Na Jordânia, uma oficina de contas de 12 mil anos deixou milhares de fragmentos de pedra e pequenos adornos em diferentes fases de fabricação. A descoberta divulgada em 2023 mostra que grupos pré-históricos dominavam uma produção cuidadosa antes do surgimento das cidades. As peças revelam habilidade e planejamento.
Onde foi identificada a oficina de contas de 12 mil anos?
O sítio arqueológico Shubayqa 6 fica no nordeste da Jordânia, numa região desértica. Ali foram encontrados inúmeros fragmentos de pedras verdes, peças parcialmente trabalhadas e contas terminadas. O conjunto permite acompanhar uma atividade que envolvia mais que o simples uso de adornos.
A Universidade de Copenhague divulgou a pesquisa em dezembro de 2023. As escavações indicam que moradores da região já desenvolviam técnicas repetidas de fabricação muito antes de existirem grandes cidades ou oficinas urbanas como as conhecidas em períodos posteriores.

Como as pequenas pedras se transformavam em adornos?
Os trabalhadores começavam com matéria-prima de pedra verde e a transformavam em peças pequenas. Os restos mostram fases de corte, modelagem e perfuração. Algumas pedras ficaram incompletas, o que ajuda a entender a sequência de gestos necessária para produzir os adornos.
O estudo publicado na PLOS ONE descreve muitos fragmentos de produção, peças preparadas e contas prontas. A semelhança entre os objetos indica fabricação padronizada, com cuidado para repetir formas. Esse padrão é a base para a hipótese de trabalho especializado.
Quais pistas revelam uma produção organizada?
A presença de milhares de restos do processo chama atenção porque uma conta pronta mostra apenas o resultado final. Já os pedaços descartados deixam marcas das etapas, inclusive quando a perfuração quebrava a pedra antes que o objeto pudesse ser usado.
A pesquisa também observou que os materiais não estavam disponíveis logo ao lado do povoado. Parte das pedras teria vindo de uma fonte a cerca de 60 quilômetros. Isso exigia procurar, transportar e transformar a matéria-prima, reforçando a importância atribuída a esses pequenos objetos.
A seguir listamos três evidências importantes que ajudam a entender as etapas desse trabalho:
- Pedras preparadas: Matéria-prima reunida antes de começar a fabricar os adornos.
- Peças incompletas: Tentativas quebradas ajudam a reconhecer as fases de trabalho.
- Contas terminadas: Objetos padronizados sugerem repetição de uma mesma técnica.

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Para que serviam tantas contas feitas de pedra?
As contas podiam integrar enfeites pessoais, como os usados em colares e outros adornos. Esse costume se relaciona à longa história da produção de joias, embora não seja possível reconstruir exatamente como cada peça de Shubayqa 6 era usada.
A equipe considera provável que parte dessa fabricação estivesse ligada a trocas entre comunidades, porque contas verdes parecidas apareceram em outros locais da região. Ainda assim, os vestígios não mostram todas as viagens, os acordos ou quem recebeu cada peça produzida.
A seguir listamos três conjuntos de vestígios que esclarecem o alcance dessas descobertas:
| Tipo de achado | O que mostra | Interpretação |
|---|---|---|
| Pedra bruta | Material para cortar | Busca de matéria-prima |
| Restos e peças falhas | Etapas da fabricação | Trabalho repetido |
| Contas prontas | Formas semelhantes | Possível produção para trocas |
O que a oficina ensina sobre o trabalho na pré-história?
Os resultados mostram que trabalho especializado podia existir antes das primeiras cidades. As pessoas já dedicavam tempo a escolher pedras, aprender técnicas e repetir formas. A produção de adornos não precisava esperar o aparecimento de grandes oficinas ou uma economia urbana.
A oficina de Shubayqa 6 aproxima a pré-história de um hábito atual: usar objetos para enfeitar o corpo e expressar vínculos. Mesmo com dúvidas sobre a distribuição das contas, as etapas preservadas revelam organização e habilidade em uma comunidade muito antiga.
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