Legado precioso: V.Condotti passa por reestruturação completa
Pioneira no mercado mineiro, V.Condotti vive processo de reposicionamento sem perder seu DNA
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Um sopro de ar fresco passou pela coleção primavera-verão 2027 da V.Condotti. Ao lado dos códigos reconhecidos da marca mineira, saltam aos olhos as novidades de uma nova etapa. Os tecidos são preciosos, rendas e plissados se encontram, leveza e fluidez contrastam com a alfaiataria renovada e florais delicados remetem à feminilidade e elegância.
E elegância é o que não falta nas personagens desta história: primeiramente, Tânia Fagundes, a fundadora da empresa, que faleceu em 2019; e, na sequência, sua filha, Danielle Braga, responsável por levar o seu legado à frente. Consciente de que negócios longevos precisam se reinventar para se manterem vivos, ela começou um processo de rebranding da marca, que culminou, recentemente, na abertura de uma loja, no Bairro Cidade Jardim, Região Centro-Sul de Belo Horizonte.
A casa passou por um retrofit completo, fruto do projeto arquitetônico assinado por Luciana Garcia, que materializou os desejos de Danielle. “Queria uma maison, um ambiente em que as mulheres se sentissem à vontade”, conta. Da conversação formada por sofás confortáveis, as clientes podem perceber todo o espaço. No centro, araras circulares com movimento permitem que as roupas sejam apresentadas com todos seus atributos.
Nas laterais, há mais opções de peças, mais diversidade de produtos. “Estamos preparando uma sala, anexa, para as noivas, um público que conhecemos bem. Já trabalhamos muito com o sob medida, com atendimento exclusivo e queremos retomar esse nicho”, explica a estilista.
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Mas o processo de reposicionamento da V.Condotti começou bem antes disso, incluindo mudança do logotipo, identidade visual, novo site, entre outros elementos que pudessem definir propósito e mudança de estratégia de negócios. “Convidei o Rick Cavalcante [consultor de marketing e branding] para nos acompanhar nessa jornada de reestruturação para a gente entender o momento e dar os passos necessários.”
De tudo um pouco
Danielle cresceu praticamente dentro de uma confecção e, adolescente, já convivia com o mundo da moda. “Sempre estive por perto, modelava para a Condotti, participava das feiras e, depois, quando abrimos a primeira loja, no Bairro Lourdes, fiquei responsável pela gerência. Mais tarde, comecei a dividir a criação com minha mãe.”
Essa dobradinha tinha um denominador comum: o gosto pelo clássico. Tânia era a “rainha” do linho, conforme Danielle se lembra, e se lançou no mercado, despretensiosamente, vendendo algumas blusas nesse material para a Betina, butique badalada que ficava no Centro da cidade. Uma longa história que completará 49 anos em outubro.
A reestruturação da V.Condotti passou também pelo estilo, o que resultou na busca de um profissional com ideias frescas e propostas interessantes. “Foi quando contratei a Fernanda Santos, que ficou conosco um tempo e, há um ano, convidamos o Fernando Silva para a nossa equipe.”
A contratação do estilista fez diferença, segundo ela. “Ele é um profissional completo, sabe o que o mercado quer, é muito criativo e se entrega demais. Estou muito feliz com o que estamos realizando. E, na nossa parceria, continuo fazendo uma parte da coleção também.”
Liberdade total
Fernando já atuou em várias empresas relevantes de Belo Horizonte e explica como foi o processo. “A Dani me passou o real cenário em que a marca estava e me falou em que ponto queria chegar. A grande virada de chave foi o espaço que ela me deu para trabalhar, a liberdade total para criar, colocar minhas pontuações e deixar, de fato, a mudança ser implantada. O rebranding, para funcionar, tem que aliar legado com presente, respeitar a história passada e dar abertura para o novo.”
O estilista destaca que o DNA original da V.Condotti sempre foi a alfaiataria sofisticada e clássica, códigos criados por Tânia Fagundes. “Meu trabalho para mudar, sem afetar a identidade, foi modernizar a silhueta, usar os elementos tradicionais em shapes renovados e materiais e, principalmente, comunicar tudo isso na imagem, trazendo uma proposta visual mais contemporânea”, relata.
A palavra francesa “éclat” traduz brilho, esplendor e presença, não como excesso, mas com uma luminosidade silenciosa – aquela que emana da construção impecável e do gesto preciso. Essa é a narrativa da coleção primavera-verão 2027. “Pensamos em um éclat contido, elegante e atemporal, fruto do encontro delicado entre o refinamento dos anos 1930 e o frescor luminoso das rivieras europeias.”
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O discurso poético evoca os verões sofisticados à beira mar, o romantismo sereno das paisagens campestres e as pinturas florais do pintor francês André Derain. A alfaiataria, leve e fluida – com recortes precisos, proporções equilibradas e acabamentos impecáveis – surge com uma sutil referência náutica das décadas de 1930 e de 1940 e tem a atriz e cantora alemã Marlene Dietrich como inspiração.