PERICULOSIDADE FORA DO NORMAL

Homem que manteve namorada em cárcere por 2 meses vai continuar preso

Juiz entendeu que uma liberdade provisória não seria possível por terem sido constatados delitos graves de violência doméstica

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O homem de 33 anos que foi preso por manter a namorada de 47 anos em cárcere privado em uma propriedade rural de Governador Valadares (MG), no Vale do Rio Doce, nesse sábado (10/1), teve a prisão em flagrante convertida para preventiva.

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A vítima foi encontrada presa na casa depois que a filha dela, que morava em outra cidade, percebeu a situação de perigo e acionou a polícia. Segundo relatado à Polícia Militar, a vítima saiu do município de Campanário (MG) e viajou 84 quilômetros para morar com o namorado em Valadares. No entanto, o homem não permitia que ela saísse da casa, mantivesse contato por telefone com familiares e informasse a localização da casa a qualquer pessoa.

Conforme os registros policiais, a vítima também relatou que era obrigada a manter relações sexuais com o namorado, sob coação, e que precisou interromper um tratamento contra infecção urinária porque o autor não permitia que ela saísse de casa para ir até ao atendimento médico. 

Ele foi preso em flagrante pelos crimes de perseguição, sequestro e cárcere privado, praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos – uma vez que na casa foram achados animais em situação de maus-tratos – e, por fim, vias de fato.

O homem, que trabalha como vaqueiro, passou por audiência de custódia e o juiz Cláudio Alves de Souza, da Vara Plantonista da Microrregião XVII, entendeu que não havia motivos para ser concedida uma liberdade provisória, uma vez que foram registrados indícios suficientes que comprovem delitos graves no contexto de violência doméstica

Na decisão, foi constatado que a vítima alegou ter sido agredida diversas vezes com objetos e constrangida a manter relações sexuais com o autuado em várias ocasiões. “Torna-se necessário decretar a prisão do averiguado para garantir a própria integridade física da vítima, em face das informações de violência psicológica, física, sexual e cárcere privado praticadas”, afirma trecho da decisão. 

Ainda segundo o juiz, o autor tem diversas passagens pela suposta prática de crimes no contexto de violência doméstica e o caso do cárcere demonstrou “uma periculosidade fora do normal”. O magistrado também determinou a coleta de material biológico do homem para obtenção e armazenamento de material genético, obrigatório em casos de prisões em flagrante por crimes de violência, sexuais e hediondos.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) informou que o homem foi admitido no Presídio de Governador Valadares ainda no domingo (11), onde permanece à disposição da Justiça.

A Sejusp também informou que o suspeito tem uma passagem de um dia pelo sistema prisional. Conforme os registros, ele esteve preso entre os dias 25 e 26 de agosto de 2020 no Presídio de Tarumirim, (MG) pelo crime de ameaça, e foi solto após receber um alvará de soltura emitido pela Justiça.

Conforme apurado pela reportagem, o homem também tem passagens por ameaçar com uma faca um policial militar, em novembro de 2025, e foi alvo da solicitação de uma medida protetiva, em 2022.

O que é relacionamento abusivo?

Os relacionamentos abusivos contra as mulheres ocorrem quando há discrepância no poder de um em relação ao outro. Eles não surgem do nada e, mesmo que as violências não se apresentem de forma clara, os abusos estão ali, presentes desde o início. É preciso esclarecer que a relação abusiva não começa com violências explícitas, como ameaças e agressões físicas.

A violência doméstica é um problema social e de saúde pública e, quando se fala de comportamento, a raiz do problema está na socialização. Entenda o que é relacionamento abusivo e como sair dele.

Como denunciar violência contra mulheres?

Onde procurar ajuda

A mulher em situação de violência de qualquer cidade de Minas Gerais pode procurar uma delegacia da Polícia Civil para fazer a denúncia. É possível fazer o registro da ocorrência on-line, por meio da delegacia virtual. Use o aplicativo 'MG Mulher'.

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