A gastronomia vai muito além de sabores, aromas e texturas. Ela também cria memórias, aproxima pessoas e transforma refeições em experiências de encontro e reencontro. Essa é justamente a proposta da quinta edição do Caminhos de Fogo, realizada nesse sábado (25/4), em Tiradentes, que adotou como tema deste ano a palavra “Encontros”.

No festival, o conceito se materializa de diferentes formas: no intercâmbio entre chefs de várias regiões do país, na troca de técnicas e culturas culinárias e, principalmente, no reencontro entre amigos que compartilham a paixão pela cozinha de fogo.

Amizade e criatividade

Entre os participantes está Felipe Fernandes, o Fih, que veio de São Paulo para mais uma edição do evento. Desta vez, o chef participou do jantar que antecedeu a programação principal e celebrou o clima de parceria entre os convidados. “Todos aqui são amigos, e não tem nada melhor do que trabalhar com eles”, afirma.

Em fase de abertura do terceiro restaurante na capital paulista, Fih tem se destacado nos últimos anos pelo trabalho com frutos do mar. No festival, ele mostrou que ingredientes tradicionalmente associados à delicadeza também têm espaço na brasa. Para o chef, a fumaça deve ser entendida como um ingrediente capaz de transformar preparos.

“Quando você adiciona a fumaça aos frutos do mar, dá uma nova conotação para eles. Você faz um churrasco de frutos do mar. Temos steak de atum com crosta de pimenta, servido como se fosse um ancho, além de mexilhões, polvo e camarão na brasa. Até cogumelos e legumes ganham esse aproveitamento”, explica.

Um desafio

Outro nome de destaque foi o chef Rafa Gomes, vencedor do MasterChef Profissionais de 2018 e natural do Rio de Janeiro. Em sua estreia no Caminhos de Fogo, ele apostou alto, levando cerca de 500 quilos de frutos do mar para servir ao público em um cioppino de frutos do mar.

Acostumado ao ambiente de cozinha, Rafa conta que o maior desafio foi lidar com a imprevisibilidade do fogo, especialmente em um evento cercado por mestres da charcutaria e do churrasco tradicional. “O fogo você não controla, você guia”, resume.

O chef Felipe Fernandes, o Fih, veio de São Paulo para o evento

Nara Ferreira / EM / DA Press

Apesar do desafio, o resultado foi um sucesso. Durante todo o dia, a fila em seu estande permaneceu constante, com visitantes retornando mais de uma vez para repetir os pratos. Para o chef, isso revela o perfil do público mineiro.

“O povo mineiro vem ao evento não só para beber, mas porque quer comer bem. Isso é muito gratificante”, destaca.

Rafa também valorizou a oportunidade de sair da rotina intensa dos restaurantes e ter um contato mais próximo com o público. “No dia a dia da cozinha, nem sempre conseguimos essa troca direta com quem está provando o prato. Aqui é diferente”, observa.

Além da experiência gastronômica, o chef celebrou ainda o reencontro com amigos de longa data e a chance de conhecer novos profissionais que a carreira proporciona.

Minas Gerais representada

Entre os poucos representantes mineiros no evento, Mário Portella trouxe ao festival o “Franguin Delícia”, uma paella feita com cortes inspirados na culinária mineira.

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Para o chef, o evento reforça o espírito de conexão que marca esta edição. “Foi ótimo participar de mais uma edição, reencontrar amigos, conhecer novas pessoas e viver esse intercâmbio de ideias e sabores”, afirma.

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