”, conta o motorista José Maria Mendes da Cruz, de 63 anos. A mãe dele, Argentina Mendes da Cruz, de 88 anos, morava no quarto mais ao fundo do imóvel. Ela ainda não foi localizada.
“Eu estou muito abalado, a gente não sabe o que está acontecendo. É muito chocante para mim e para todos aqui que estão”, declara Cruz. “Eu sabia que eu ia perder a minha mãe um dia, mas não em uma tragédia tão terrível quanto esta”, completa.
Em meio à angústia de não saber o estado de saúde da mãe, ele relata que estava trabalhando quando ficou sabendo do desabamento. Um colega ligou e disse para ele ir urgentemente até o lar, onde chegou por volta de 10h.
“Eu ouvi o relato no rádio do ônibus que eu trabalho mas não dei muita importância. A gente nunca acha que vai acontecer com parente seu”, reflete.
Alair Gomes, de 63 anos, também espera notícias da mãe, Alice Pereira, de 88 anos, que vai fazer aniversário em maio. Ele conta que estava pensando em retirar a mãe e entrou com a papelada semana passada. “O valor era de R$ 3200, eu pagava metade da mensalidade, pesava no bolso”, conta.
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Ele diz que tentou cuidar da mãe em casa, mas estava sofrendo com ansiedade e preferiu deixar ela na Casa de Repouso Pró-Vida. Bastante emocionado, ele aguarda notícias dos bombeiros: “Não sei o que fazer. Tenho esperanças que vão encontrar minha mãe com vida”.