O artesanato ocupa espaço de destaque na 61ª edição do São Paulo Fashion Week (SPFW), que ocorre até domingo (18/10). Nas coleções de Catarina Mina, Santa Resistência e Ammi, técnicas como crochê, bordado e renda ganham novas interpretações e aproximam o trabalho manual de propostas contemporâneas de moda. As três marcas contam com parceria da Círculo, fabricante de fios para trabalhos manuais.

As coleções exploram diferentes referências culturais e processos criativos, do sertão cearense ao samba carioca, passando pela relação entre natureza, corpo e movimento. Além de contribuir para a identidade visual das peças, o trabalho artesanal envolve redes de profissionais e iniciativas de valorização de técnicas tradicionais.

“A parceria da Círculo com essas três grandes marcas reforça o incentivo às iniciativas que ajudam a preservar técnicas tradicionais, fomentar comunidades artesãs e ampliar o diálogo entre o fazer manual e a moda contemporânea”, afirma Osni de Oliveira Junior, CEO da Círculo.

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Catarina Mina transforma a chuva em inspiração

Na coleção “Bonito Pra Chover”, Catarina Mina explora a relação entre a terra e a água a partir de referências ao sertão. Formas, texturas, bordados e construções têxteis traduzem o ciclo da chuva, com diferentes técnicas artesanais aplicadas às peças.

O crochê e as franjas ganham destaque na coleção 'Bonito Pra Chover' da Catarina Mina, inspirada no sertão cearense e no ciclo da chuvaIgor de Melo

O crochê representa fluxos e correntes, enquanto a renda de bilro acrescenta leveza e transparência. Os bordados manuais evocam o ritmo da chuva, e o richelieu reproduz a flor do mandacaru, associada à chegada das águas ao sertão. A coleção também utiliza renda de filé, patchwork feito com reaproveitamento de resíduos têxteis e jacquards exclusivos que remetem aos pingos de chuva. Guarda-chuvas de crochê completam a proposta do desfile.

Um dos destaques é a renda de tramoia, técnica centenária do litoral cearense que corre risco de desaparecer. O trabalho foi desenvolvido em parceria com artesãs de Curral Velho, distrito de Itarema, no Ceará, como parte de uma iniciativa de valorização desse patrimônio cultural.

Santa Resistência une crochê e samba

Com a coleção “Otelo Brasileiro – Um Drama em Verde e Rosa”, a Santa Resistência parte do universo de Otelo da Mangueira para construir uma narrativa que combina samba, cultura carioca e identidade brasileira.

O crochê é o principal elemento da coleção, reinterpretado em peças que transitam entre o casual e o sofisticado. As criações foram confeccionadas por crocheteiras de um coletivo da comunidade da Maré, no Rio de Janeiro.

A proposta destaca o trabalho manual tanto como recurso estético quanto como possibilidade de geração de renda e valorização de conhecimentos transmitidos entre gerações. Ao levar essas criações à passarela, a marca aproxima o artesanato de uma discussão sobre ancestralidade, resistência cultural e os sentidos contemporâneos do luxo.

Ammi estreia no SPFW com coleção inspirada na natureza

A Ammi faz a estreia no São Paulo Fashion Week com “Forma Viva”, coleção que investiga a relação entre natureza, corpo, movimento e trabalho manual.

O crochê aparece em construções que combinam rendas, bordados, pedrarias e elementos tridimensionais, como franjas, babados e camadas. As texturas e os volumes criam diferentes efeitos visuais sem perder a relação com a silhueta.

As peças são produzidas integralmente à mão por uma rede de cerca de 300 artesãs. A coleção marca também a entrada da Ammi no segmento de calçados, com modelos bordados e finalizados manualmente.

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A proposta aproxima arte, design e moda ao explorar possibilidades de técnicas tradicionalmente associadas ao artesanato.

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