A cava da Mina de Viga, em Congonhas (MG), na Região Central do estado, que transbordou no último domingo (25/1), deixou um rastro de destruição na região, conforme imagens aéreas registradas pela prefeitura do município. O extravasamento de água ocorreu na estrutura da Vale entre a plataforma e o esmeril, por volta das 16h. O incidente ocorreu menos de 12 horas depois de outro vazamento ter inundado o escritório, três oficinas e o almoxarifado da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), no distrito de Pires, na divisa entre Ouro Preto (MG) e Congonhas.
A reportagem do Estado de Minas foi até a mina de Viga, onde a entrada de visitantes não é permitida. Da portaria da mina, foi possível observar o Corpo de Bombeiros Militar (CBMMG) e equipes da Defesa Civil percorrendo o lugar. Máquinas e tratores removiam grande quantidade de terra e lama logo na entrada do espaço. Parte do solo cedeu, mas nem a Vale nem a Defesa Civil confirmaram se foi em decorrência do extravasamento.
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Em meio à chuva forte, as máquinas continuaram trabalhando. Ao mesmo tempo, uma quantidade torrencial de água descia pela estrada de entrada da mina. Informações dão conta que o volume de água na via ocorreu devido ao vazamento dentro da mina – local em que a reportagem não teve acesso.
O município de Congonhas já vive sob o medo de um possível rompimento na barragem da Casa de Pedra, uma das maiores do estado. Com a intensidade das chuvas e os vazamentos seguidos, a insegurança cresce, mas a mineradora afirma que as barragens não apresentam risco iminente. Em relação aos vazamentos, a Vale reforça que as medidas necessárias estão sendo tomadas.
Danos ambientais
De acordo com a Prefeitura de Congonhas, a ocorrência foi acompanhada pela Defesa Civil, que constatou o transbordamento de água para o Rio Maranhão. Não houve bloqueio de vias nem comunidades atingidas, mas a Vale garantiu, nessa segunda-feira (26/1), que o transbordamento de água nas duas minas não liberou rejeito de minério para cursos d’água das cidades em questão.
O vice-presidente executivo técnico da Vale, Rafael Bittar, explicou que o grande volume de chuvas dos últimos dias foi o responsável pelo extravasamento de água das minas. Além disso, ressaltou que os eventos foram independentes. Bittar destacou que a média de chuvas para janeiro é de 300 milímetros (mm) mm na região. “Nos últimos três, quatro dias, tivemos cerca de 280 mm, ou seja, choveu de uma maneira concentrada, e o plano de chuva não foi suficiente nesses dois locais para absorver toda essa chuva, permitindo alguns problemas pontuais.”
No entanto, o Executivo municipal informou que os alvarás de funcionamento da empresa na cidade serão suspensos, devido ao atraso na comunicação do incidente, além de prejuízos estruturais, materiais e ambientais. De acordo com a Defesa Civil de Congonhas, a mineradora só avisou sobre o vazamento cerca de sete horas depois.
O prefeito de Congonhas, Anderson Cabido (PSB), disse que ficou surpreso ao saber que a estrutura que rompeu não estava sendo monitorada pela Vale. “O impacto ambiental é significativo e se soma ao impacto histórico”, afirmou. De acordo com ele, o “extravasamento de um dique de contenção de água” carregou não só o material que tinha dentro da barragem, mas tudo o que estava estava adiante, causando um “impacto ambiental significativo”.
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Esse material, segundo Cabido, que corresponde a cerca de 263 mil metros quadrados de lama, chegou no rio Goiabeiras através de córregos que o abastecem e atingiu o rio Maranhão, que passa por dentro da área urbana da cidade. “Ainda que não seja uma barragem de rejeitos de minério, é uma barragem de água, que comporta um grande volume, e que deveria, na nossa avaliação ser monitorada”, defendeu.
