PRF aponta que ônibus que capotou na BR-365 estava em alta velocidade
Ônibus capotou na rodovia na altura de Patos de Minas, no Triângulo Mineiro, na primeira semana do ano
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Laudo da Polícia Rodoviária Federal (PRF) aponta que o ônibus que capotou e deixou seis pessoas mortas na BR-365, em Patos de Minas (MG), na Região do Triângulo, em 6 de janeiro, estava 30 km/h acima da média de velocidade permitida no trecho.
O ônibus voltava das festas de réveillon de Salvador (BA) em direção a Uberlândia (MG) e estava com ocupação completa: 50 passageiros e dois motoristas. Dentre elas, 19 pessoas foram atendidas em estado grave, com traumatismos acentuados, fraturas, lacerações e cortes profundos, e foram levadas ao Hospital Regional Antônio Dias (HRAD). Uma delas morreu a caminho do hospital.
Outras 28 pessoas, incluindo os dois motoristas e quatro crianças, tiveram quadros mais leves, com sintomas como dores em geral, mal estar e escoriações. Elas foram encaminhadas para atendimento médico na Santa Casa de Misericórdia e na UPA Municipal. Já os corpos das pessoas que morreram passaram por exames de necropsia no Posto Médico-Legal de Patos de Minas, foram identificados e liberados às famílias.
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Conforme a equipe da PRF em Patos de Minas, uma análise do cronotacógrafo, que é um dispositivo similar a uma caixa preta de avião e é obrigatório em veículos de carga e transporte de passageiros no país, indicou que o ônibus trafegava a aproximadamente 110 km/h no momento do acidente.
Segundo a equipe policial, perto do local do acidente há uma sinalização que indica que a velocidade máxima permitida no trecho é de 80 km/h. "A combinação dessa velocidade excessiva com a pista molhada pela chuva forte fez com que o motorista perdesse o controle do veículo", afirmou.
O laudo feito pela equipe federal foi encaminhado à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), que segue com a apuração criminal do acidente. Em contato com o Estado de Minas, o posto avançado da PRF também afirmou que foi feito um Boletim Criminal por homicídio culposo, também encaminhado à polícia.
Procurada pela reportagem, a PC informou que chovia bastante no momento do acidente e a pista estava molhada, o que pode ter contribuído para a dinâmica do acidente. A corporação também afirmou que o ônibus não estava com superlotação, com número de passageiros compatível com a capacidade permitida para o veículo.
As investigações estão a cargo da Delegacia Adjunta de Trânsito e Acidentes de Veículos. De acordo com a polícia, levantamentos preliminares indicam que o condutor do ônibus não tem o Curso Especializado para Transporte Coletivo de Passageiros (CETCP), que é exigido para motoristas de ônibus e veículos para mais de seis lugares, o que configura irregularidade administrativa. Os dois motoristas que estavam no coletivo passaram por testes de bafômetro e estavam limpos.
As apurações do acidente seguem em andamento e novas informações só poderão ser divulgadas ao final das investigações, após a conclusão de todas as diligências e a análise das provas produzidas, informou a corporação.
Risco aumentado com o capotamento
Em conversa com a reportagem, o comandante da 1ª Companhia Operacional de Patos de Minas, que faz parte do 12º Batalhão do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, Capitão Cristiano Cavalcante, descreveu que o acidente teve a gravidade amplificada porque, depois de capotar, o ônibus teve a lateral esquerda afundada por árvores de eucalipto à margem da rodovia. “Se o ônibus tivesse só tombado, sem bater nas árvores, teria um número bem menor de pessoas encarceradas”, afirmou.
Segundo ele, 11 vítimas estavam presas entre as poltronas e precisaram ser desencarceradas. Três delas, no entanto, já foram encontradas mortas debaixo do ônibus assim que ele foi destombado.
O Capitão Cavalcante explicou que a retirada das vítimas foi possível com o uso de ferramentas de expansão e de corte, como tesouras e serra sabre elétrica que poderiam cortar a lataria ou expansores para abrir o espaço e permitir a saída da vítima. “Caso a vítima estivesse presa na poltrona, poderíamos cortar o pé da poltrona com a ferramenta elétrica serra sabre, expandir a lataria ou cortar a lataria com os desencarceradores e retirá-la de lá”, exemplificou.
A ação dos bombeiros não se deu apenas no desencarceramento. De acordo com o comandante, muitas pessoas precisaram ser estabilizadas ainda dentro do ônibus e colocadas em macas porque não conseguiam sair por conta própria. “Tinha muita gente com fratura exposta, então a gente as ‘prancha’, controla a hemorragia e retira”, explicou.
Veículo irregular
O ônibus não era o destinado para a viagem. O primeiro ônibus teve problemas mecânicos e os passageiros foram remanejados para o veículo que sofreu o acidente.
Segundo a ANTT, o ônibus que se envolveu no acidente está regular no cadastro do órgão, com apenas uma autuação registrada em 2023 por evasão de balança, sem informações relevantes de fiscalizações que possam ter apontado irregularidades em períodos recentes.
Apesar de regular, o ônibus usado não tinha a Licença Viagem, documento específico que deve ser emitido pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) antes de qualquer viagem de fretamento. Mesmo com a viagem irregular, de acordo com a Agência, o veículo está cadastrado e habilitado para o transporte interestadual de passageiros na modalidade de fretamento, e a empresa tem autorização vigente junto à ANTT para a prestação desse tipo de serviço.
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O órgão informou que instaurou um processo de acompanhamento do acidente, pautado na monitoração do atendimento prestado pela empresa aos passageiros e às vítimas, em articulação com os órgãos competentes. “Após a conclusão das perícias técnicas e conforme os elementos apurados, poderão ser aplicadas as sanções cabíveis, nos termos da legislação vigente, em desfavor da empresa”, afirmou.