SÉRIES E NOVELAS

Relembre as principais obras de Benedito Ruy Barbosa

Autor é responsável por grandes sucessos da teledramaturgia brasileira, como "Pantanal" e "Terra nostra"

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dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa, um dos maiores autores da história da televisão brasileira, morreu nesta terça-feira (7/7), aos 95 anos, em São Paulo, devido a complicações decorrentes de insuficiência renal crônica. Autor de sucessos que atravessaram gerações, o dramaturgo transformou paisagens rurais, conflitos familiares e histórias de amor em grandes fenômenos de audiência.

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As obras também abriram espaço para temas como reforma agrária, imigração italiana, preservação ambiental e as tradições do interior do Brasil. Relembra algumas produções:

“Meu pedacinho de chão” (1971)

Primeiro grande sucesso de Benedito, a novela marcou a estreia do dramaturgo na TV Globo, em uma produção realizada em parceria com a TV Cultura. A trama conta a história da professora Juliana (Renée de Vielmond), que chega à fictícia vila de Santa Fé para lecionar para crianças. Lá, ela encontra um povo acuado com os desmandos do coronel Epaminondas (Castro Gonzaga). A professora conhece o amor altruísta do peão Zelão (Maurício do Valle), sempre disposto a protegê-la de Fernando (Ênio Carvalho), filho do coronel, um playboy mau-caráter que voltou da capital, onde gastou todo o dinheiro que o pai lhe mandara para os estudos.

Décadas depois, em 2014, o próprio autor escreveu uma nova versão da obra, desta vez com estética lúdica e visual inspirado em contos de fadas. Benedito dizia que, no remake, conseguiu colocar no ar ideias que haviam sido vetadas pela censura militar na primeira versão.

“Sítio do Picapau Amarelo” (1977)

Embora seja lembrado principalmente pelas novelas, Benedito também escreveu para o público infantil. Foi o principal autor da clássica versão de “Sítio do Picapau Amarelo”, exibida pela Globo entre 1977 e 1986 e baseada na obra de Monteiro Lobato. A série marcou gerações de crianças ao reunir personagens como Emília (Dirce Migliaccio), Narizinho (Rosana Garcia), Pedrinho (Júlio César), Dona Benta (Zilka Salaberry), Tia Nastácia (Jacira Sampaio) e Visconde de Sabugosa (André Valli) em aventuras que misturavam fantasia, folclore e literatura.

“Cabocla” (1979)

Adaptando o romance de Ribeiro Couto, Benedito consolidou sua reputação como especialista em retratar o Brasil rural. A novela acompanha o romance entre Zuca (Glória Pires), a jovem cabocla, e o advogado Luís Jerônimo (Fábio Jr.), enquanto explora disputas políticas e diferenças sociais no interior do país. 

Na trama, Luís Jerônimo, um rapaz rico e mulherengo, vai passar um tempo na fazenda do primo, o Coronel Boanerges (Cláudio Corrêa e Castro), para tratar da saúde e lá conhece Zuca. Para viver o amor proibido, eles enfrentam muita resistência por conta das diferenças sociais e do noivado da moça. O sucesso foi tão duradouro que ganhou um remake em 2004, protagonizado por Vanesa Giácomo e Daniel de Oliveira. 

“Paraíso” (1982)

Misturando romance, religiosidade e elementos do imaginário popular, “Paraíso” conta a história de amor entre o jovem peão José Eleutério (Kadu Moliterno), conhecido como "o filho do diabo", pois o pai, o velho coronel Eleutério (Cláudio Correa e Castro), possui uma garrafa com um "diabo" dentro dela, e Maria Rita (Cristina Mullins), conhecida como Santinha, por lhe atribuírem milagres quando criança, e cuja mãe, a beata Dona Mariana (Eloísa Mafalda), faz de tudo para que seja freira.

A obra tornou-se um clássico da faixa das 18h e voltou ao ar em uma nova versão escrita pelo próprio Benedito em 2009.

“Sinhá moça” (1986)

Ambientada no período da campanha abolicionista, a novela abordou a luta contra a escravidão por meio da história de amor entre Sinhá Moça (Lucélia Santos) e Rodolfo (Marcos Paulo). A novela é baseada na obra homônima de Maria Dezonne Pacheco Fernandes. Na trama, Sinhá Moça está de volta a Araruna após concluir seus estudos na capital e choca a sociedade local ao demonstrar ideais abolicionistas e enfrentar o autoritarismo e a crueldade do pai, o Coronel José Ferreira (Rubens de Falco), com os escravizados. Durante a viagem de trem de volta para a cidade, ela conhece e se apaixona pelo jovem advogado Rodolfo. Ele também é um republicano convicto e um ativo defensor da abolição. Para conquistar a confiança do pai da moça e se aproximar da amada, Rodolfo finge apoiar o regime escravagista.

A trama foi um dos maiores sucessos da década de 1980 e ganhou um remake em 2006, novamente assinado por Benedito Ruy Barbosa.

“Pantanal” (1990)

Considerada obra-prima de Benedito Ruy Barbosa, “Pantanal” foi produzida pela extinta TV Manchete e revolucionou a dramaturgia brasileira ao priorizar gravações em locações naturais, valorizando as paisagens do bioma pantaneiro. A novela acompanha a saga familiar de José Leôncio (Cláudio Marzo) e o romance entre o filho dele, Jove (Marcos Winter) e a jovem selvagem Juma Marruá (Cristiana Oliveira), misturando realismo rústico e folclore místico no coração do Centro-Oeste brasileiro.

A novela se tornou um fenômeno de audiência. Em 2022, ganhou um remake escrito por Bruno Luperi, neto de Benedito.

“Renascer” (1993)

Após retornar à Globo, Benedito lançou outro clássico. Ambientada na zona cacaueira da Bahia, “Renascer”  acompanha a trajetória do fazendeiro José Inocêncio (Antônio Fagundes), um fazendeiro que enriquece no cultivo de cacau após fazer um pacto místico de longevidade com um jequitibá-rei. O coração da história reside no doloroso conflito entre o coronel e seu filho caçula, João Pedro (Marcos Palmeira), rejeitado pelo pai que o culpa pela morte da mãe no parto. 

Essa rivalidade atinge o ápice quando ambos se apaixonam pela misteriosa Mariana (Adriana Esteves), desencadeando uma disputa que mistura amor, ciúme e vingança familiar nas terras da Bahia. A novela voltou ao ar em 2024, também adaptada por Bruno Luperi.

“O rei do gado” (1996)

Misturando romance, disputas familiares e questões sociais, a novela narra a rivalidade entre duas famílias descendentes de italianos e discute temas como reforma agrária, concentração de terras e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). 

A trama gira em torno dos Mezenga e dos Berdinazzi, duas famílias de imigrantes italianos que enriqueceram no Brasil com o café e a pecuária. O eixo central acompanha a paixão proibida entre o latifundiário Bruno Mezenga (Antônio Fagundes), o poderoso "Rei do fado", e a boia-fria Luana (Patrícia Pillar), que na verdade é a herdeira perdida dos Berdinazzi. É considerada uma das produções mais importantes da história da televisão brasileira.

“Terra Nostra” (1999)

Inspirada na imigração italiana para o Brasil, no fim do século XIX, logo após a abolição da escravidão, a novela acompanha os jovens Matteo (Thiago Lacerda) e Giuliana (Ana Paula Arósio), que se apaixonam perdidamente a bordo do navio rumo ao novo continente, mas acabam se separando no tumultuado desembarque no porto. A partir daí, ambos enfrentam desencontros dolorosos e casamentos arranjados com terceiros, Matteo na fazenda de café do rígido coronel Gumercindo (Antônio Fagundes) e Giuliana no casarão do banqueiro Francesco Maglianno (Raul Cortez), enquanto lutam para se reencontrar e recuperar o filho que tiveram juntos.

A produção foi um sucesso internacional e reforçou uma das marcas registradas do autor: retratar a formação cultural brasileira por meio das histórias de imigrantes.

“Esperança” (2002)

Também centrada na imigração italiana, “Esperança” se passa nas primeiras décadas do século XX e retrata as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes, além das transformações sociais e políticas do período.

A trama central acompanha a história de amor proibido entre o jovem escultor Toni (Reynaldo Gianecchini) e Maria (Priscila Fantin), separados na Itália pelo orgulho do pai da moça, o poderoso Giuliano (Antonio Fagundes), que rejeita a origem humilde de Toni. Ao emigrar sozinho para o Brasil, Toni se estabelece em São Paulo, onde se envolve na efervescência política e acaba se apaixonando por Camille (Ana Paula Arósio), uma jovem judia de família rica, gerando um complexo triângulo amoroso quando Maria viaja grávida ao Brasil disposta a reencontrá-lo.

“Mad Maria” (2005)

Além das novelas, Benedito também deixou sua marca nas minisséries. Em Mad Maria, adaptou o romance de Márcio Souza sobre a construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, na Amazônia. A produção reuniu aventura, romance e fatos históricos para retratar um dos empreendimentos mais desafiadores da história brasileira.

O enredo central acompanha a sobrevivência da pianista Consuelo (Ana Paula Arósio), que se perde na mata após um naufrágio e acaba dividida em um complexo triângulo amoroso com o médico americano Richard Finnegan (Fábio Assunção) e o nativo Joe Caripuna (Fidellis Baniwa). Enquanto a obra avança em meio a surtos de malária e perigos tropicais, a megalomania do empresário Percival Farquhar (Tony Ramos) e as manobras do corrupto Ministro J. de Castro (Antônio Fagundes) guiam um projeto bilionário movido a suor, sangue e ambição desenfreada

“Velho Chico” (2016)

Última novela inédita escrita por Benedito, “Velho Chico” foi ambientada às margens do Rio São Francisco. A trama uniu conflitos por terra, disputas familiares e uma grande história de amor, tendo o rio como elemento central da narrativa. 

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O enredo central foca no amor proibido de juventude entre Maria Tereza (Camila Pitanga) e Santo (Domingos Montagner), separados na juventude por armações e pelo autoritarismo do implacável Coronel Saruê (Antônio Fagundes). Anos depois, o reencontro desse casal reacende antigas mágoas, enquanto a nova geração, representada por Miguel (Gabriel Leone), filho biológico secreto do casal, tenta quebrar o ciclo de ódio familiar através de uma agricultura sustentável e cooperativa, fazendo ecoar o clamor pelo renascimento ecológico do próprio Rio São Francisco. A novela também ficou marcada pela morte do ator Domingos Montagner durante as gravações.

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