TRAGÉDIA

‘Achamos que estariam seguros’, lamenta irmã de menina morta em parquinho

Lorrayne Rabelo Fernandes, de 10 anos, e outras 4 crianças foram atingidas por pergolado de mandeira, que desmoronou em um condomínio fechado em Vespasiano

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A família de Lorrayne Rabelo Fernandes, de 10 anos, que morreu depois de um pergolado de madeira desabar sobre ela, estão consternados. A queda aconteceu na tarde dessta terça-feira (18/2), em uma área de brinquedos de um condomínio residencial em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Outras quatro crianças também ficaram feridas durante a ocorrência, entre elas Paulo Rabelo, irmão da vítima, de 7 anos. A menina foi sepultada nesta quarta-feira (18/2), no Cemitério Parque da Ressurreição, também em Vespasiano.

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Michele Rabelo, irmã de Lorrayne, contou que a tristeza tomou conta da família. Ela afirma que ninguém esperava que a estrutura estivesse comprometida e não imaginavam que o acidente poderia acontecer. Abalada, a mulher reforça que alguém deverá responder pelo desabamento. “Tivemos cinco vítimas, apesar da minha irmã ter sido a única que morreu. Que isso não se repita. Tem que ter justiça. Alguém tem que ser responsabilizado”.

A guarda de Lorrayne e o irmão, Paulo Rabelo, era do pai deles, Sérgio Rabelo Leite. Durante o sepultamento da filha, ele contou que lutou para garantir uma vida confortável e segura para as crianças. A informação foi reforçada por Michele, que descreveu a vítima como uma menina “brincalhona”, “carinhosa” e “muito alegre”.

“Ele criou os meninos no condomínio achando que ali eles estariam seguros. E foi exatamente ali onde aconteceu”, lamentou Michele.

O que aconteceu?

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG), as crianças brincavam em um playground na área externa do condomínio Ville Vitória quando a base da estrutura de madeira quebrou. Lorrayne teve parada cardiorrespiratória e precisou ser reanimada, mas morreu no local. Uma das crianças teve uma possível lesão na bacia e as outras três tiveram apenas escoriações leves. Duas meninas foram encaminhadas à UPA da cidade para atendimento.

Logo após os fatos, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que a perícia compareceu ao local para coleta de vestígios para subsidiar a investigação. Além disso, um inquérito foi instaurado para apurar o caso. A PCMG reforçou, ainda, que as investigações estão em andamento e somente após a conclusão dos laudos periciais e das demais diligências será possível esclarecer, com precisão, a dinâmica dos fatos e eventuais responsabilidades.

A reportagem procurou a construtora responsável pelo empreendimento. No entanto, até a publicação desta matéria não houve resposta.

‘Incompetência’

Durante o velório, o pai de Lorrayne lamentou a situação e afirmou que toda situação traz muita indignação para a família. Ele afirma que as madeiras, usadas para estruturar o pergolado, estavam podres. À imprensa, Sérgio contou que havia acabado de chegar do trabalho, conversou com a filha perto de seu caminhão e ela saiu para almoçar. Ao entrar em casa, o caminhoneiro encontrou o filho Paulo ensanguentado e lhe contaram que Lorrayne estava desmaiada.

“Eu corri e vi aquele tanto de madeira caída. Ela já estava no chão tadinha. Na hora me deu aquela sensação de pai e disse: ‘A minha filha já está morta’”.

Ainda segundo Leite, seu outro filho, também teve ferimentos graves. Ele conta que a criança recebeu 27 pontos, mas está fora de perigo. Já seu neto, Bernardo Rabelo, de 7 anos, que também brincava no espaço, teve apenas escoriações leves. “Só a minha filha que morreu, tadinha. Porque o peso caiu praticamente em cima dela”.

O caminhoneiro explicou que nunca percebeu que a estrutura estava comprometida. Ele afirmou que só reparou depois do desabamento, ao notar que a parte da madeira estrutural estava podre na área  enterrada no chão. “Eu não sei mais onde tem segurança, para nós. Para mim lá, a minha moradia, acabou. Não tem sentido mais morar em um lugar que eu vi a minha filhinha, tudo o que eu tinha na minha vida, morta”, lamentou Sérgio.

O pai de Lorrayne contou, também, que a síndica do prédio o procurou na noite da terça-feira. Ela teria lhe pedido perdão e também lhe dito que não havia percebido que o pergolado estava comprometido. “Eu peço justiça porque do jeito que matou a minha menina, poderá ter outras vítimas. Muitas crianças brincavam ali. É um descaso muito grande”.

O que disseram os moradores do condomínio?

No Condomínio Ville Vitória, onde a estrutura desabou, os moradores estão em silêncio. O Estado de Minas tentou falar com o síndico do empreendimento, mas o porteiro informou que não tinha autorização para repassar o contato dele.

Uma moradora do condomínio, que não quis se identificar, disse que os vizinhos estão de luto e muito tristes com o que aconteceu. Ela também tem uma filha pequena, mas diz que ela não costumava brincar no parquinho. Disse ainda que quando a filha desce está sempre acompanhada dela. A família estava no condomínio quando o desabamento aconteceu.

A moradora disse que a estrutura de madeira deveria estar comprometida porque caiu inteira. Ela afirmou que é preciso esperar a conclusão das investigações, mas que, por ela, as outras que existem em outros espaços do condomínio, deveriam ser retiradas por segurança.

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O condomínio tem seis blocos, cada um com oito andares e quatro apartamentos em cada andar. A moradora mora no mesmo bloco da família de Lorrayne. A moradora contou que a síndica enviou um comunicado no grupo de moradores no WhatsApp, lamentando o ocorrido.

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