Três décadas de tricô: feira se prepara para edição comemorativa
Evento, que completa 30 anos, reafirma o Sul de Minas como referência nacional
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Na véspera do Dia das Mães, Belo Horizonte volta a receber um dos eventos mais tradicionais do seu calendário de moda. A Feira de Malhas de Tricô Sul de Minas chega à 30ª edição, com opções de roupas femininas, masculinas, infantis e para pets, além de itens de decoração, reafirmando sua força como vitrine do setor e ponto de encontro de produtores, lojistas e consumidores.
Marcada para 8 a 17 de maio, no Minascentro, a feira reunirá 108 expositores de Jacutinga e Monte Sião e tem expectativa de público de cerca de 60 mil visitantes nesta edição. Ao longo de três décadas, o evento já recebeu mais de três milhões de pessoas, com média de 55 mil visitantes por edição e cerca de 150 mil peças comercializadas a cada ano.
Tradição que atravessa gerações
O evento nasceu em 1996, idealizado por quatro empreendedores de Jacutinga: Carlos Grossi, Zé da Nica, Toninho Rafaelli e Nicola Antunes. A ideia era valorizar o tricô mineiro e criar um espaço coletivo para ampliar as vendas e a visibilidade do setor.
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Desde então, o projeto cresceu, se profissionalizou e se consolidou nacionalmente, sem perder o caráter familiar que ainda marca boa parte dos expositores.
Regina Mara Lazanha Raffaelli é um exemplo disso. Expositora e integrante da administração, ela participa de todas as edições desde o início. “Venho desde a primeira, nunca faltei. Meu marido até fala: ‘Por que você vai expor de novo?’, porque exige muito da gente. Mas não tem como não vir. Quando a gente deixa de vir, parece que falta alguma coisa. A gente vem porque gosta, porque faz parte da nossa vida”, conta.
Responsável pelo estande Regina Malhas, a empresária conta que o trabalho com tricô começou há cerca de 50 anos, na casa da mãe. Na época, a estrutura era limitada e eram poucas malharias na região.
Com o tempo, o crescimento da demanda transformou o Sul de Minas em referência nacional na produção de peças. E a feira se tornou evento obrigatório no calendário dos produtores. “Para os negócios, a feira é essencial. Leva dinheiro para a cidade, promove Jacutinga e Monte Sião. Todo mundo conhece”, afirma Regina.
Muito além de aquecer
Se antes o tricô estava diretamente ligado ao frio, hoje ele ocupa outro lugar no guarda-roupa e na moda. “Hoje não é mais só sobre aquecer”, resume Dayhana Nicoleti, produtora de moda e coordenadora da feira.
Ela conta que cresceu dentro do evento e vê uma mudança significativa no que a feira representa. “Comecei com 15 anos, quando meu pai e os amigos criaram o evento. Ele me deu um estande e eu fui vender tricô”, lembra.
Para ela, o tricô ganhou status de informação de moda. “A feira virou um espaço de tendências. As pessoas vêm buscar estilo, novidade, entender o que vai usar. O tricô transita bem em todas as estações, não é mais só inverno”, destaca. “Tem looks completos para adultos e crianças, peças para meia-estação, vestidos, pantalonas... é moda mesmo.”
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A variedade inclui também novidades que ampliam o universo do tricô. Há roupas para pets e itens de decoração, como mantas e almofadas, que levam o aconchego do tricô para dentro de casa.
Entre as tendências, as cores ganham protagonismo. “A gente está saindo dos tons mais apagados e indo para cores mais quentes, como marsala, vinho, borgonha e terrosos mais intensos. O inverno está mais quente, mais vivo”, diz.
Outro destaque é a combinação de materiais. “O couro vem muito forte, inclusive com camurça, combinado com tricô. É uma mistura que valoriza o look”, sugere.
Entre tantas opções, escolher uma peça favorita não é simples. “É difícil. Mas gosto muito das blusas, dos pulls [suéteres básicos] mais confortáveis, que você consegue usar com legging, jeans ou couro. São versáteis e funcionam para várias ocasiões”, aponta.
Moda artesanal
Mesmo com a evolução tecnológica, o fazer manual continua sendo um diferencial importante – e parte da identidade do produto. “Por mais que tenha maquinário moderno, tudo passa pela mão. O tricô não perdeu essa característica artesanal, e isso é uma das maiores riquezas que a gente tem”, destaca Dayhana.
E é essa mistura entre tradição e inovação que, para ela, ajuda a explicar o sucesso do evento ao longo de três décadas. “A gente consegue trabalhar a modernidade sem perder a raiz”, completa.
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Serviço
Feira de Malhas de Tricô Sul de Minas
Data: de 8 a 17 de maio
Local: Minascentro (Rua Guajajaras, 1022, Centro)
Horário: de segunda a sexta, das 13h às 20h; feriado,
sábados e domingos, das 12h às 20h
Entrada: os ingressos podem ser retirados gratuitamente por meio de cadastro no site www.feirademalhassuldeminas.com.br