Moda ressignificada
André Carvalhal, escritor e professor de marketing e branding, lança em BH, dia 25, o último livro da sua trilogia sobre moda
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Dez anos após o lançamento do Moda com Propósito – segundo livro da trilogia – obra que se tornou referência no mercado editorial e acadêmico brasileiro, André Carvalhal lança Moda e Vida em Belo Horizonte, dia 25, às 18h, na Livraria da Rua. O lançamento marca o encerramento da trilogia iniciada com A Moda Imita a Vida, lançado em 2014. Vale ressaltar que Carvalhal foi um dos finalistas do 61º Prêmio Jabuti, em 2019 com seu livro "Viva o fim: almanaque de um novo mundo", que fala sobre transformações profundas da sociedade contemporânea e o esgotamento dos modelos tradicionais de consumo, trabalho e comportamento.
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Em um formato inédito na trajetória do autor, o Moda e Vida combina entrevistas e imagens de acervo para contar histórias de pessoas que estão construindo uma moda mais conectada à identidade, ao propósito e ao impacto. São 69 entrevistas com profissionais de diferentes áreas da indústria da moda e propõe uma reflexão sobre os desafios, as transformações e o futuro do setor.
A noite de autógrafo no Rio de Janeiro marcou o lançamento da collab entre André Carvalhal e a Linus que resultou na criação do acessório Leve um Livro, produzido em parceria com a Meskla.
Carvalhal era gerente de marketing da Farm, que era um case de sucesso tanto de marketing quanto de estilo. “Era minha área de atuação e senti que seria importante registrar essa história. Nunca tinha pensado em escrever um livro na minha vida. Não tive uma infância com muito hábito de leitura ou com incentivo da minha família e escrevi o meu primeiro livro, A Moda Imita a Vida, por uma questão de oportunidade quando comecei a dar aula. A partir desse primeiro livro me apaixonei completamente pelo processo, pela resposta do público, e não consegui parar mais. Já são oito livros desde então e hoje eu me dedico quase exclusivamente à escrita”.
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TRILOGIA
Quando começou a escrever A moda imita a Vida André não imaginava que o livro seria o primeiro de uma trilogia e nem tão pouco que abriria para ele o mundo da literatura, pelo qual se apaixonou. E foi a partir dessa paixão, que a trilogia aconteceu, como um processo natural. “Primeiro veio A Moda Imita a Vida, que falava sobre como construir uma marca. Depois, comecei a passar por um processo de transformação muito grande, tanto pessoal quanto profissional, que me levou a investigar a sustentabilidade na moda. Foi quando nasceu Moda com Propósito, que foi um livro que se tornou muito importante no segmento, cunhou o termo para o mercado e virou referência na academia. A partir do Moda com Propósito cada livro que eu lançava se tornava muito importante de alguma forma. Isso fez com que eu não parasse até hoje”.
O primeiro livro, A Moda Imita a Vida, fala sobre o processo de construção de uma marca. “No primeiro momento, a ideia era contar um pouco sobre o meu trabalho na Farm, sobre o processo de construção da marca, o que eu aprendi ali. E, ao longo do processo de escrita do livro que demorou quatro anos – comecei em 2010 e só foi lançado de novembro de 2014 –, ele foi se tornando uma coisa muito maior”, relembra.
André Carvalhal entrevistou grandes nomes do mercado, criadores de grandes marcas de sucesso na época, como Oscar Matsavaht, fundador Osklen; Isabela Capeto; Ronaldo Fraga; e Kátia Barros, a fundadora da Farm, como não poderia deixar de ser. O livro se tornou referência em livros de marketing, como um dos livros de negócios de moda mais vendidos do Brasil durante muito tempo. “Depois de um grande período trabalhando com esse livro, comecei a escrever Moda com Propósito, porque vi claramente que a gente precisava falar sobre a sustentabilidade na moda e não existia muita bibliografia na época sobre isso. Esse segundo livro, que lancei em 2016, exatamente há dez anos, foi um marco no mercado”.
Foi por causa deste segundo livro da trilogia, que André foi convidado para participar de seu primeiro TEDx, que falava sobre o efeito estufa da moda. “Quando eu lembrei que esse ano faria dez anos não só desse meu primeiro TEDx, como do livro Moda com Propósito, sentir vontade de fazer alguma coisa especial”, e conta seu plano.
No Moda com Propósito, ele entrevistou pessoas novas na moda, que estavam surgindo com marcas novas, pequenas, independentes e que já tinham uma conexão com sustentabilidade. “Pensando no que fazer para comemorar os dez anos do Moda com Propósito, me veio a ideia de misturar grandes criadores com novos talentos. Um livro que trouxesse experiências, não importando de quanto tempo.
Com foco em entrevistas que acabam virando texto. Dessa vez, resolvi assumir o formato de entrevista. Eu brinco que é como se fosse um podcast analógico. E nesse livro tive vontade de ressignificar coisas que eu falava lá atrás. Nos últimos dez anos, tanto a palavra sustentabilidade quanto propósito passaram por grandes transformações. Elas foram cooptadas pelo mercado, a gente viu muito greenwashing, a gente viu muita coisa entrar na moda e sair na moda quando se fala de propósito, de sustentabilidade. Vi que esse seria um livro com o objetivo de ressignificar isso. E foi quando a palavra vida me ocorreu. Hoje, para mim, se alguma coisa gera vida, é sustentável; se não gera vida, não é sustentável. O livro tem a proposta de atualizar esses conceitos, falar sobre isso a partir da perspectiva de outras pessoas e não só da minha”, esclarece.
Entrevistados
Pedimos que Carvalhal escolhesse, entre os 69 entrevistados alguns poucos mais representativos. Desafio difícil para o autor que afirma que todas elas foram muito especiais. Segundo ele, tem histórias para rir e para chorar, e muita coisa emocionante. Mas também ressaltou que algumas têm suas particularidades.
Uma das que ele destaca é a de Kátia Barros, da Farm, por ter sido entrevista para o primeiro livro e, 12 anos mais tarde, dá outra entrevista, “depois de tanta mudança na marca, tanto crescimento, tudo que a marca se desenvolveu em termos não só do negócio, mas também em termos de sustentabilidade. Então, é uma entrevista interessante”, ressalta Carvalhal.
Outra foi a entrevista de Chica Capeto, filha de Isabela Capeto, que também participou do primeiro livro. “Com a Chica é uma entrevista também muito interessante. Fui diretor-criativo de uma marca chamada Ahlma. A Chica tirou carteira de trabalho para trabalhar nessa marca, foi o primeiro emprego dela de vendedora. A Isabela também começou como vendedora, é muito interessante ver a trajetória das duas e as questões que a Chica tem de ter uma identidade própria do seu trabalho, a responsabilidade ou compromisso de alguma forma precisar seguir o trabalho da mãe”, pondera.
Tem a entrevista com José Camarano, um stylist do Rio de Janeiro, que, para André, ele passou por uma transformação muito grande nos últimos dez anos, desde ser uma pessoa muito conectada à noite, música, festa, todo esse lado mais fashionista, a se voltar para a natureza, para a sustentabilidade, para o equilíbrio. Teve um burnout, precisou abandonar o trabalho e voltar para sua essência.
A entrevista com o Rafhael Ribeiro, da Cacete, também recebe o destaque do autor, por ser uma marca de BH e que também passou por um processo interessante, “fechou durante a pandemia e está voltando, o que aconteceu com muitas marcas. Acho que ele representa isso muito bem”.
Para finalizar ele cita a entrevista de Nidia Aranha, uma diretora-criativa que vem trabalhando com grandes marcas e grandes celebridades. Foi responsável pelo novo trabalho com a Anitta, mas também na moda trabalhou com a Misci, com a Lenny Niemeyer. “Ela tem um trabalho interessante, é uma das entrevistas mais fortes e emocionantes do livro, na minha opinião”.
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Planos
André já está trabalhando no seu nono livro, que vai lançar ano que vem, uma espécie de continuação do Alegria Ficar de Fora, no qual fala sobre a necessidade das pessoas encontrarem um equilíbrio entre a vida online, offline, profissional e pessoal. “O próximo livro falará muito sobre criatividade, inteligência artificial. Por mais que não seja um livro especificamente de moda, tem um aprendizado muito grande que tive durante essas entrevistas. Será basicamente sobre o humano ser o novo luxo”, conclui.