Geraldo Azevedo traz o show ‘Oitentação’ a BH
Apresentação neste sábado (11/7), no Palácio das Artes, faz retrospectiva da carreira do pernambucano e tem ‘Sal da terra’ no repertório, em homenagem a Minas
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O ano era 1972. A Jovem Guarda dominava as rádios e fazia a cabeça da rapaziada. Tudo era festa para o pessoal do iê-iê-iê. Menos para os artistas escanteados pela nova onda do momento. Entre eles, Jackson do Pandeiro (1919-1982).
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O Rei do Ritmo andava chateado por não ter mais espaço nas gravadoras, quando bateram à sua porta dois cabeludos. Achou que fossem garotos influenciados pela moda e os recebeu com desconfiança. A dupla, no entanto, só queria mostrar uma embolada composta pouco tempo antes. Eram Geraldo Azevedo e Alceu Valença.
“Quando a gente começou a tocar e cantar, ele se rendeu”, lembra Geraldo, aos risos. “Fomos lá propor que ele cantasse ‘Papagaio do futuro’ com a gente no Festival da Canção. Botamos na cabeça que tinha de ser ele. E conseguimos.”
Cinco décadas depois, o cantor e compositor pernambucano ainda guarda com carinho a lembrança do encontro. Não por acaso. Aos 81 anos, comemorados na turnê “Oitentação”, Geraldo Azevedo continua atribuindo boa parte da formação artística aos mestres que o conectaram às raízes nordestinas.
A apresentação chega a Belo Horizonte neste sábado (11/7), no Palácio das Artes. O projeto começou no ano passado, quando o músico completou 80 anos, e acabou ganhando segunda etapa.
Tentação
“Algumas pessoas não entenderam que o nome da turnê aludia à minha idade. Ouvi gente falando que se tratava de ‘Oi, tentação’. É uma boa interpretação também”, brinca.
Novidade no repertório é a versão de “Sal da terra”, música de Beto Guedes e Ronaldo Bastos. Além de aludir à questão ambiental, a escolha da canção também funciona como homenagem a Minas Gerais, estado que ocupa lugar especial na trajetória do artista.
Foi em Belo Horizonte e nas rodas de artistas ligados ao Clube da Esquina que Geraldo encontrou algumas de suas referências. Frequentador dos encontros promovidos por Milton Nascimento, ele acompanhou gravações e ouviu composições ainda inacabadas.
“Eu já era ligado à bossa nova, mas aqueles mineiros tinham uma sonoridade própria, universal e, ao mesmo tempo, profundamente brasileira”, diz.
A amizade com Bituca foi especialmente marcante. Geraldo conta que, apesar de não ser nordestino, Milton o ajudou a redescobrir a própria identidade nordestina. “Quando o conheci, percebi que ele tinha uma coisa sertaneja muito forte. Foi como se ele tivesse me devolvido o sertão…”
A relação dos dois traz uma das histórias mais curiosas da carreira de Geraldo. Nos anos 1970, ele ouviu do próprio Bituca a canção “Paula e Bebeto”, ainda sem letra. Gostou tanto do que ouviu que acabou aprendendo. Quando Caetano Veloso escreveu a letra, decidiu interpretá-la em um show de televisão. “Bituca me viu cantando e insistiu para eu gravar. Gravei. Aí, o próprio Caetano disse que a melhor versão dessa música foi a que eu fiz”, recorda.
A gravação acabou se tornando uma das mais conhecidas do repertório do pernambucano e ajudou a consolidar uma parceria artística que sobrevive há décadas. Uma relação que ajuda a explicar por que, mesmo trazendo a cultura nordestina em suas canções, ele também se considera um pouco mineiro. “É que nasci às margens do Rio São Francisco, que tem nascedouro em Minas Gerais. Então, desde criança eu bebo as águas de Minas”, resume.
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“OITENTAÇÃO”
Show de Geraldo Azevedo. Neste sábado (11/7), às 21h, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Últimos ingressos à venda por R$ 250 (plateia 2 / inteira) e R$ 200 (plateia superior / inteira), no Sympla e na bilheteria. Meia-entrada na forma da lei e meia-solidária mediante doação de 1 kg de alimento não perecível. Mais informações: (31) 3236-7400.