Secretário de Saúde de Minas Gerais visita novos leitos criados para período sazonal de doenças respiratórias -  (crédito: Leandro Couri/EM/D.A Press)

Secretário de Saúde de Minas Gerais visita novos leitos criados para período sazonal de doenças respiratórias

crédito: Leandro Couri/EM/D.A Press

O Hospital João XXIII recebeu dez novos leitos de Centro de Terapia Intensiva (CTI) pediátricos. A medida, uma replicação do que já foi feito no ano passado, serve para atender à demanda por leitos durante o período sazonal de doenças respiratórias, principalmente em crianças abaixo de 2 anos de idade.

 

Normalmente, em Belo Horizonte, há um total de 26 leitos de CTI pediátricos, sendo dez no Hospital João XXIII e 16 no Hospital Infantil João Paulo II. Atualmente, cerca de 80 a 90% deles já estão ocupados, mas de acordo com o secretário de Saúde do estado de Minas Gerais, Fábio Baccheretti, ainda não há necessidade de abertura dos novos leitos que, por enquanto, são preventivos.

 

"As doenças respiratórias estão avançando [em Belo Horizonte]. Há dois meses, apenas 50% dos 26 leitos estavam ocupados, e hoje já estamos em 80, 90%. Ainda não precisamos (deles), porque temos cerca de três leitos disponíveis diariamente, mas já temos uma equipe pronta e preparada para quando precisar. É o momento de estar pronto", explica Baccheretti.

 

Cerca de R$ 1,5 milhão foi investido para a instalação dos novos leitos, que serão retirados assim que o período sazonal se encerrar, já que o “aumento é esperado e planejado pelo estado de Minas Gerais”. Segundo Baccheretti, além dos novos leitos, também houve investimento em novas contratações.

 

“Para este CTI funcionar, precisamos de pelo menos nove médicos, então é uma equipe grande de pediatras, além dos sete diários que trabalham no João Paulo II. Então, temos aumento no pronto-atendimento e, aqui no João XXIII, de contratação de enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, então é um investimento grande, mas é por apenas três a quatro meses, e depois a gente desmobiliza, mas temos que estar preparados para isso”, afirma o secretário.

 

“A ocupação fora da sazonalidade é de 50%, então não há motivo para manter esses leitos. A pediatria tem um comportamento sazonal típico de três a quatro meses de subida [de doenças respiratórias], então é uma ação que fazemos desde o ano passado de ter essa expansão, e depois retrai de novo”, complementa.

 

Os dez novos leitos, apesar de criados para o período sazonal, podem atender a quaisquer casos que demandem leitos de CTI pediátricos.

 

Mudança do padrão epidemiológico

 

Ainda de acordo com o secretário, o estado vive um momento de mudança do padrão epidemiológico, representado pela queda do número de casos de dengue – especialmente na Região Metropolitana da capital mineira – e pela crescente de doenças respiratórias, principalmente nas crianças.

 

“Neste momento, já estamos expandindo os leitos, já estamos percebendo que, no próprio João Paulo II, as doenças respiratórias equivalem a 70% dos atendimentos. Por isso, esses novos dez leitos já estão abertos, à disposição da necessidade, e assim que os outros leitos se ocuparem, a gente abre de imediato”, afirma ele.

 

Com a chegada do outono e do tempo seco, as doenças respiratórias começam a ganhar força. Somente no Hospital João Paulo II, os atendimentos a pacientes com sintomas – que costuma ser próximo de 500 em outras estações – chegam a 2 mil ao mês no período de clima mais frio e seco, sendo a bronquiolite a principal causa de internação. Até a última quarta-feira (20/3), foram realizados 1.022 atendimentos com este perfil.

 

Além da bronquiolite, gripes, resfriados e pneumonias também são comuns e podem ser ainda piores em crianças pequenas ou portadoras de asma e rinite alérgica, principalmente em períodos de baixa umidade.

 

Segundo Baccheretti, as doenças respiratórias durante o outono e o inverno são causadas, principalmente, pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que acomete as vias aéreas e pode causar uma infecção aguda no trato respiratório. É responsável pela maior parte de bronquiolites e pneumonias nas crianças.

 

“Esse vírus pega crianças menores e tem uma taxa de conversão para internação muito alta. Muitas crianças internam para usar o oxigênio, porque os brônquios fecham, podendo evoluir com infecções que podem ficar mais graves”, explica.

 

“Mas também temos outras doenças respiratórias, como a pneumonia viral e bacteriana, causadas pelo próprio vírus da influenza, porém temos outros vírus e bactérias que, nesta época, circulam mais e podem causar doenças pulmonares mais graves”, acrescenta o secretário.

 

Por isso, também é importante que os pais fiquem atentos aos menores sinais de doenças respiratórias, como tosse, congestão nasal, febre, dor de ouvido, sibilos, peito cheio e cansaço ou dificuldade para respirar.

 

“Aos pais: caso tenha alguma doença respiratória se iniciando, é bom evitar levar as crianças para a escola a fim de não disseminar essa doença, e levar a um médico de confiança para fazer uma análise de gravidade do caso. Se houver sintomas, o caso deve ser levado a um atendimento de urgência”, afirma Baccheretti.

 

Importância da vacinação

 

O secretário reforça a necessidade da vacinação não apenas da influenza, o vírus da gripe, como também da COVID-19, principalmente em crianças e outros grupos de risco, como profissionais da saúde, da educação, idosos e portadores de comorbidades.

 

“Estamos falando muito em dengue, mas o número de óbitos por COVID-19 neste ano foi praticamente o dobro em relação aos da dengue. Então, é importante lembrar que a melhor forma de evitar mortes por COVID-19 ainda é a vacinação, e os grupos de risco devem tomar não só a vacina de influenza, que iniciou ontem (segunda-feira) no estado inteiro, como também a bivalente, anualmente, porque a COVID-19 continua circulando e mata muito mais do que dengue”, diz ele.

 

“Já a influenza é um vírus que vem todo ano do Hemisfério Norte e muda, então a vacina vem atualizada. Por isso, é importante que a vacina seja tomada anualmente. Neste ano, conseguimos adiantar a campanha para começarmos a vacinar antes do período da sazonalidade, e não no meio dela”, complementa.

 

A campanha de vacinação contra a influenza será realizada até o dia 31 de maio com um dia D de mobilização nacional previsto para o dia 13 de abril. Minas Gerais recebeu 844 mil doses, já devidamente distribuídas entre todas as regionais de saúde do estado.

 

Segundo o Ministério da Saúde, mais doses serão disponibilizadas em remessas ao longo do período de vacinação, e a estimativa é de que 8,7 milhões de pessoas estejam incluídas nos grupos prioritários (pessoas 60+; crianças de seis meses a menores de 6 anos; gestantes e puérperas; indígenas; quilombolas; trabalhadores da saúde; professores; pessoas com comorbidades; pessoas com deficiência permanente; Forças Armadas, de segurança e salvamento; pessoas em situação de rua; população privada de liberdade e funcionários do sistema penitenciário; e adolescentes menores de 18 anos sob medidas socioeducativas).

 

Em 2023, foram notificados 549 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) por influenza e 51 óbitos. Em 2024, até fevereiro, houve 11 casos notificados da doença e um óbito. A SES-MG reforça que os dados são parciais e estão sujeitos à alteração.

 

Além da vacina, outras medidas são indicadas para auxiliar na prevenção, como lavar as mãos com água e sabão ou uso de álcool em gel, principalmente antes de consumir algum alimento; uso de lenços descartáveis para higiene nasal; cobrir nariz e boca ao espirrar ou tossir; não compartilhar objetos de uso pessoal, como talheres, pratos, copos ou garrafas; manter os ambientes bem ventilados; evitar contato próximo a pessoas que apresentem sinais ou sintomas de gripe; evitar aglomerações e ambientes fechados; adoção de hábitos saudáveis, como alimentação balanceada e ingestão de líquidos.

 

Outra medida muito importante de prevenção é fazer a lavagem nasal das crianças com soro fisiológico, umidificando e limpando a mucosa de partículas (poeiras, poluentes, alérgenos), reduzindo o excesso de muco e também facilitando a absorção de medicamentos nasais quando necessários.