Famosos homenageiam Benedito Ruy Barbosa
Artistas que trabalharam com Benedito Ruy Barbosa lamentaram sua morte e exaltaram personagens e histórias que marcaram gerações
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A morte de Benedito Ruy Barbosa, nesta terça-feira (7/7), aos 95 anos, provocou uma onda de homenagens de artistas que fizeram parte da trajetória do dramaturgo. Atores, autores e diretores lembraram o legado deixado pelo escritor, responsável por clássicos como “Pantanal”, “Renascer”, “O rei do gado”, “Terra Nostra" e “Velho Chico”.
Em entrevista à GloboNews, Tony Ramos destacou a capacidade de Benedito de transformar o Brasil e seu povo em grandes histórias. "A perda do Benedito, sem dúvida, é a perda de um brasileiro espiando a nossa gente com maravilhosas intenções. Ele era um homem muito criativo, dava vazão à sua imaginação, ao seu sonho, àquele menino do interior e também ao grande publicitário que ele foi", afirmou o ator, que interpretou o coronel Boanerges no remake de “Cabocla”.
Tony também relembrou conversas que teve com o novelista sobre a forma de retratar o país sem recorrer a estereótipos. "A gente conversou sobre o país, como olhar o país sem panfletagem, entendendo a alma brasileira, as dores brasileiras e, claro, as grandes alegrias do brasileiro que se reinventa na dor, no cotidiano, nas buscas e necessidades. Isso tudo estava na obra dele", disse.
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A atriz e cantora Zezé Motta também ressaltou a importância do autor para a dramaturgia nacional. "Benedito tinha um olhar raro para o Brasil, para a nossa gente, para as nossas raízes. Seus personagens eram vivos, humanos e cheios de verdade. Ele nos ensinou que contar histórias também é preservar a memória de um povo", escreveu.
Gloria Pires, que viveu a protagonista de “Cabocla” na primeira versão da novela, definiu Benedito como um contador de histórias que permanecerá vivo por meio de sua obra. "Benedito se foi? Um contador de histórias nunca se vai. Cada vez que alguém acessar as personagens, os universos que criou, ele estará lá, mais vivo que nunca”, disse.
Uma das personagens mais marcantes da carreira de Cristiana Oliveira, Juma Marruá, nasceu das mãos do dramaturgo em “Pantanal” (1990). Em homenagem ao autor, a atriz lembrou a oportunidade que recebeu do autor. "Foi-se uma lenda. Benedito apresentou à TV brasileira a realidade do homem do campo, dos interiores, da vida simples, sem perder o folhetim, as tramas, os amores e os romances”, lamentou.
Ela também agradeceu pela confiança recebida quando foi escalada para protagonizar a novela. "Bené me deu um início, uma vida pública. Acreditou que aquela menina de 26 anos, sem experiência, poderia fazer uma personagem pura, sincera, ingênua, forte e destemida, a protetora do Pantanal. Terei o Benedito sempre em mim e na minha gratidão”, finalizou.
Lavínia Vlasak recordou a participação em “O rei do gado” e agradeceu pela oportunidade. "Uma dessas histórias foi O Rei do Gado, novela que fez parte de mim de um jeito muito especial. Mudou a minha trajetória. Agradeço pela linda oportunidade com que você me presenteou”, publicou nas redes.
Regiane Alves, que viveu Belinha no remake de “Cabocla” (2004), afirmou que Benedito "retratou o nosso Brasil como ninguém" e agradeceu pela personagem e pelas amizades construídas durante o trabalho.
E hoje perdemos o grande Benedito Ruy Barbosa, autor que retratou o nosso Brasil como ninguém. Obrigada pela Belinha e pelas as amizades que vieram através desse trabalho tão especial que foi Cabocla pic.twitter.com/l9mUxl58No
— Regiane Alves (@RegianeAlves) July 7, 2026
Já Vanessa Giácomo, que estreou na teledramaturgia na nova versão de “Cabocla”, relembrou que o dramaturgo lhe deu a primeira oportunidade na televisão. "Hoje nos despedimos de uma pessoa maravilhosa que me deu a chance do meu primeiro trabalho. Sou eternamente grata por todo o apoio e carinho que recebi”, escreveu nos stories.
Em entrevista ao gshow, Claudia Raia contou um episódio dos bastidores de Terra Nostra. Escalada para interpretar a espanhola Hortência, a atriz revelou que Benedito chegou a cogitar reduzir sua participação por considerar o papel pequeno para uma atriz de sua projeção. Segundo Claudia, ela insistiu em permanecer no elenco. Falei: 'Eu faço ficar grande. Vamos embora, vamos trabalhar'. Anos depois, ela admitiu que o autor tinha razão. Ele tinha toda razão. Jamais farei isso de novo. Aprendi com ele a não fazer isso com o autor”, relatou.
A atriz também definiu Benedito como "um gênio, um grande dramaturgo, excepcional, dono de grandes sucessos e grandes histórias".
A atriz Giullia Buscaccio, que participou de “Velho Chico” e do remake de “Renascer”, afirmou que trabalhar em obras do dramaturgo mudou sua vida. "O Benedito ajudou a construir a história da dramaturgia brasileira com personagens inesquecíveis, com um olhar profundo sobre o nosso povo e uma forma única de transformar o Brasil em poesia”, agradeceu.
Já o diretor Jayme Monjardim, parceiro de Benedito em sucessos como “Pantanal”, “Sinhá Moça” e “Terra Nostra”, afirmou que o novelista transformou a história da televisão brasileira. "Benedito Ruy Barbosa mudou a história da televisão brasileira e, com isso, mudou também a minha história. Pantanal é um marco da nossa dramaturgia e um divisor de águas na minha carreira”, disse ao jornal O Globo.
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Para o diretor, o autor permanecerá vivo por meio da obra dele. "Ele foi tão grande que nunca vai morrer. As suas histórias ficam encantando novas gerações de brasileiros. Benedito soube traduzir a alma do nosso país com histórias inesquecíveis, sempre trazendo temas sociais sem deixar de emocionar”, finalizou.