ZONA DA MATA

Chuvas extremas: o que os governos Zema e Lula prometeram para atingidos?

Somente Juiz de Fora contabiliza 72 mortes e 653 desabrigados — ou seja, pessoas que perderam sua casa ou não podem retornar a ela

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Além das 72 mortes, Juiz de Fora (MG) contabiliza 653 desabrigados — ou seja, pessoas que perderam sua casa ou não podem retornar a ela e, por isso, necessitam de abrigo fornecido pelo poder público. Conforme atualizado pela assessoria do Executivo Municipal na tarde desta terça-feira (3/3), treze escolas municipais estão funcionando como moradias temporárias para essas famílias. A cidade ainda registra 7.931 desalojados. Essas pessoas estão em casas de parentes e amigos. 

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Nessa toada, os governos de Minas e federal anunciaram uma série de ações e investimentos em municípios da Zona da Mata impactados pelas chuvas. Em Ubá, os temporais recentes deixaram um rastro de destruição. Um vídeo gravado por uma câmera de vigilância registrou o momento exato em que um prédio inteiro desabou na Avenida Cristiano Roças, no Centro comercial do município.

Ubá contabiliza 24 desabrigados e 4.480 desalojados. Uma pessoa ainda está desaparecida. Já Matias Barbosa registra 96 pessoas desabrigadas e outras 604 desalojadas. Os número foram atualizados nesta terça pelo Corpo de Bombeiros, com base no repasse de informações da Defesa Civil de cada cidade. 

Antecipação de verbas do governo de Minas

No último dia 24 de fevereiro, em coletiva de imprensa com a presença do governador Romeu Zema (Novo) e do vice-governador Mateus Simões (PSD), foi anunciada a antecipação de verbas. Serão cerca de R$ 38,8 milhões destinados a Juiz de Fora, aproximadamente R$ 8,3 milhões a Ubá e R$ 566 mil a Matias Barbosa.

Segundo o governo de Minas, os valores são referentes a “repasses para custeio hospitalar, antecipação das parcelas do acordo da dívida do governo com os municípios de gestões anteriores, recursos da Atenção Primária à Saúde, apoio emergencial e reforço do elenco complementar de medicamentos.”

O governo disse também que vai instalar um hospital de campanha em Ubá e reconstruir as quatro pontes derrubadas pelas chuvas. O anúncio foi feito no município pelo coordenador de Estado de Defesa Civil (Cedec), coronel Paulo Roberto Bermudes Rezende, nesta terça-feira (3/3). 

Recursos também estão sendo empenhados na limpeza urbana das cidades atingidas na Zona da Mata. "Fizemos no fim da semana passada um contrato emergencial de  R$ 3 milhões, que possibilita a limpeza de vias urbanas e rurais", pontuou o coronel na última segunda-feira (2/3). 

Na última semana, o governador anunciou a antecipação de seis parcelas do Piso Mineiro de Assistência Social. Além disso, o vice-governador Mateus Simões anunciou, nessa segunda-feira (2/3), a liberação de três parcelas extras do benefício para os municípios atingidos. "O Piso Mineiro totaliza R$ 130,7 milhões anuais, distribuídos entre os 853 municípios mineiros. Com as parcelas adicionais, o aporte extraordinário pode chegar a R$ 5 milhões para as cidades afetadas", disse o governo em comunicado. 

O que o jornal Estado de Minas investigou?

Anualmente, o governo de Minas apresenta à Assembleia Legislativa o seu planejamento orçamentário de médio e longo prazo. O chamado Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG) considera os próximos quatro anos da gestão. Reportagem publicada após investigação do Núcleo de Dados do Estado de Minas apresentou o resultado da revisão do documento de 2026.

A análise aponta para uma completa estagnação nos investimentos em medidas antes, durante e depois dos desastres no período de quatro anos. O orçamento para o programa de "suporte às ações de combate e resposta aos danos causados pelas chuvas", por exemplo, se mantém em patamar parecido durante esse intervalo de tempo. Fica em R$ 23,5 milhões em 2026 e chega a 2029 com prognóstico de R$ 24 milhões, ante uma queda para R$ 21,1 milhões prevista para 2028.

Importante ressaltar que o governo vem de cinco anos consecutivos de superávit orçamentário. Em 2025, as receitas públicas superaram as despesas em R$ 1,108 bilhão, o que a própria gestão Zema chama de "equilíbrio fiscal", ainda que parte desses recursos tenha finalidades específicas, ou seja, não é de livre aplicação por parte do Poder Executivo.

O programa "Proteção e Defesa Civil" só apresenta despesa de capital (investimento em melhorias desse serviço) em 2026: R$ 130 mil, ficando zerado nos anos subsequentes. Mesmo somando as despesas correntes (manutenção e funcionamento básico do setor), o orçamento fiscal da área se inicia com R$ 1,5 milhão em 2026 e chega em 2029 com apenas R$ 1,1 milhão, recuo aproximado de 26%.

A ação "gestão de desastres causados pela chuva" inclui apenas municípios próximos de Belo Horizonte. A previsão é de que 132 municípios da Região Intermediária de Belo Horizonte recebam recursos. Localizada a centenas de quilômetros da capital, a Zona da Mata, arrasada pelas cheias dos últimos dias, evidentemente, não está incluída nessa lista.

Como noticiou O Globo, as despesas do estado na área caíram de cerca de R$ 135 milhões para R$ 6 milhões entre os anos de 2023 e 2025, segundo dados do Portal de Transparência. 

Governo nega redução de investimentos

O Estado de Minas enviou questionamentos à assessoria do governo de Minas, mas não houve resposta. Em nota publicada no site da Agência Minas, a gestão criticou a imprensa alegando "incompreensão" dos dados

"Os investimentos aumentaram 170% na média anual em relação ao último ano do governo anterior. Em 2025, os recursos aplicados em prevenção contra desastres foram de R$ 1,9 bilhão, sendo o segundo maior investimento dos dois mandatos do governador Romeu Zema, perdendo apenas para o período da pandemia de Covid-19. Esse valor foi utilizado para proteção contra desastres de todos os tipos, incluindo chuvas e alagamentos. A desinformação provocada pelo cálculo errado, que infelizmente vem sendo reproduzido na imprensa, é resultado de uma incompreensão sobre como funciona o orçamento público e falta de profundidade na análise dos dados."

Investimentos do governo federal e críticas a Zema

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, no último sábado (28/2), um gabinete de crise interministerial durante visita à cidade. Durante a agenda, o governo federal anunciou a liberação de mais de R$ 16 milhões em recursos para reforçar a assistência à saúde em municípios afetados. Juiz de Fora receberá R$ 2,9 milhões, Matias Barbosa contará com R$ 1,3 milhão e Ubá receberá a maior parte, R$ 11,8 milhões. 

"Estamos falando de água, comida, material de higiene pessoal, combustível, aluguel de caçamba e trator, ações de limpeza pública, desobstrução de ruas e avenidas, além de restabelecimento de serviços públicos", disse o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes.

O ministro das Cidades, Jader Filho (MDB), declarou que o governo de Zema executou apenas 4,1% da verba disponibilizada pelo governo federal para prevenção de enchentes. Segundo afirmou, o governo pactuou com estados e municípios R$ 32 bilhões para obras de contenção de encostas e macrodrenagens.

"Só para Minas Gerais foram R$ 3,5 bilhões. O governo do Estado utilizou R$ 9,1 milhões, o que corresponde a somente 4,1% do recurso disponibilizado pelo Ministério das Cidades", declarou. 

O ministro afirmou no último dia 26 de fevereiro que cada família sem moradia receberá recursos financeiros. "O governo federal vai dar um cheque de R$ 200 mil às famílias mineiras para que elas possam adquirir imóveis em qualquer município de Minas Gerais. Se elas não quiserem mais morar em Juiz de Fora, se elas não quiserem mais morar em Ubá, elas podem se deslocar para outro município", disse em entrevista para o programa CB.Poder — parceria entre  a TV Brasília e os Diários Associados, grupo do qual o Estado de Minas faz parte. 

"Caso a pessoa não tenha um terreno para comprar a casa, vamos adotar o modelo de compra assistida, ou seja, o morador que perdeu sua casa poderá escolher uma casa em qualquer cidade do estado. O governo federal vai dar essa casa. Ninguém vai ficar com o prejuízo nas costas", havia dito Lula à imprensa em Juiz de Fora. 

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