ET de Varginha: livros, filmes, séries e jogos para saber mais sobre o caso
Trinta anos depois do suposto encontro com criaturas extraterrestres no Sul de Minas, o Caso Varginha segue vivo no imaginário da cultura pop
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Em janeiro de 1996, Varginha, no Sul de Minas Gerais, entrou definitivamente para a história da ufologia mundial. Relatos de criaturas estranhas, movimentações militares atípicas e versões oficiais pouco convincentes transformaram o episódio no que muitos chamam até hoje de a “Roswell brasileira”. Três décadas depois, o mistério permanece sem uma conclusão definitiva — mas encontrou um território fértil na cultura pop, inspirando livros, filmes, séries documentais, jogos eletrônicos e até músicas.
Mais do que uma história de extraterrestres, o ET de Varginha se tornou um símbolo: de desconfiança institucional, de fascínio popular e de como um acontecimento local pode ganhar projeção global.
Livros
A literatura é, talvez, o campo mais prolífico sobre o Caso Varginha. Um dos primeiros registros é “O Caso Varginha”, de Ubirajara Rodrigues, publicado pela Editora UFO. Curiosamente, Rodrigues foi o primeiro ufólogo a investigar o episódio — e anos depois se tornaria uma das vozes céticas, passando a afirmar que a criatura nunca existiu. Essa mudança de posição se tornaria, por si só, parte do enigma.
“ETs de Varginha: Montando o Quebra-Cabeça”, de Edison Boaventura Jr., é outro título fundamental para quem quer saber mais sobre o caso. Com mais de quatro décadas dedicadas à ufologia, o autor apresenta documentos oficiais, fotos inéditas e novos depoimentos. Um dos pontos mais controversos do livro é a menção a uma suposta carta enviada pelo então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, ao Congresso Norte-americano, solicitando informações sobre uma remessa vinda do Brasil — levantando suspeitas sobre um possível envolvimento internacional no caso.
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Outros títulos exploram diferentes ângulos do episódio. “Varginha: Toda a Verdade Revelada”, de Marco Antonio Petit, aprofunda a narrativa da conspiração e da atuação militar. Já “Os ETs de Varginha: Bastidores de uma cobertura de outro mundo”, lançado em 2023 por Margarida Hallacoc, se destaca por olhar o caso sob a perspectiva jornalística, revelando os desafios, pressões e dilemas éticos enfrentados por repórteres na época.
Há ainda obras como “Varginha 1996: A Conspiração”, de Renato B. Silva, e “Invasores Misteriosos: Incidente Varginha”, de DD Sousa, que misturam investigação, narrativa ficcional e teorias políticas, ampliando o alcance do caso para além do campo acadêmico da ufologia.
Documentários e séries
O interesse audiovisual pelo Caso Varginha também se intensificou nos últimos anos. O documentário “Momento do Contato – O Caso Varginha”, dirigido pelo cineasta norte-americano James Fox, conhecido por produções sobre fenômenos ufológicos, insere o episódio brasileiro em um contexto global de possíveis encontros entre humanos e extraterrestres.
Na televisão, a série documental “O Mistério de Varginha”, exibida pela TV Globo entre os dias 6 e 8 de janeiro, revisita o caso com depoimentos inéditos, documentos e áudios nunca exibidos. A produção reúne militares, moradores da cidade e especialistas, além de resgatar arquivos históricos. Para muitos entrevistados, o segredo ainda estaria “escondido nos céus de Varginha”, alimentando a ideia de que a verdade nunca veio totalmente à tona.
Cinema
O cinema brasileiro também se prepara para revisitar o episódio. O filme “Incidente em Varginha”, inspirado no livro homônimo de Vitório Pacaccini e Maxs Portes, começou a ser gravado em agosto de 2025, na cidade de Uberaba (MG). Com estreia prevista para 2026 — ano em que o caso completa 30 anos —, o longa de ficção científica promete reacender o debate sobre um dos maiores mistérios do país.
O livro que inspira o filme, lançado originalmente em 1996, ganhou uma nova edição atualizada em 2024, com distribuição internacional em países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e México, reforçando o interesse estrangeiro pelo episódio brasileiro.
Games
Pouca gente sabe, mas o Caso Varginha também marcou a história dos videogames no Brasil. “Incidente em Varginha”, lançado em 1998, foi o primeiro jogo FPS (tiro em primeira pessoa) brasileiro a ser produzido. Desenvolvido pela Perceptum, o game ganhou versões internacionais com os nomes Alien Anarchy e Misión Alien, sendo distribuído na Europa, Ásia e América do Sul.
Com trilha sonora de Fábio Cardelli e ambientação em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Varginha, o jogo vendeu cerca de 2 mil cópias no Brasil e 20 mil no exterior. Após o lançamento, o software chegou a ser utilizado em treinamentos das Forças Especiais dos Estados Unidos, em parceria com a NovaLogic — um detalhe que, para os entusiastas da ufologia, só aumenta o clima de mistério.
Mais recentemente, o ET ganhou versões para celular. O ET Adventure 3D, desenvolvido pelos programadores varginhenses Reginaldo Evaristo e João Vitor Riguette, coloca o extraterrestre para circular por pontos icônicos da cidade, como o CEFET e a Igreja Matriz. Apesar de estar temporariamente indisponível, o jogo deve ganhar novas fases em breve, segundo os desenvolvedores.
Na música
Até a música brasileira se apropriou do fenômeno. Em 2002, o cantor Silvio Brito lançou o álbum “O E.T. de Varginha”, com uma canção homônima que transforma o extraterrestre em metáfora existencial.
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“Que o ET lá de Varginha… sou eu, e também você, somos todos nós, enquanto não voltamos para casa”, canta o artista, transformando o caso numa questão filosófica.