Pai de Lorrayne após queda de pergolado: ‘Incompetência matou minha filha’
A menina morreu após ser atingida pelo pergolado de um parquinho de madeira que desabou no condomínio em Vespasiano, na tarde dessa terça-feira (17/2)
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“Não sei quem vai responder na Justiça, mas a incompetência matou a minha filha”. A fala é de Sérgio Rabelo Leite, pai da pequena Lorrayne Rabelo Fernandes, de 10 anos, que morreu depois que um pergolado de madeira desabou sobre ela na tarde dessa terça-feira (18/2). Outras quatro crianças também ficaram feridas durante a queda, entre elas Paulo Rabelo, irmão da vítima, de 7 anos. A criança será sepultada nesta quarta-feira (18/2), no Cemitério Parque da Ressurreição, em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG), as crianças brincavam em um playground na área externa do condomínio Ville Vitória quando a base da estrutura de madeira quebrou na base. Lorrayne teve parada cardiorrespiratória e precisou ser reanimada, mas morreu no local. Uma das crianças teve uma possível lesão na bacia e as outras três tiveram apenas escoriações leves. Duas meninas foram encaminhadas à UPA da cidade para atendimento.
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Durante o velório, o pai de Lorrayne lamentou a situação e afirmou que toda situação traz muita indignação para a família. Ele afirma que as madeiras, usadas para estruturar o pergolado, estavam podres. À imprensa, Sérgio contou que havia acabado de chegar do trabalho, conversou com a filha perto de seu caminhão e ela saiu para almoçar. Ao entrar em casa, o caminhoneiro encontrou o filho Paulo ensanguentado e lhe contaram que Lorrayne estava desmaiada.
“Eu corri e vi aquele tanto de madeira caída. Ela já estava no chão tadinha. Na hora me deu aquela sensação de pai e disse: ‘A minha filha já está morta’”.
Ainda segundo Leite, seu outro filho, também teve ferimentos graves. Ele conta que a criança recebeu 27 pontos, mas está fora de perigo. Já seu neto, Bernardo Rabelo, de 7 anos, que também brincava no espaço, teve apenas escoriações leves. “Só a minha filha que morreu, tadinha. Porque o peso caiu praticamente em cima dela”.
O caminhoneiro explicou que nunca percebeu que a estrutura estava comprometida. Ele afirmou que só reparou depois do desabamento, ao notar que a parte da madeira estrutural estava podre na área em que estava enterrada no chão. “Eu não sei mais onde tem segurança, para nós. Para mim lá, a minha moradia, acabou. Não tem sentido mais morar em um lugar que eu vi a minha filhinha, tudo o que eu tinha na minha vida, morta”, lamentou Sérgio.
O pai de Lorrayne contou, também, que a síndica do prédio o procurou na noite de ontem. Ela o teria pedido perdão e também dito que não havia percebido que o pergolado estava comprometido. “Eu peço justiça porque do jeito que matou a minha menina, poderá ter outras vítimas. Muitas crianças brincavam ali. É um descaso muito grande”.
Caso será investigado?
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que a perícia compareceu ao local para coleta de vestígios para subsidiar a investigação. Além disso, um inquérito foi instaurado para apurar o caso. A PCMG reforça ainda que as investigações estão em andamento e somente após a conclusão dos laudos periciais e das demais diligências será possível esclarecer, com precisão, a dinâmica dos fatos e eventuais responsabilidades.
A reportagem procurou a construtora responsável pelo empreendimento. No entanto, até a publicação desta matéria não houve resposta.
O que dizem os moradores do condomínio?
No Condomínio Ville Vitória, onde a estrutura desabou, os moradores estão em silêncio. O Estado de Minas tentou falar com o síndico do empreendimento, mas o porteiro informou que não tinha autorização para repassar o contato dele.
Uma moradora do condomínio, que não quis se identificar, disse que os vizinhos estão de luto e muito tristes com o ocorrido. Ela também tem uma filha pequena, mas diz que a criança não costumava brincar no parquinho. Afirmou, ainda, que quando a menina desce está sempre acompanhada. A família estava no prédio quando o desabamento aconteceu.
A moradora disse que a estrutura de madeira deveria estar comprometida porque caiu inteira. Ela afirmou que é preciso esperar a conclusão das investigações, mas que, por ela, as outras que existem em outros espaços do condomínio deveriam ser retiradas por segurança.
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O condomínio tem seis blocos, cada um com oito andares e quatro apartamentos por andar. A mulher reside no mesmo bloco da família de Lorrayne. Ela contou que a síndica enviou um comunicado no grupo de moradores no WhatsApp lamentando o episódio.