DESABAMENTO DE ASILO

Lar de idosos passou por obra em 2025 e era construção de 'alto risco'

Imóvel teve intervenções recentes inclusive no último pavimento e pelo porte demanda até projeto de bombeiros que foi aprovado

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O lar de idosos Pró-Vita que desabou nesta quinta-feira (05/03) em Belo Horizonte (MG) é considerado de porte de alto risco, demandando projetos específicos. A edificação ocupava uma área útil de 350 metros quadrados (m²), e tinha espaço construído de 1.200 m² (3,4 vezes a mais) descritos em quatro pavimentos, segundo publicidade da empresa.

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Entre fevereiro de 2025 e agosto do mesmo ano, o imóvel na Rua Soldado Mário Neto, no Bairro Jardim Vitória, na Região Nordeste, passou por intervenções e reformas, sobretudo com alterações no pavimento superior.

A reportagem procurou a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para saber se as intervenções tinham alvará, mas ainda não foi respondida. 

A distribuição de quatro pavimentos e o aproveitamento de 300 m² por nível configuram o imóvel como um edifício de médio porte, o que demanda um Projeto Técnico (PT) submetido aos militares. Tais características o classificam em nível de risco III (alto risco em escala de I a III), conforme a classificação de porte da Instrução Técnica 01 do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG).

A instrução classifica "edificação e espaço destinado ao uso coletivo" como nível de risco III quando apresentarem espaços destinados ao uso coletivo com área total superior a 930 m². O PT deve ser apresentado para análise e, após a aprovação e execução, é submetido à vistoria para fins de emissão de Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).

De acordo com as informações do CBMMG, 29 pessoas estavam na Casa de Repouso Pró-Vida quando desabou. Pelo menos quatro morreram e várias estão feridas, ainda sob os escombros. As resgatadas com vida foram para o Hospital Odilon Behrens e a UPA Nordeste.

O asilo foi fundado em novembro de 2013 e é uma microempresa com sociedade empresária ativa de razão social Centro de Convivência Para Idosos Pró-Vida LTDA.

Trata-se de um complexo de imóveis entre as ruas Soldado Mário Neto e Cabo Marcos de Almeida, onde funcionavam também uma academia, clínica de estética e residência dos proprietários, segundo informações da corporação.

Renato Duarte Terrinha Ramos, filho do dono do asilo, era o proprietário da academia do último andar, a Studio Pro Gym Fitness. Ele foi encontrado morto nos escombros.

Em fevereiro de 2025, o pavimento superior era fechado em telhado plano de alvenara desgastada, amarelada e possuía uma edificação de fundos mais alta de telhas escuras. A superfície se encontrava desorganizada, com materiais espalhados que pareciam detritos de construção ou materiais de obra (blocos, madeira, entulho etc).

Apenas cinco meses depois essa área foi reformada e ampliada por uma nova e definida estrutura de laje plana e cinzenta que sugere impermeabilização para constituir um solário - pátio elevado e descoberto. Duas novas edificações com telhados claros foram erguidas ao lado da antiga estrutura de telhas escuras, tudo isso se somando ao peso suportado pelos pilares da edificação.

A apresentação do lar de idosos descreve uma área de 1.200 m² com espaços de convivência e lazer, incluindo jardim, pátio para banho de sol, oratório e refeitório.

As acomodações consistiam em suítes com capacidade para um a quatro leitos, equipadas com banheiros adaptados para a acessibilidade dos moradores.

Funcionando como residência permanente ou temporária, o local oferecia também a modalidade de "Casa Dia", em que o idoso passava apenas parte do dia na unidade.

Local do desabamento do lar de idosos no Bairro Jardim Vitória, Região Nordeste de BH
Local do desabamento do lar de idosos no Bairro Jardim Vitória, Região Nordeste de BH Reprodução/Google Earth
 

Segundo o empreendimento, o atendimento era prestado por uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e cuidadores.

O complexo ocupava a porção sudoeste do quarteirão, em um morro com 10 metros de desnível entre a Rua Cabo Marcos de Almeida, onde funcionavam a academia e a residência, e a parte mais baixa, onde estavam o lar de idosos e uma garagem de operação técnica.

Quais eram as dimensões do lar de idosos?

Em termos de área (não de área construída), o complexo tinha 850 m², sendo cerca de 350 m² do lar de idosos. Ou seja, o espaço construído, de 1.200 m², era quase 3,5 vezes maior que a área do lote onde estava localizado.

O local se encontra a 6.650 metros da cabeceira leste do Aeroporto da Pampulha, entre a rodovia BR-381 e o Rio das Velhas, no limite com Sabará, e por isso o sobrevoo de drones e aeronaves é restrito.

O próprio Corpo de Bombeiros requisitou que não se levantem voos de drones enquanto o resgate das vítimas prossegue, devido à possibilidade de interferência com os rádios das equipes que trabalham entre os escombros.

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A residência funcionava de maneira integrada ao complexo, em estrutura que agora passa por perícia técnica para identificar as causas da falha estrutural.

Resumo da estrutura do complexo atingido

  • Área do terreno: aproximadamente 850 m²
  • Área construída total: cerca de 1.200 m² distribuídos em quatro pavimentos (350 m² de construção do lar de idosos)
  • Serviços oferecidos: lar de idosos, residência, academia e clínica de estética
  • Localização geográfica: região de desnível acentuado com cerca de 10 metros entre os acessos
  • Capacidade das suítes: acomodações para grupos de um a quatro moradores por unidade

Documentação e exigências para lares de idosos

  • Projeto técnico: submetido ao Corpo de Bombeiros para análise de risco e segurança contra incêndio e pânico
  • Alvará de funcionamento: documento emitido pela prefeitura que atesta a viabilidade da atividade no local
  • AVCB: auto de vistoria que comprova a execução das medidas de segurança aprovadas
  • Vigilância sanitária: fiscalização regular de higiene, acessibilidade e equipe técnica
  • Responsabilidade técnica: anotação junto ao conselho profissional para reformas e manutenção estrutural

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