A tragédia em decorrência das fortes chuvas que atingiram Juiz de Fora (MG), na Zona da Mata, revela sua face mais cruel no Bairro Parque Burnier, na Zona Leste da cidade. O Corpo de Bombeiros estima 14 desaparecidos. Oito corpos já foram resgatados.

O Estado de Minas esteve no local acompanhando os trabalhos. São 30 militares e três cães de busca e salvamento: Áquila, Arya e Nami. O oitavo corpo foi localizado por volta das 19h. De acordo com informações preliminares da corporação, trata-se de uma mulher jovem. A identidade ainda será confirmada.

Para além da lama e do cenário de guerra, moradores da comunidade se aglomeram no local. Entre eles, os parentes das vítimas. A reportagem tentou entrevistá-los, mas apenas Cleiton Ronan Garcia dos Reis, de 32 anos, aceitou falar.

Somente ele perdeu cinco primos: Bernardo Garcia, de 9 anos, Luca Garcia, de 3, Kaleb Reis, 12, Elizabeth Reis, de 36, e Fabiana Garcia, de 34 anos. Uma irmã, também de 34 anos, um sobrinho, de 9, uma tia, de 40 anos, e um primo, de 22, ainda estavam desaparecidos até a publicação desta reportagem.

Conforme apurado, as equipes de busca não têm previsão para encerrar os trabalhos, que, a princípio, devem seguir durante a madrugada.

Apesar de os parentes das vítimas evitarem declarações à imprensa, os abraços apertados e demorados revelam a dor da perda ou, ainda, da apreensão por ter alguém no meio da lama soterrado. "Já tem muito tempo que estão procurando", diz uma mulher referindo-se ao filho. Enquanto isso, o marido, sem dizer uma palavra, simplesmente a abraça.

Mas em meio ao cenário de dor refletido em abraços e olhos marejados, a solidariedade se apresenta de todos os lados. A todo momento é possível ver alguém carregando marmitas e água para entregar aos parentes. Moradores da comunidade montaram um ponto de apoio para receber doações.

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Segundo a voluntária Rosana Aparecida da Silva, de 49 anos, pessoas de várias partes da cidade estão trazendo alimentos, roupas e itens de higiene pessoal. "São mais de 100 voluntários. O pessoal aqui é muito unido. Nasci nesse bairro. Conheço todos os que morreram e que ainda estão soterrados. Eu não poderia simplemente ficar em casa. Agora é hora de todo mundo se unir", afirma.

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