Cine Humberto Mauro exibe 'De lá pra cá: Uma mostra da Varda'
Ciclo de filmes com sessões gratuitas até o próximo dia 7 de junho reúne 21 títulos da diretora Agnès Varda e seis de diretores contemporâneos da francesa
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“Imaginar-se criança é como andar para trás. Imaginar-se idosa é engraçado, como uma piada suja.” Agnès Varda (1928-2019), cineasta, artista e fotógrafa francesa, viveu e produziu muito. Nome mítico da Nouvelle Vague, que morreu aos 90 anos um mês após lançar seu filme-testamento, “Varda by Agnès”, ganha mostra bastante abrangente no Cine Humberto Mauro.
O programa “De lá pra cá: Uma mostra da Varda”, que será exibido até 7 de junho, apresenta 27 produções. Vinte e uma são curtas e longas de Varda, e seis de parceiros – de vida, de cinema, de pensamento. Todas as cópias foram restauradas e licenciadas no Brasil para o Filmes do Estação. Nome referencial, Varda recebeu três prêmios honoríficos por sua contribuição para o cinema: o César (2001), a Palma de Ouro (2015) e o Oscar (2017).
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“Varda teve uma produção enorme (mais de 60 títulos), mas a gente pode falar que está exibindo os principais de todas as fases”, comenta o curador Vítor Miranda, também gerente do Cine Humberto Mauro.
O panorama abrange desde filmes muito conhecidos – “Cléo de 5 às 7” (1962), “Os catadores e eu” (2000) e “As praias de Agnès” (2008), de onde foi tirada a fala que abre este texto – a outros menos vistos, como “Daguerreótipos” (1975) e “Documentira” (1981). Haverá sessões comentadas. Neste sábado (16/5), a pesquisadora Cláudia Mesquita vai analisar “Os catadores e eu” em sessão às 17h.
PERSPECTIVA FEMINISTA
Miranda considera o clássico da Nouvelle Vague “Cléo de 5 às 7” uma “ótima entrada” para a obra de Varda. “Ele conta a história de Cléo, cantora que vai fazer um exame para descobrir se está com câncer. Agnès a acompanha das 5 às 7 da tarde, ou seja, o filme acontece em tempo real. É uma perspectiva muito autoral e feminista, importante para uma introdução à filmografia.” A primeira sessão deste filme, que trouxe reconhecimento internacional à Varda, será hoje (15/5), às 15h.
O curador destaca também alguns curtas da diretora: “Panteras negras” (1967), “em que ela viajou para Oakland, na Califórnia, e registrou o início do movimento” e “Saudações, cubanos!” (1963), realizado a partir de 1,8 mil fotos que ela fez em Cuba. “Os documentários dela não são meramente informativos e jornalísticos. São muito pessoais, então o espectador aprende mais sobre o mundo, e também sobre ela e sua forma de fazer filmes.”
Longa pouco visto de Varda, “Kung-fu master” (1988) será comentado pelo pesquisador Luiz Fernando Coutinho na sessão de 2 de junho, às 19h. O filme acompanha uma mulher que se apaixona por um garoto de 15 anos, colega de sua filha.
A produção é uma verdadeira festa em família. O roteiro é de Varda com Jane Birkin, que interpreta a protagonista, Mary-Jane. Charlotte Gainsbourg, filha de Birkin com Serge Gainsbourg, vive a filha da personagem. E Mathieu Demy, rebento de Varda com Jacques Demy, interpreta Julien, objeto de desejo de Mary-Jane.
Completando o programa, Miranda selecionou filmes de realizadores também da Nouvelle Vague que se identificavam no grupo Rive Gauche, de tendência esquerdista. Tais cineastas têm obras com maior engajamento político do que o grupo chamado de Jovens Turcos, dos quais fizeram parte Jean-Luc Godard, Éric Rohmer e François Truffaut.
Além de Varda, integravam o Rive Gauche Alain Resnais (a mostra exibe “Meu tio na América”, de 1980), Chris Marker (que aparece com o longa “Sem sol”, de 1983, e o curta “A pista”, de 1962) e Jacques Demy, com quem a cineasta foi casada por quase três décadas (até a morte dele, em 1990). Dele será exibido o clássico “Os guarda-chuvas do amor” (1964), vencedor da Palma de Ouro em Cannes e indicado a cinco Oscars.
“DE LÁ PRA CÁ: UMA MOSTRA DA VARDA”
No Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro). Sessões até 7 de junho. Entrada franca. Ingressos disponíveis no Sympla (a partir das 12h do dia de cada sessão) e na bilheteria (uma hora antes da exibição). Programação completa no site da Fundação Clóvis Salgado.
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