MÚSICA BRASILEIRA

Zélia Duncan lança 'Agudo grave', um disco 'para ser ouvido', segundo ela

Com arranjos da experimentalista Maria Beraldo, repertório traz parcerias de Zélia com Alberto Continentino, Lenine, Zeca Baleiro, Juliano Holanda e Pedro Luís

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Depois de passar cinco anos sem gravar, a cantora e compositora Zélia Duncan lança seu 21º álbum, “Agudo grave” (Duncan Discos), com 11 canções. Dez são autorais, com exceção de “Que tal o impossível?”, de Itamar Assumpção.

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Com produção e arranjos da cantora, compositora, arranjadora e clarinetista catarinense Maria Beraldo, o trabalho tem participações de Lenine e Alberto Continentino.

A sonoridade transita entre pop, rock, folk e choro-canção. “Maria Beraldo tem dois álbuns lançados, bem experimentais. Muito prestigiada em São Paulo, ela tem feito coisas muito bonitas”, afirma Zélia.

As duas se conheceram quando Maria a convidou para participar de seu disco. “A faixa tinha uma sonoridade que amei, aquilo ficou na minha cabeça. Depois a convidei para cantar em um show meu e, posteriormente, para fazermos espetáculo sobre Tom Jobim. A gente até levou “Tom Jobim ao vivo” ao Palácio das Artes, em 2022”, diz.

Também foi Maria Beraldo quem criou os arranjos para dois pianos do show “100 anos de Tom”.

“Ela é profundamente preparada, e também preparada para surpresas. Pensei: vou chamar esta menina. Gosto de ir a lugares nos quais não sei o que vai acontecer”, afirma Zélia, contando que a parceira a desafiou várias vezes. “Foi muito feliz o nosso encontro, eu lhe dei liberdade total para agir.”

Processo musical

A cantora e compositora fluminense diz que fez um disco para ser ouvido, na contramão da correria contemporânea.

“A gente está em um mundo no qual tudo tem de ser rápido, ninguém tem tempo para nada. Estou propondo que a gente se sente para ouvir música. É um disco para quem gosta do processo musical.”

Nesses cinco anos sem gravar, a compositora reuniu vasto repertório. Lembra que é sua marca registrada compor com artistas de diversos estilos. “Tem gente da minha geração, como Lenine e Zeca Baleiro, tem Ná Ozzetti e Lucina, que são de uma geração um pouquinho antes. As duas grandes novidades são o Alberto Continentino, um dos maiores contrabaixistas brasileiros, além de cantor, produtor e compositor, e a própria Maria Beraldo.”

Zélia e Continentino fizeram três canções, e o contrabaixista divide as vozes com ela na faixa “Pontes no ar”. “Isso deu frescor ao lado compositora, mas, ao mesmo tempo, sem largar a minha geração, pois tem Juliano Holanda, um querido de Pernambuco, com quem fiz um álbum inteiro (“Pelespírito”, em 2021). Agora tem a variedade total e a assinatura da Maria, com os arranjos que amarram tudo.”

Maria Beraldo é um dos destaques da música contemporânea brasileira
Maria Beraldo é um dos destaques da música contemporânea brasileira Arturo Holmes/Getty/AFP

Aos 61 anos, 45 de carreira, Zélia Duncan diz que seu novo trabalho traz algo diferente. “Você ouve, vê que é um disco meu, mas sente que tem uma coisa a mais”, afirma. “Maria abraçou minha voz e os arranjos trabalharam a favor das letras. Ela tem muita personalidade, porém teve muito cuidado e foi muito elegante como produtora.”

O novo trabalho sairá também nos formatos LP e CD. “A direção de arte que a Flávia Soares fez foi para o vinil, tivemos de adaptar para o digital, de tão fissurada que estou no vinil”, comenta, anunciando o produto físico para agosto.

'Colinho'

Ano passado, Maria Beraldo foi indicada ao Grammy Latino por “Colinho” (2024), que concorreu a Melhor Álbum de Música Alternativa em Língua Portuguesa, prêmio dado ao BaianaSystem com “O mundo dá voltas”.

O primeiro disco dela, “Cavala”, foi lançado em 2018. Eclética, a clarinetista e compositora catarinense, de 38 anos, tocou em rodas de samba e choro, transita por jazz, punk rock, samba e música eletrônica.

Maria já fez parte da banda de Arrigo Barnabé, tocou com Elza Soares, trabalha com o diretor de teatro Felipe Hirsch e integra o grupo instrumental Quartabê.

FAIXA A FAIXA

“Agudo grave”
De Lucina e Zélia Duncan

“Pontes no ar”
De Alberto Continentino e Zélia Duncan

“E aí, IA?”
De Alberto Continentino e Zélia Duncan

“Maravilha disforme
De Lenine e Zélia Duncan

“Meu plano”
De Ná Ozzetti e Zélia Duncan

“Voz”
De Maria Beraldo e Zélia Duncan

“Importante”
De Alberto Continentino e Zélia Duncan

“Calmo”
De Zeca Baleiro e Zélia Duncan

“Olhos de cimento”
De Pedro Luís e Zélia Duncan

“Resolvidinho”
De Juliano Holanda e Zélia Duncan

“Que tal o impossível?”
De Itamar Assumpção

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“AGUDO GRAVE”

• Álbum de Zélia Duncan
• 11 faixas
• Duncan Discos
• Disponível nas plataformas digitais a partir desta terça-feira (2/6)

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