O Local é Mais Legal (L+L ) se tornará uma chancela para amplificar o impacto social por uma rota de crescimento alternativa e independente. A longo prazo, o projeto deverá ampliar sua parceria com marcas locais, bares e restaurantes que já integram o circuito gastronômico de BH ou região -  (crédito: Nani Rodrigues/Divulgação)

O Local é Mais Legal (L+L ) se tornará uma chancela para amplificar o impacto social por uma rota de crescimento alternativa e independente. A longo prazo, o projeto deverá ampliar sua parceria com marcas locais, bares e restaurantes que já integram o circuito gastronômico de BH ou região

crédito: Nani Rodrigues/Divulgação

Tudo a ver lançar na festa mais democrática e inclusiva do Brasil - especialmente, nas ruas de Belo Horizonte - uma iniciativa que se preocupa com o social. Um coletivo de produtores de bebida de BH se apresentará neste carnaval com o projeto "Local é Mais Legal". A proposta visa unir e desenvolver o ecossistema de bebidas locais e reforçar a identidade da capital, unindo soluções para bares, restaurantes, ambulantes e eventos da cidade. E a ideia final é desenvolver o empreendedorismo criativo local e gerar impacto positivo nas cadeias produtivas.


Assim, a Cervejaria Viela, juntamente com as marcas parceiras YVY Destilaria, Equilibrista, Xeque Mate e Lamparina Cachaçaria, se unem em torno desse projeto. Rafael Quick, diretor de projetos e comunicação do Grupo Viela e responsável pela concepção “Local é Mais Legal”, destaca que a ideia nasceu do caráter colaborativo do meio.

"O mundo da cerveja é assim. O equipamento de alguém quebrou o outro empresta. Um ajuda o outro e foi assim desde o boom, há sete anos. Claro, é tendência natural que, quando uma cervejaria cresce, vira negócio, a lógica é cada um por si. Mas, muitas vezes, a trajetória é difícil porque o mercado é pautado pelos grandes players. Mas o posicionamento da Vilela é investir em bebidas locais. Desde o início, no movimento do Mercado Novo, ficamos um bom tempo sem ter as grandes marcas. E, sim, temos potencial e com o projeto pretendemos dar mais potência a esta visão. Ele nasce para impactar o consumo de marcas locais”.


Concebida inicialmente pelo Grupo Viela e construída coletivamente com os patronos e apoiadores do projeto (lista que inclui Catuçaí do Nandão e outros empreendimentos), a iniciativa foi criada para promover a capital mineira como centro de inovação na área de gastronomia e produção de novas bebidas, ao mesmo tempo em que promove novos pontos de venda e melhor distribuição de renda.

Para Rafael Quick, não tem melhor oportunidade para o lançamento do que o carnaval de rua de Beagá.

"Desde a explosão do carnaval, nos últimos 10 anos, o belo-horizontino e o mineiro estão se descobrindo como potência, estão entusiasmados com a cidade, se apaixonando por BH, recebendo paulistas, cariocas e gringos. Chegamos para fortalecer isso. Há uma convergência para o made in Minas, não só geracional, mas de todas as turmas, valorizar o que é feito em Minas e divulgar, apostar, investir. E a relação com a festa do carnaval, a celebração, está intimamente ligada às bebidas, inclusive, com as bebidas locais. Tem produção cultural local interessante, gera encontro, movimenta uma grana que, em vez de ir para fora, só para os grandes patrocinadores, que fique parte também na cidade. E não só para as marcas de cerveja e cervejarias, mas para uma cadeira inteira. Ou seja, remunerar melhor o ambulante, o entregador de gelo, enfim, ao longo da distribuição. Um olhar não de concorrente, mas de parceria e inovação. De forma pragmática, a bebida tem um potencial econômico enorme, gira muito dinheiro, e apesar de ter algum tabu, é significativa e, sim, podemos gerar uma cadeia mais positiva."

Rafael Quick, diretor de projetos e comunicação do Grupo Viela e responsável pela concepção "Local é Mais Legal"

Rafael Quick, diretor de projetos e comunicação do Grupo Viela e responsável pela concepção "Local é Mais Legal", destaca que 'desde a explosão do carnaval, o belo-horizontino e o mineiro estão se descobrindo como potência, estão entusiasmados com a cidade, se apaixonando por BH, recebendo paulistas, cariocas e gringos. Chegamos para fortalecer isso'

Bernardo Silva/Divulgação

Rafael conta que o projeto foi pensado há tempos, uma fagulha na pandemia com o serviço de delivery, mas o carnaval 2024 se mostra como um bom momento para testá-lo, lançar o projeto piloto e, melhor ainda, lidando com os ambulantes legalizados pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH): “É um teste, queremos perceber a reação. Não será uma presença massiva, mas estaremos atuando”.

Indústria criativa do álcool


Aproveitando o momento único e favorável pelo qual a indústria criativa do álcool local está passando (com o crescimento nacionalmente capitaneado por marcas como Xeque Mate), a missão é sugerir modelos de distribuição mais comprometidos com a distribuição de renda. Minas Gerais é hoje o segundo maior polo de microcervejarias do país, grande parte concentrada na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com fartura de grandes marcas locais com potencial escalável.

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Caso da Xeque Mate, uma das empresas de bebidas com maior crescimento e valor de mercado em muitas partes do país. Do Guaramão, refrigerante de BH que mistura guaraná e limão. E da YVY Destilaria, especializada em gim e drinques prontos, que já foi premiada algumas vezes e ganha cada vez mais visibilidade nacional.

Mulheres periféricas

O piloto do “Local é Mais Legal” contará com a contratação preferencialmente de mulheres periféricas, chefes de família, que já tenham alguma experiência como ambulante, para comandarem os carrinhos móveis da marca que vão circular pelos principais pontos de folia de BH com um mix de bebidas de produtores locais.


“Estamos nos inspirando no perfil de microcrédito criado por Muhammad Yunus, que revolucionou a economia indiana, para trazer mais segurança econômica a pessoas em vulnerabilidade social”, explica Rafael Quick. Um grupo de ambulantes será escalado para trabalhar ao longo dos cinco dias de carnaval para fazer o primeiro teste de execução do projeto.

Bares populares, APP's, motoboys e catadores

Outros pontos de venda, como comércios e bares populares, também já estão sendo cadastrados para fazer parte do movimento e vão ser identificados pelos freezers adesivados com a logo do projeto e abastecidos com variedade de produtos locais.

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Assim, de acordo com Rafael, o L+L (Local é Mais Legal) se tornará uma chancela para amplificar o impacto social por uma rota de crescimento alternativa e independente. A longo prazo, o projeto deverá ampliar sua parceria com marcas locais, bares e restaurantes que já integram o circuito gastronômico do município ou região, além de entregadores de aplicativo, cooperativas de motoboys e de catadores, que hoje fazem parte fundamental do trabalho de logística e distribuição sem a devida remuneração.

A ideia, conforme o idealizador, é promover um ciclo virtuoso que relembre e promova a origem de marcas locais, expanda os mercados e gere impactos socioeconômico e promova a cidade como criadora de tendências na gastronomia e economia criativa.

Bebidas locais que os foliões devem conhecer

  • Guaramão
  • Xeque Mate
  • Lambe Lambe
  • O'Gin
  • Uísque Lamas
  • Rum Benericks
  • Jambruna, a cachaça mineira com jambu da Amazônia
  • Yvy
  • Zuur
  • Gin-Gibre
  • Vanfall
  • Gin Jimmy, da Cervejaria Läut
  • Cervejaria São Sebastião
  • Cervejaria Falke
  • Cervejaria Vinil
  • Cervejaria Capa Preta
  • Cervejaria Sátira
  • Cervejaria Verase
  • Catuçaí do Nandão
  • Tradicional Limonada