As mocinhas que marcaram as novelas de Benedito Ruy Barbosa
Autor criou algumas das personagens femininas mais marcantes da TV, unindo força, romance e o universo rural brasileiro
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A morte de Benedito Ruy Barbosa, nesta terça-feira (7/7), aos 95 anos, reacendeu a memória de novelas que marcaram gerações e transformaram a televisão brasileira. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, o dramaturgo criou personagens inesquecíveis, mas foram suas protagonistas femininas que ajudaram a consolidar um dos legados mais importantes da teledramaturgia nacional.
Distantes do perfil tradicional da mocinha frágil e passiva, as heroínas de Benedito eram mulheres fortes, determinadas e profundamente ligadas ao universo rural brasileiro. Agricultoras, sertanejas, imigrantes e figuras cercadas por lendas populares conduziam histórias em que o romance dividia espaço com conflitos familiares, disputas por terra e transformações sociais. Mais do que protagonistas de grandes histórias de amor, elas eram o motor das narrativas do autor.
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Entre todas as personagens criadas por Benedito, nenhuma alcançou o status de Juma Marruá, protagonista de “Pantanal” (1990). Vivida por Cristiana Oliveira na versão original da novela, a jovem criada em meio à natureza carregava a fama de se transformar em onça quando ameaçada, misturando realismo e misticismo como poucas personagens da televisão brasileira.
Arisca, independente e avessa às convenções da sociedade, Juma rapidamente conquistou o público e transformou Cristiana Oliveira em um fenômeno nacional. O sucesso da personagem ajudou a consolidar “Pantanal” como uma das novelas mais importantes da história da TV brasileira e fez dela um dos maiores símbolos da dramaturgia nacional.
Mulheres fortes
Se Juma representava a conexão com a natureza, Luana Berdinazzi simbolizava a resistência. Interpretada por Patrícia Pillar em “O rei do gado” (1996), a personagem era uma trabalhadora rural que escondia sua verdadeira origem e acabava envolvida na rivalidade entre duas tradicionais famílias descendentes de imigrantes italianos.
Ao lado de Antônio Fagundes, formou um dos casais mais lembrados da televisão. Enquanto desenvolvia uma história de amor, a novela discutia temas como reforma agrária, concentração fundiária e pertencimento, características recorrentes na obra de Benedito.
Já em “Terra nostra” (1999), Benedito voltou o olhar para outro tema recorrente em sua trajetória: a imigração italiana. A protagonista Giuliana, interpretada por Ana Paula Arósio, chega ao Brasil ao lado de milhares de imigrantes em busca de uma vida melhor no fim do século XIX. Separada de Matteo (Tiago Lacerda) durante a viagem, passa a enfrentar dificuldades para reconstruir a própria vida em um país desconhecido.
A novela tornou-se um dos maiores sucessos do fim da década de 1990 e consolidou Ana Paula Arósio como uma das principais protagonistas da televisão brasileira.
Em “Renascer” (1993), Benedito apresentou uma personagem que permanece viva na memória dos telespectadores mesmo aparecendo apenas na primeira fase da trama. Interpretada por Patrícia França, Maria Santa é uma jovem marcada pela religiosidade e pela força espiritual, cuja relação com José Inocêncio define os rumos de toda a novela.
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A morte precoce transforma a personagem em uma presença constante na história, influenciando decisões, conflitos familiares e o destino dos protagonistas. A personagem tornou-se um dos papéis mais marcantes da carreira da atriz e uma das figuras mais emblemáticas da obra de Benedito.