MÚSICA

Disco une voz de Mônica Salmaso a instrumentos de Marco Antônio Guimarães

Resultante de uma residência artística, ‘Utupê Oficina Sonora recebe Mônica Salmaso, Teco Cardoso e Davi Fonseca’ será lançado na próxima quinta-feira (21/5)

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Criada como uma Organização da Sociedade Civil a partir do estúdio New Doors Vintage Keys, de Alê Fonseca, e do acervo que ele adquiriu de instrumentos inventados por Marco Antônio Guimarães para o grupo Uakti, a Utupê Oficina Sonora apresenta, nesta semana, seu cartão de visitas.

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Trata-se de um álbum resultante de uma residência artística que envolveu a cantora Mônica Salmaso, o saxofonista e flautista Teco Cardoso, o pianista Davi Fonseca e outros músicos mineiros, que chega às plataformas na próxima quinta-feira (21/5).


Intitulado “Utupê Oficina Sonora recebe Mônica Salmaso, Teco Cardoso e Davi Fonseca”, o disco apresenta seis faixas construídas a partir da exploração das sonoridades dos instrumentos concebidos por Marco Antônio, executados por Felipe José, Paulim Sartori, Natália Mitre e Yuri Vellasco, e das relações estabelecidas ao longo do processo. Cada faixa é acompanhada por um vídeo dirigido pelo videomaker Lucca Mezzacappa, o que amplia a escuta para o campo visual.


Alê Fonseca explica que tudo começou quando Davi Fonseca foi para o New Doors Vintage Keys gravar seu álbum mais recente, “Viseira”, lançado em 2024. “Ele ficou com uma permuta para fazer algumas produções no estúdio, e já tinha a ideia de convidar Mônica Salmaso para uma participação. Ela veio, gostou muito do estúdio e achou um desperdício gravar uma música só. Falei para ela vir e fazer outras”, diz. Ele conta que, ao mesmo tempo, discutia com Davi a importância de se conhecer a fundo o acervo de Marco Antônio.


Repertório do álbum

“Ele já vinha estudando os instrumentos e fazendo esboços de alguns arranjos, para quatro músicas, duas autorais e duas do Thiago Amud. Pensamos que podia ter mais uma, e Teco Cardoso trouxe um tema instrumental que tinha acabado de compor”, diz, acrescentando que o repertório do disco se completa com “Circuladô de Fulô”, de Caetano Veloso e Haroldo de Campos – uma sugestão que Mônica deu, após ouvir um dos instrumentos de Marco Antônio. Ela, Teco, Davi e os outros músicos ficaram duas semanas no estúdio.


Alê observa que a cantora paulistana sempre teve uma reverência enorme pelo Uakti. “Ela nutria uma vontade grande de trabalhar com o Uakti, o que infelizmente não foi possível. Mônica viu, com essa residência, a oportunidade de reativar os instrumentos e trazer a lógica dela para o nosso modo mineiro de fazer música, com mais tempo, com um tipo de preparo diferente das coisas”, destaca. A cantora se envolveu de tal forma que, além de cantar, acabou assinando como diretora artística do disco.


As músicas de Davi registradas no álbum são “Barra grande” e “Lasca”, ambas originalmente gravadas em “Viseira”; as de Thiago Amud são “Desamanhecido” e “Senhora das sete dores”, respectivamente de seu disco “O cinema que o sol não apaga” (2018) e do álbum “Revoada” (2017), de Irene Bertachini e Leandro César; e a de Teco, única inédita no repertório, é “Cazadero's march”. O lançamento de “Utupê Oficina Sonora recebe Mônica Salmaso, Teco Cardoso e Davi Fonseca” não vai gerar um show, segundo Alê.


Preservação

Ele explica que, desde que adquiriu o acervo de Marco Antônio Guimarães, tomou para si a responsabilidade museológica de preservá-lo. “Enquanto esses instrumentos estavam na oficina do Uakti ou na casa do Marco, eles os transportavam para onde quisessem. Eu, como a pessoa que os comprou, tenho que preservá-los, então tirar do estúdio é complicado. Ainda não consegui achar uma logística que funcione”, diz. Os vídeos de Lucca Mezzacappa é que vão cumprir a função para o público de mostrá-los sendo executados.


Alê ressalta que fundar a Utupê Oficina Sonora como uma Organização da Sociedade Civil é uma forma de viabilizar parcerias e financiamentos para que projetos como este, de residências artísticas e gravações, possam ser realizados regularmente. Ele diz que o objetivo é manter uma camerata e um time de pesquisadores ligados à associação para possibilitar a feitura de trabalhos futuros. “A ideia é realizar uma vocação cultural e social, então precisamos fazer com que o projeto seja sustentável”, diz.


Essa vocação foi algo que ele compreendeu com o tempo. “Abri o estúdio por achar que BH tinha que ter um lugar onde fosse possível gravar música de câmara e instrumental com o melhor padrão de qualidade possível. Com o passar do tempo, vi que meus sonhos, nossos sonhos, de quem veio somar são melhor contextualizados não no mercado, mas fora dele, dentro da lógica de uma Organização da Sociedade Civil. O mercado quer fazer as coisas rápido, botar para rodar, e nossa concepção está em outro lugar”, diz.

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“UTUPÊ OFICINA SONORA RECEBE MÔNICA SALMASO, TECO CARDOSO E DAVI FONSECA”
• Lançamento da Utupê Oficina Sonora
• Seis faixas
• Disponível nas principais plataformas a partir da próxima quinta-feira (21/5)

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