RAINHA DOS BAIXINHOS

'Sem querer falar de política, acabei fazendo política', diz Xuxa

Em entrevista ao Estado de Minas, apresentadora avalia as reações ao figurino de seu show "O último voo da nave", que chega a BH em novembro, e provoca críticos

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“Se eu fosse homem, com a minha idade, nada disso teria acontecido.” É assim que Xuxa resume, em entrevista ao Estado de Minas, a polêmica que marcou a estreia da turnê “O último voo da nave”, na última semana, em São Paulo. Aos 63 anos, a apresentadora virou assunto nas redes sociais após subir ao palco usando maiôs cavados que deixavam parte da virilha à mostra.

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A artista deu início à turnê na capital paulista com duas apresentações esgotadas no Nubank Park e já anunciou uma terceira data para o próximo ano. O espetáculo chega à Arena MRV, em Belo Horizonte, no dia 14 de novembro.

Na segunda noite em São Paulo, na última sexta-feira (31/7), Xuxa ficou emocionada ao ver o estádio lotado e admitiu que não imaginava ser capaz de encher o espaço. Também se surpreendeu ao perceber que as pessoas ainda gostam tanto dela, conforme ela mesma disse ao público.

O figurino continuou sendo assunto no segundo show. Desta vez, Xuxa apareceu usando meia-calça e respondeu às críticas com bom humor. “Hoje eu botei meia. Não vão conseguir ver”, brincou, antes de fazer um agachamento. Em seguida, virou de costas, repetiu o movimento e completou: “Só um pouquinho”.

Responsável pelos looks da turnê, a estilista Michelly X rebateu as críticas dizendo que “antigamente era bem mais cavado”. Nos programas de TV, Xuxa se vestia com roupas extravagantes e divertidas porque queria parecer um brinquedo. No show, não é diferente.

Questionada sobre a repercussão do figurino, a apresentadora defende a autonomia das mulheres sobre o próprio corpo e critica o machismo. “Nós, mulheres, decidimos quem encosta na gente. A gente veste o que quer. A gente fala o que quer. A gente faz o que quer”, diz ao EM.


Uso da voz

Ela pontua que, se descesse da nave usando as roupas de alfaiataria que usa atualmente no dia a dia, não faria sentido. “Botei a roupa dos anos 80, 90 e as chuquinhas. Eu sabia que as pessoas iam querer ver isso”, afirmou. “Sem querer falar de política, acabei fazendo política. Já que a gente tem um microfone na mão, tem voz para isso.”

“Eu acho que isso incomoda muito as pessoas que acham que mulher não pode falar, que mulher não deve falar, que não deve votar, que mulher não pode ser feliz, né, gente? Eu ouvi uma mulher falando que as mulheres têm que transar com seus maridos mesmo não querendo… Não mesmo!”, completa.

Sem papas na língua, comenta a repercussão da polêmica. “Eu sabia que isso eu ia estar fazendo só para essas pessoas que gostam de mim. É que eu não sabia que ia atingir as pessoas que não gostam de mim. Mas foi muito bom, porque elas divulgaram muito o meu show. Aliás, eu queria que, por favor, continuem fazendo isso, porque eu quero fazer show em muitos outros lugares, tá?”, diz.

O espetáculo conta com projeções, efeitos visuais, personagens da Turma da Xuxa e uma nave cenográfica de seis metros de altura e 400 quilos. A estrutura foi construída pela mesma empresa holandesa responsável por objetos de cenografia de turnês de Beyoncé.


Problemas técnicos

Na estreia, a alegoria apresentou problemas técnicos e as luzes não acenderam, mas funcionou normalmente na segunda apresentação. No encerramento do show, Xuxa é “abduzida” pela nave e deixa o palco suspensa por um cabo.

Xuxa aponta que o maior diferencial da turnê está no encontro entre gerações. Outro momento marcante é o reencontro com as Paquitas, que voltam ao palco, a despeito das polêmicas despertadas pelo documentário “Pra sempre Paquitas” (Globoplay), que expôs conflitos e episódios difíceis vividos por ex-integrantes do grupo.

A artista diz que as ajudantes de palco são “um show à parte”. “Tenho certeza de que as pessoas que me viam na televisão não me viam sem elas atrás ali. Então essa imagem das meninas é muito necessária”, observa. Ela afirma que gostaria de reunir ainda mais ex-assistentes de palco. “As Paquitas que não estão ali eu queria que estivessem, mas algumas não puderam, outras não quiseram”, diz.

Ao longo da carreira, a gaúcha Maria da Graça Meneghel sempre fez questão de dizer que não se considera cantora. Na nova turnê, mantém a sinceridade e faz playback das 31 músicas do repertório. Ela explicou ao público que o objetivo nunca foi esbanjar potência vocal, mas proporcionar diversão e nostalgia.

Quem chamou a atenção na plateia do último show foi o cantor pop canadense Shawn Mendes, namorado de Bruna Marquezine, amiga de Sasha. Luciano Szafir, pai da filha de Xuxa, e Eliana também prestigiaram o espetáculo.

A apresentadora revela ter uma superstição antiga com Minas Gerais. Durante muitos anos, fazia questão de iniciar suas turnês pelo estado, que considera um termômetro para o restante do país.

“Eu sempre queria começar por Minas porque achava que ia me dar sorte. O público mineiro sempre foi muito exigente e, quando dava certo lá, eu pensava: 'Vai dar certo em qualquer lugar'. Estou louca para sentir esse carinho de novo”, conta. Além de Belo Horizonte, “O último voo da nave” tem apresentações agendadas em Curitiba e no Rio de Janeiro.

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“O ÚLTIMO VOO DA NAVE”
Turnê de Xuxa. Dia 14 de novembro, às 20h, na Arena MRV (Rua Cristina Maria de Assis, 202 - Califórnia). Ingressos à venda na plataforma Eventim, com valores que variam de R$ 195 (inteira) para as cadeiras até R$ 1.495 para o pacote VIP.

 

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