Investimento em biometano pode colocar Minas na liderança de economia verde
Chamada pública pretende diversificar as fontes de energia que fomentam o estado, além de atrair investimentos empresariais para um projeto de R$ 1 bilhão
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A Cemig (Companhia Energética de Minas Gerais) e a Gasmig (Companhia de Gás de Minas Gerais) abriram um chamamento público para empresas que querem investir no desenvolvimento de biometano no Triângulo Mineiro. Com investimento de R$ 1 bilhão, o objetivo é causar a diversificação de energia no estado, ampliar o cumprimento de agenda sustentável e promover o consumo mineiro de energia produzida em solo mineiro.
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O biometano é um combustível renovável, sendo o segundo produto do biogás produzido a partir da retirada de um passivo ambiental. Conforme explicou o diretor técnico comercial da Gasmig, Rodrigo Pazzini, é um biogás “tratado” no sistema elétrico, em um procedimento que retira o gás carbônico e o material é transformado em biometano.
A região do Triângulo foi escolhida por diversas razões. Dentre elas está a concentração de 8,55% do PIB de Minas Gerais na região. Além disso, foi considerado o potencial de produção de biometano em razão da atividade agroindustrial forte e a proximidade entre produção e consumo, o que reduz custos logísticos.
Na visão do presidente da Cemig, Alexandre Ramos, a chamada pública ilustra a transição energética em convergência com o desenvolvimento econômico do estado mineiro. “Minas Gerais reúne todas as condições para liderar a economia de baixo carbono no Brasil: tem vocação agroindustrial robusta e um grupo Cemig preparado para integrar novas fontes renováveis”, comentou.
De acordo com o presidente da Gasmig, Gustavo de Marchi, além da ampliação da rede da companhia, o objetivo do chamamento vai ao encontro do avanço na agenda do clima, uma vez que o biometano é uma fonte de energia inovadora. “Há um dinamismo muito grande em relação à sua utilização e à sua conversão em energia, e identificamos no Triângulo Mineiro todas as condições precedentes de contorno para que esse projeto seja bem-sucedido”, afirmou.
Com isso, o investimento aproveitará o gás canalizado em concessão da Gasmig, em uma extensão de 400 km de rede. A expectativa é a produção de 256 mil metros cúbicos ao dia nos distritos industriais dos municípios de Araxá, Uberaba, Uberlândia e Indianópolis, o que poderá alcançar mais de 1 milhão de consumidores de energia. “Queremos prestigiar fornecedores dentro dos limites fronteiriços, com Minas gerando energia sustentável para os mineiros”, afirmou Marchi.
Caso o volume seja integralmente contratado, Minas poderá ampliar significativamente sua participação no mercado de biometano. O modelo adotado pela companhia também prevê soluções logísticas inéditas, permitindo o uso de gasoduto virtual, com transporte rodoviário em vez de tubulações físicas, além de futura conexão à infraestrutura física da região. Além disso, a expectativa é que o modelo seja replicado em outras regiões do país “pelo seu ineditismo e pelo cuidado que a Gasmig teve na sua concepção”, disse o presidente da Gasmig.
Ineditismo
A iniciativa marca a entrada efetiva da Gasmig no mercado de biometano com escala comercial e inaugura uma trajetória de contratação com expectativa de crescimento de ano a ano, seguindo metas estabelecidas pela Lei do Combustível Federal (Lei nº 14.993/2024) e pelo Decreto nº 12.614/2025, cuja regulamentação federal determina que o consumo de gás natural no país incorpore, no mínimo, 1% de biometano em 2026.
Até 2036, o percentual deve chegar a 10%. Na visão de Marchi, a chamada pública promove a recepção da normal legal do biometano em cenário estadual, além da transparência com uma fonte dinâmica e processo impessoal.
Dentre os impactos previstos estão a interiorização do gás canalizado, a diversificação da matriz energética, o fortalecimento da economia circular, a redução da emissão de carbono e descarbonização, além do aumento de competitividade industrial, que é esperada pelo Triângulo. Com isso, o aspecto de sustentabilidade atrelado a um crescimento orgânico pretende posicionar Minas Gerais na liderança nacional da economia verde.
Não é a primeira vez que as companhias divulgam chamamentos públicos para a produção de gás biometano. No entanto, os dois outros chamamentos não tiveram empresas contratadas. Conforme explicou a secretária de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, Mila Correa, chamamentos anteriores estavam em outro contexto normativo, antes do Marco Normativo federal e estadual, que agora permite um compartilhamento de infraestrutura.
Já Marchi explicou que as chamadas foram descontinuadas para que as companhias pudessem aderir às normas do Marco Legal que respalda o projeto, atender a todas as condições que surgiram no processo de produção do biometano e mirar consumidores âncoras, identificados a partir de um amplo estudo de mercado.
Com isso, haverá a complementação das fontes verdes de energia, que já conta com a fotovoltaica e o hidrogênio verde. O projeto pretende incentivar o investimento na produção estadual, que hoje conta com dois produtores contabilizados, já no Triângulo. Com isso, pretende-se ampliar o número de produtores e atrair investimento.
A expectativa ainda é da expansão para as regiões Centro-Oeste, que teve a inauguração do gasoduto em 2025, e Sul do estado, que também está na mira dos estudos governamentais com potenciais estratégicos em curso. Segundo Correia, o objetivo é que o gás possa ser compartilhado com as demais regiões mineiras.
Regras
Com isso, quando contratada, as produções passarão por monitoramento contínuo da qualidade e medição do gás, que deve atender às normas da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Como há a intenção de ampliação da ligação com outras redes da Gasmig, é necessário que o produto seja o mesmo e aprovado.
Além disso, será necessário que as empresas certifiquem a garantia do biometano, com cada uma delas precificando o atributo verde dentro das políticas internas. Os contratos têm duração de 10 anos, com compromissos equivalentes de métodos de pagamento 'take-or-pay', com pagamento de consumo mínimo pelo consumidor, ou 'delivery-or-pay', com garantia de entrega mínima diária por parte do produtor, em cenário de possibilidade de comercialização com atributo verde associado ao biometano.
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As submissões de propostas podem ser feitas até 3 de junho de 2026, com envio no e-mail chamadabiometano2026@gasmig.com.br. O edital completo pode ser acessado no site da Gasmig.