Engenharia

Plataforma busca reduzir a dor de cabeça de construir uma casa

Processo ainda envolve burocracia, custos instáveis e múltiplos agentes. Startup mineira aposta em tecnologia para organizar etapas da obra

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Comprar um carro, contratar um seguro ou abrir uma conta bancária já pode ser feito em poucos minutos pelo celular. Construir uma casa, porém, continua entre as experiências mais complexas para quem busca um imóvel personalizado. Entre a escolha do terreno, projetos, aprovação de documentos, contratação de profissionais e controle dos gastos, muitos consumidores acabam desistindo da ideia e optam por imóveis prontos.

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É nesse cenário que a startup mineira GetHome aposta em uma plataforma que busca organizar e digitalizar parte desse processo.

Desafio

O sonho da casa própria segue presente entre os brasileiros, mas a construção ainda é vista como um caminho cercado de incertezas. Segundo Vinicius Bozzi Nonato, fundador da GetHome, foi essa dificuldade que motivou a criação da empresa: “A dor é de quem constrói casa. Esse foi o problema que a gente resolveu atacar”, afirma.

Na avaliação do empreendedor, o consumidor acaba assumindo um papel para o qual, na maioria das vezes, não está preparado. Além de escolher o terreno, precisa lidar com diferentes profissionais, acompanhar a obra, administrar compras e enfrentar mudanças constantes no orçamento: “A autoconstrução é extremamente dolorosa, fragmentada e sem qualquer garantia do que você vai encontrar em termos de escopo, prazo e quanto vai gastar”, diz.

Tecnologia

Em vez de atuar como uma construtora tradicional, a GetHome busca integrar etapas da construção em uma única plataforma digital.

O processo começa ainda antes da compra do terreno. A empresa reúne ofertas de lotes, utiliza inteligência artificial para identificar anúncios repetidos e permite avaliar a compatibilidade entre terreno e projeto antes da decisão de compra.

Na sequência, a plataforma estima aspectos técnicos como fundação, apresenta modelos de casas e permite que projetos desenvolvidos por arquitetos sejam incorporados ao sistema. O usuário consegue visualizar alterações de layout e acabamentos e acompanhar impactos no orçamento. 

Segundo Bozzi, parte da proposta está em reduzir o tempo gasto na fase de planejamento, que hoje costuma ser fragmentada: “Antes desse processo, só para descobrir se a casa cabia no terreno e quanto custaria a fundação, o cliente podia gastar de dois a três meses. Agora ele consegue fazer isso em poucos cliques”.

Apesar do uso de inteligência artificial, a empresa não substitui arquitetos, engenheiros ou construtoras. A execução das obras continua sendo feita por profissionais e empresas parceiras. Vinicius afirma que a proposta está na coordenação digital do processo: “A inteligência artificial aponta uma maior eficiência operacional para o setor. Os papéis continuam existindo, mas ficam mais instrumentalizados para buscar essa eficiência”.

Gestão

A tecnologia também acompanha a fase de execução da obra. Fotos, vídeos e registros diários alimentam sistemas de monitoramento que ajudam a identificar desvios no cronograma e reorganizar recursos ao longo da construção.

Vinicius explica que a proposta é usar dados da obra para ganhar previsibilidade no andamento do projeto. “A gente faz um monitoramento diário de obra com informações para análises preditivas, tanto do diário quanto das imagens, para conseguir alocar recurso de forma eficiente e garantir prazo”.

A operação da GetHome depende de uma rede de construtoras parceiras distribuídas por diferentes regiões, enquanto o controle do andamento das obras é centralizado internamente por meio da plataforma. “O controle de eficiência vem da plataforma e do acompanhamento constante, com um gerente de planejamento acompanhando diariamente e ajustando a execução”, diz Vinicius. 

Embora a proposta envolva automação de etapas de gestão, a empresa ainda está em fase inicial de validação em um setor historicamente complexo e sujeito a variações regionais, mantendo a execução final dependente de parceiros externos.

Previsão

Outro ponto da plataforma é a oferta de contratos com preço fechado e prazos previamente definidos, uma das principais dores de quem decide construir.

A empresa afirma utilizar modelos de previsão para estimar variações de insumos e tenta reduzir riscos por meio de negociação em escala e organização das equipes.

Segundo Bozzi, a proposta busca reduzir incertezas, mas ainda depende de fatores operacionais externos: “Quando você usa inteligência artificial para precificar, a gente diminui muito o risco de isso estourar. No final, essa ideia só faria sentido se ficasse mais barato para o cliente”, afirma.

No modelo adotado, o pagamento acompanha o avanço da obra. Em caso de interrupção, as parcelas podem ser suspensas até a retomada da execução.

Futuro

A proposta da empresa se insere em um movimento mais amplo de digitalização da construção civil, setor que historicamente apresenta baixa padronização e alta fragmentação.

A startup está em fase inicial de consolidação e depende da performance de parceiros locais para execução das obras, o que impõe desafios de escala e consistência.

Para Bozzi, a tecnologia não substitui profissionais, mas reorganiza a forma de trabalho: “Você não vai ser substituído pela inteligência artificial. Vai ser substituído por alguém que usa inteligência artificial para fazer o trabalho”, afirma.

A empresa pretende ampliar a plataforma para outros sistemas construtivos, como o light steel frame, método industrializado que utiliza estruturas leves de aço, além de aplicações em apartamentos na planta e reformas. A aposta é transformar a construção em um processo mais previsível e centralizado, embora ainda em estágio de validação no mercado.

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