Zema decreta luto de três dias após mortes causadas por chuvas em Minas
Estado confirma 20 vítimas na região; governo mobiliza forças de segurança, instala gabinete de crise e reforça alerta para novas tempestades nos próximos dias
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O governador Romeu Zema (Novo) decretou luto oficial de três dias em todo o estado após as mortes provocadas pelas fortes chuvas que atingiram municípios da Zona da Mata mineira na madrugada desta terça-feira (24). Até o momento, 20 mortes foram confirmadas na região, 16 em Juiz de Fora e quatro em Ubá.
Em nota, o Governo de Minas manifestou solidariedade aos familiares e amigos das vítimas e afirmou que mantém atuação permanente para minimizar os impactos dos temporais.
“Estou acompanhando todos os desdobramentos das ocorrências na Zona da Mata. O trabalho do Estado continuará enquanto for necessário. Minas está presente e fará tudo o que estiver ao seu alcance para amenizar esse sofrimento”, declarou o governador.
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O vice-governador Mateus Simões se deslocou para a região ainda nesta terça-feira (24) para acompanhar presencialmente o trabalho das equipes. Zema também deve ir à Zona da Mata no fim do dia ou na manhã de quarta-feira (25). “O primeiro passo é concluir o levantamento detalhado dos danos provocados pelas chuvas para direcionarmos os reforços e toda a assistência humanitária necessária. A população da região não ficará desamparada”, afirmou Simões.
Atuação integrada
Desde a noite de segunda-feira (23), o Governo de Minas atua na região por meio do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, com apoio das demais Forças de Segurança.
Em Juiz de Fora, houve transbordamento do Rio Paraibuna, com registros de inundação, soterramentos e risco estrutural no entorno. O Corpo de Bombeiros contabilizou cerca de 40 ocorrências emergenciais apenas no município. Equipes do Batalhão de Emergências Ambientais e Resposta a Desastres foram mobilizadas ainda na madrugada, com apoio de cães farejadores.
A Defesa Civil Estadual instalou um posto de comando na região para coordenar a atuação integrada e centralizar os esforços de assistência humanitária. A Polícia Militar reforçou as operações de apoio e segurança, e a Polícia Civil enviou equipes adicionais para os procedimentos de reconhecimento e identificação das vítimas.
O governo informou que mantém monitoramento permanente das condições climáticas e envio de alertas à população. Em caso de risco, a orientação é acionar o Corpo de Bombeiros (193) ou a Defesa Civil (199).
Destruição em Ubá
Em Ubá, o temporal provocou o desmoronamento de casas, alagamentos em diversos bairros, enxurradas, obstrução de vias e o desabamento de um prédio na Avenida Cristiano Roças, na região central. Há ainda registro de vazamento de gás em uma das áreas atingidas, o que elevou o risco para moradores e equipes de resgate.
De acordo com a prefeitura, foram acumulados 124,2 milímetros de chuva em apenas seis horas. O volume intenso causou o extravasamento do Ribeirão Ubá, inundando completamente a Avenida Comendador Jacinto Soares de Souza Lima (Beira-Rio) e as pontes da região ainda na noite de segunda-feira.
Imagens que circulam nas redes sociais mostram carros “boiando” próximo à Ponte da Bandeira e veículos de uma concessionária sendo arrastados pela correnteza. Em um dos vídeos, um homem aparece segurando-se em um poste, com a água na altura dos ombros, para não ser levado pela enxurrada. Casas foram invadidas pela água e estabelecimentos comerciais ficaram destruídos.
Calamidade em Juiz de Fora
Em Juiz de Fora, o município decretou estado de calamidade pública ainda durante a madrugada. Em vídeo divulgado nas redes sociais, a prefeita Margarida Salomão afirmou que a medida facilita o recebimento de recursos humanos e materiais de outras esferas e permite ampliar a participação de voluntários nas ações coordenadas pelo Executivo municipal.
Segundo balanço da prefeitura, duas pessoas morreram no bairro Vila Ideal, na Rua João Luís Alves. Os bairros Lourdes, Vila Alpina, São Benedito e Vila Olavo Costa registraram uma morte cada. As demais ocorrências com vítimas ainda não tiveram detalhes divulgados oficialmente.
A cidade também enfrenta registros de alagamentos, deslizamentos e imóveis com risco estrutural após o grande volume de chuva concentrado em poucas horas.
Previsão e alerta
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia, o volume acumulado recente na região chegou a 209,4 milímetros, totalizando 589,6 mm no mês de fevereiro. A atuação de uma frente fria estacionária no litoral do Sudeste mantém o cenário de instabilidade.
A partir de quarta-feira (25), o avanço de uma nova frente fria poderá provocar mais chuvas intensas, inicialmente na Zona da Mata e no Sul/Sudoeste de Minas. Na quinta-feira (26), a formação de uma área de baixa pressão atmosférica próxima ao litoral deverá ampliar as instabilidades para outras regiões do estado, incluindo a Metropolitana de Belo Horizonte, Central Mineira, Norte e Noroeste, com previsão de acumulados entre 40 e 60 mm.
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Com o solo já encharcado, o alerta é para risco elevado de alagamentos, enxurradas e deslizamentos, especialmente em áreas vulneráveis.