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Arqueólogos analisam 627 pegadas gravadas em rochas há cerca de 3.800 anos e descobrem pares que quase nunca combinam

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
05/10/2026
Em Entretenimento
As diferenças entre os pares levantam dúvidas sobre o significado original dessas representações

As diferenças entre os pares levantam dúvidas sobre o significado original dessas representações

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Arqueólogos estudaram 627 podomorfos em mais de 140 sítios da região de Mälaren, na Suécia.↓ Ver no artigo
As gravuras foram feitas na Idade do Bronze, há cerca de 3.800 anos, em uma paisagem então mais próxima do mar.↓ Ver no artigo
Pares de pegadas quase nunca coincidem em tamanho, forma ou orientação; alguns juntam pés direitos ou um calçado e outro descalço.↓ Ver no artigo

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Resumo da matéria
01
627 marcas estudadas
O levantamento reuniu centenas de podomorfos, gravuras em forma de pés, espalhados por mais de uma centena de sítios na região sueca de Mälaren.
Amostra
02
Pares são assimétricos
Quando duas pegadas aparecem juntas, elas normalmente diferem em tamanho, forma, orientação ou detalhes como tiras representadas no desenho.
Padrão
03
Relações são hipótese
O pesquisador propõe que dois pés diferentes possam representar pessoas distintas e materializar vínculos, pedidos, acordos ou outras relações sociais.
Interpretação

As 627 pegadas em rocha estudadas na região de Mälaren, na Suécia, foram talhadas durante a Idade do Bronze. Muitos pares têm tamanhos, formas ou orientações diferentes, algo que pode ter sido intencional. O padrão abriu novas hipóteses sobre vínculos, acordos e rituais entre pessoas daquele tempo antigo.

O que são as 627 pegadas estudadas na Suécia?

As marcas são podomorfos, nome usado para gravuras que imitam pés ou solas. O levantamento reuniu 627 motivos em mais de 140 sítios da região de Mälaren, no centro-leste da Suécia, dentro de uma tradição de arte rupestre ligada à Idade do Bronze escandinava.

Esse tipo de imagem faz parte de uma tradição maior de arte rupestre escandinava. Em Mälaren, os pés aparecem em rochas que na Idade do Bronze ficavam mais próximas do mar, porque a paisagem costeira mudou com a elevação gradual do terreno.

Algumas pegadas parecem formar conjuntos, mas medidas e formatos raramente coincidem perfeitamente

Por que os pares chamaram tanta atenção?

O arqueólogo Fredrik Fahlander percebeu que pares de pegadas quase nunca são idênticos. Uma pode ser maior, mais larga, ter tiras desenhadas ou apontar em sentido diferente. Há casos com dois pés direitos lado a lado e outros com um pé calçado junto de um descalço.

O perfil de Fredrik Fahlander na Universidade de Estocolmo registra a pesquisa publicada em 2026. Em vez de tratar as diferenças como erros, o estudo pergunta se a assimetria foi planejada para representar algo sobre quem produziu cada marca.

O que pode explicar dois pés diferentes lado a lado?

Uma possibilidade é que cada marca representasse uma pessoa diferente. Nesse cenário, o primeiro pé poderia ser gravado em um momento e o segundo acrescentado depois, criando uma dupla que registraria uma relação, um acordo ou outra ligação considerada importante.

O pesquisador cita possibilidades como amizade, casamento, pacto ou pedido ritual, mas nenhuma delas foi demonstrada de forma definitiva. O valor da hipótese está em explicar por que tantos pares diferem justamente onde seria tecnicamente possível fazer duas marcas muito parecidas.

A seguir listamos quatro interpretações possíveis que aparecem como caminhos para explicar a formação dos pares:

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  • Relação pessoal: cada pé poderia representar um indivíduo diferente.
  • Acordo ou pacto: a dupla poderia materializar um compromisso entre duas partes.
  • Vínculo social: amizade ou casamento são possibilidades levantadas pelo pesquisador.
  • Pedido e resposta: um segundo pé poderia ser acrescentado depois de um desejo ou obrigação cumprida.
O padrão pode ajudar pesquisadores a entender por que essas imagens foram gravadas nas rochas

Leia também: Arqueólogos encontram um mosaico romano de 2.000 anos com peixes e golfinhos coloridos preservado como um aquário feito de pedra

Como água e rocha entram nessa interpretação?

Os podomorfos não aparecem distribuídos ao acaso. Muitos foram feitos perto de antigas margens e alguns pares apontam para depressões onde a água corre. Outras marcas atravessam veios de quartzo ou aproveitam faixas minerais visíveis na própria superfície da rocha.

Essas escolhas levaram o estudo a tratar as gravuras como algo mais do que simples desenhos. A posição na rocha, o contato com água e a presença de minerais podem ter participado do uso ou do significado das marcas, embora a função exata continue aberta.

A seguir listamos três relações com a paisagem que aparecem repetidamente no levantamento arqueológico:

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DADOS EM FOCO
Pegadas e paisagem
Síntese das relações espaciais observadas nos podomorfos de Mälaren
Elemento Padrão observado Possível importância
Água Pares voltados para áreas molhadas A localização pode fazer parte do uso
Minerais Marcas sobre veios e faixas A rocha não era suporte neutro
Antiga costa Concentração perto de margens Paisagem marítima influenciou a distribuição

O que ainda não se sabe sobre esses podomorfos?

A maior dúvida continua sendo o significado exato. A arqueologia consegue medir tamanho, posição, orientação e sobreposição, mas não existe texto da Idade do Bronze explicando por que alguém gravou um pé. Por isso, relações pessoais e rituais permanecem hipóteses construídas a partir dos padrões materiais.

Mesmo sem uma tradução definitiva, os 627 registros mostram que a diferença entre os pares é informação, não ruído. As pegadas em rocha foram feitas ao longo de muitos séculos e sugerem escolhas repetidas, capazes de transformar pés desenhados em pistas sobre como comunidades antigas marcavam relações e lugares.

Sua história pode virar reportagem

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Tags: arqueologiaIdade do BronzepetróglifosSuécia

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