MÚSICA

Carlinhos Brown e Orquestra Ouro Preto se apresentam na Praça da Liberdade

Concerto gratuito no fim da tarde deste domingo (17/5) terá repertório orquestral da obra do cantor, compositor e percussionista baiano

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Quase 30 anos depois de gravar “Frases ventiais”, uma das canções mais emblemáticas do disco “Alfagamabetizado” (1996), Carlinhos Brown finalmente recuperou versos que julgava perdidos num caderninho esquecido na França. A lembrança reapareceu durante a maturação de “Afrosinfonicidade”, projeto criado ao lado da Orquestra Ouro Preto, que será apresentado neste domingo (17/5), às 18h, na Praça da Liberdade.

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“Ela se inteirou”, resume Brown, ao comentar a nova versão da música, rearranjada para formação sinfônica. “Agora eu acrescentei: ‘Lavoura e dissabor, desplante-me dessa dor’. Eu reencontrei o verso”, diz.


A história da composição ajuda a entender o próprio espírito do encontro entre o artista baiano e a orquestra mineira. “Frases ventiais” nasceu após Brown visitar um assentamento precário no interior da Bahia. Impressionado com as panelas cuidadosamente areadas por uma moradora, comentou sobre a beleza dos itens e ouviu dela uma frase que nunca esqueceu.


“Quem dera ter o que botar dentro”, lamentou a moradora. A cena ficou na memória do compositor e acabou transformada em música. “Nunca consegui mostrar essa canção para ela. Quando voltei lá, essa moradora já tinha se mudado. Mas a música ficou na alma”, afirma.


Mais do que uma parceria ocasional entre artista popular e orquestra, “Afrosinfonicidade” amadureceu ao longo dos últimos dois anos como uma convivência artística e humana. Depois da estreia em São Paulo, Brown e a Orquestra Ouro Preto circularam por Salvador e Belo Horizonte, aprofundando uma relação que não se limita ao repertório, mas se expande em experiências de vida.


Registro

“A gente se amarrou mais”, destaca o baiano. “Esses dois anos serviram como uma maturação enorme para gerar um resultado. Agora vamos registrar”, acrescenta. O concerto deste domingo faz parte do lançamento do álbum gravado pela orquestra e pelo músico na Concha Acústica de Salvador. Trata-se da consolidação de um projeto que “está mais do que azeitado”, conforme define o maestro Rodrigo Toffolo.


“Desde o início, a proposta não era destacar o Brown associado ao carnaval ou aos trios elétricos, mas revelar outra dimensão de sua obra. É o Brown compositor. Tem um cancioneiro brasileiro ali que surpreende muita gente”, afirma o regente. “Tem gente que conhece músicas dele sem saber que são dele”, comenta.


Canções como “Segue o seco”, “Maria de verdade”, “Quixabeira”, “Já sei namorar” e “Amor I love you” aparecem em arranjos que aproximam a percussão afro-brasileira da tradição sinfônica sem tirar a identidade popular das obras. Um dos grandes trunfos do concerto, segundo Toffolo, está justamente no encontro entre os músicos da orquestra e os percussionistas que acompanham Brown desde os tempos da Timbalada.


“É quando você coloca essa percussão genuína para funcionar junto da orquestra”, afirma o maestro. “Esse é o grande tempero do encontro”.


Ao longo da parceria, Brown e Toffolo descobriram afinidades que extrapolam a música. O baiano associa Minas Gerais e Bahia a tradições culturais marcadas pelo barroco, pela inventividade popular e pela força melódica da canção brasileira. Durante a conversa, cita Lô Borges (1952-2025) e Milton Nascimento para explicar a conexão que enxerga entre os universos mineiro e baiano.


Já Toffolo prefere enfatizar o aspecto humano da convivência. O maestro lembra das visitas ao Candeal, bairro onde Brown desenvolve projetos sociais em Salvador, e das conversas compartilhadas fora dos palcos. “Nada substitui o contato humano”, diz. “É sentar na mesa, pegar na mão, conhecer a rua, ganhar um abraço. Acho que essa ‘Afrosinfonicidade’ também fala disso”, afirma.


A escolha da Praça da Liberdade como palco do concerto reforça essa dimensão coletiva. Depois de passar por teatros e salas fechadas, o projeto chega agora ao espaço público num momento que os artistas descrevem como especialmente simbólico. “A contemporaneidade está pedindo encontros”, afirma Toffolo. “Encontros, não separações”, ressalta o maestro.

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“AFROSINFONICIDADE”
Concerto da Orquestra Ouro Preto com Carlinhos Brown. Neste domingo (17/5), às 18h, na Praça da Liberdade. Entrada franca.

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