Imagens de um motorista de uma Mercedes preta ilhado em um alagamento na Região Centro-Sul de Belo Horizonte ganharam repercussão nas redes sociais. O temporal que atingiu a cidade no início da tarde dessa quinta-feira (29/1) inundou rapidamente a Rua Marquês de Paranaguá, no Bairro Santo Antônio, e colocou em risco a integridade do condutor. Guilherme Junior Ferreira Marques, de 25 anos, foi o herói da noite: retirou os chinelos e correu em direção ao veículo para prestar socorro.

De acordo com ele, que está em situação de rua há cerca de 15 dias, havia algumas pessoas observando a situação, mas ninguém se propôs a ajudar. Ele conta que, imediatamente, correu para ajudar, pois viu a água subindo com velocidade e o motorista poderia se afogar. Depois de ajudá-lo, outro homem em situação de rua, Henrique Caetano Assis de Jesus, de 26 anos, auxiliou a empurrar o carro para fora d'água.

"Eu vi o cara pedindo socorro e ninguém ajudou o moço dentro do carro. Eu sei que é errado ir lá na enxurrada, mas na hora eu não pensei nisso. Só pensei em socorrer ele, porque a gente não sabe o dia de amanhã", conta o rapaz, que costuma ajudar outras pessoas na cidade sempre que vê.

Segundo Guilherme, o motorista ficou abalado com a situação junto ao fato de ter tido o carro danificado. Somente depois agentes da Defesa Civil chegaram ao local. Ele acredita que a ajuda foi importante, pois, conforme relatou, a força e velocidade da água são muito rápidas. Guilherme conta, ainda, que o condutor, não identificado, agradeceu o ato de coragem.

O rapaz contou que muitas pessoas tem preconceito com a população de rua, mas muitas vezes são os moradores em situação de rua que ajudam as outras. Ele disse que não sentiu medo, pois o primeiro pensamento foi reagir. Para ele, esse tipo de atitude é essencial, pois poderia ser com qualquer pessoa, inclusive com ele mesmo.

"Só pensei em resgatar o rapaz. Pensei: 'infelizmente, eu vou ter que dar minha vida pra socorrer ele'. Eu fiquei feliz, porque nem todo mundo ajuda o próximo. Pra mim, todo mundo vai para o mesmo lugar quando morrer", filosofou.

Solidariedade em meio ao temporal

Após o ato heroico de Guilherme, um segundo rapaz ajudou o motorista a empurrar o carro, que estava inundado. Henrique conta que mesmo diante de dificuldades vividas na rua ele nunca parou de ajudar as pessoas, independente de qualquer pessoa.

"Eu passei e vi o camarada na situação que ele estava e pensei 'Nossa, vou dar uma ajuda, tá chovendo, todo mundo olhando'. Corri lá e ajudei o cara. Independente se ele fosse me dar [algum dinheiro], eu ia ajudar de qualquer jeito. E se acontecer de novo, eu vou ajudar de novo", contou.

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Henrique contou que depois de o homem ser socorrido por Guilherme, ajudou o motorista da Mercedes a empurrar o carro. Henrique disse ainda, que não recebeu nenhum "trocado" pelo ato de coragem, mas que isso não impede ele de ajudar as pessoas, pois faz com o único objetivo de ajudar.

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